|
OBJETIVOS
E
DESAFIOS DE POUPAR
Que me
perdoem os bancos, mas poupar é muito mais do que um investimento
financeiro, ou seja, colocar o dinheiro numa caderneta de poupança,
num CDB ou em um fundo qualquer. Poupa-se por um objetivo maior,
por um norte a alcançar, para realizar um sonho.
Um dos maiores desafios de poupar é justamente a falta de
um objetivo concreto para o dinheiro poupado. Se poupo pura e simplesmente
para ter dinheiro, na verdade, não o tenho, pois acabo gastando
de maneira supérflua e sem controle. Se tenho dinheiro guardado
sem ter uma motivação concreta, no primeiro impulso
consumista o dinheiro “poupado” vai embora. Agora, se
ele está lá para cumprir um objetivo maior, os supérfluos
ficam pelo caminho e o dedico apenas ao objetivo principal.
O norte do poupar pode ser um incremento na aposentadoria, a casa
própria, uma casa na praia, um eletrodoméstico novo,
enfim, qualquer coisa realmente desejada. O importante é
ter um objetivo e ir em busca dele.
Não estou aconselhando ninguém a abrir mão
de jantar fora ou de tomar um sorvete. Mas, em se tratando de dinheiro,
um pouco de radicalismo não faz mal a ninguém. Um
pequeno radicalismo presente pode gerar ganhos futuros. A ideia
é de que poupando hoje pode-se fazer as mesmas coisas, além
de outras mais, num futuro próximo. O importante é
não se precipitar, é saber esperar, pois só
assim poderemos colher mais frutos.
Por exemplo, se meu objetivo é uma televisão de LCD,
posso pensar que é fácil adquiri-la. Simplesmente,
pago uma prestação de R$ 150,00 ao mês, por
10 meses. Ou, melhor ainda, uma prestação de R$ 90,00
por mês, em 20 meses – coisas que a estabilidade econômica
permite. Ótimo, objetivo cumprido!
Mas se eu tivesse me programado para esse objetivo, não seria
melhor? Certamente, visto que, comprando à vista, essa mesma
televisão sai por R$ 1.300,00. Veja só: se eu tivesse
me programado e colocado na poupança para render os R$ 150
todos os meses, por 10 meses, eu teria em torno de R$ 1.535,00 no
final do período. Pode não parecer muito, mas em vez
de ter pago os R$ 1.500,00, eu teria pago, à vista, R$ 1.300,00.
E, com um desconto bem plausível de 5% que eu poderia receber
pelo fato de estar pagando à vista, a televisão me
custaria R$ 1.235,00. Ou seja, eu teria uma economia final de R$
300,00 – diferença entre o preço a prazo e o
preço à vista, considerando o desconto dado no pagamento
à vista e os juros da poupança. Programando-me, eu
teria uma televisão e poderia, ainda, comprar, de quebra,
um DVD e um ventilador. Se eu fosse considerar a segunda hipótese,
R$ 90,00 ao mês, em 20 vezes, essa diferença seria
ainda maior.
Sem dúvida, poupar para um objetivo específico é
a melhor escolha. Porém, nem sempre é a mais fácil,
visto que é difícil combater o impulso consumista
em tempos de economia estável. Mas, além do benefício
de pagar menos, você fica no controle de sua vida. Caso aconteça
um imprevisto, por exemplo, a prestação não
foge, mas se ela não existir, você pode apenas adiar
o seu sonho para os próximos meses.
Stephan
Sawitski
Economista e consultor da JXS Consultores |
|