Ano XX - EDIÇÃO 1101

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OBJETIVOS E
DESAFIOS DE POUPAR

Que me perdoem os bancos, mas poupar é muito mais do que um investimento financeiro, ou seja, colocar o dinheiro numa caderneta de poupança, num CDB ou em um fundo qualquer. Poupa-se por um objetivo maior, por um norte a alcançar, para realizar um sonho.
Um dos maiores desafios de poupar é justamente a falta de um objetivo concreto para o dinheiro poupado. Se poupo pura e simplesmente para ter dinheiro, na verdade, não o tenho, pois acabo gastando de maneira supérflua e sem controle. Se tenho dinheiro guardado sem ter uma motivação concreta, no primeiro impulso consumista o dinheiro “poupado” vai embora. Agora, se ele está lá para cumprir um objetivo maior, os supérfluos ficam pelo caminho e o dedico apenas ao objetivo principal.
O norte do poupar pode ser um incremento na aposentadoria, a casa própria, uma casa na praia, um eletrodoméstico novo, enfim, qualquer coisa realmente desejada. O importante é ter um objetivo e ir em busca dele.
Não estou aconselhando ninguém a abrir mão de jantar fora ou de tomar um sorvete. Mas, em se tratando de dinheiro, um pouco de radicalismo não faz mal a ninguém. Um pequeno radicalismo presente pode gerar ganhos futuros. A ideia é de que poupando hoje pode-se fazer as mesmas coisas, além de outras mais, num futuro próximo. O importante é não se precipitar, é saber esperar, pois só assim poderemos colher mais frutos.
Por exemplo, se meu objetivo é uma televisão de LCD, posso pensar que é fácil adquiri-la. Simplesmente, pago uma prestação de R$ 150,00 ao mês, por 10 meses. Ou, melhor ainda, uma prestação de R$ 90,00 por mês, em 20 meses – coisas que a estabilidade econômica permite. Ótimo, objetivo cumprido!
Mas se eu tivesse me programado para esse objetivo, não seria melhor? Certamente, visto que, comprando à vista, essa mesma televisão sai por R$ 1.300,00. Veja só: se eu tivesse me programado e colocado na poupança para render os R$ 150 todos os meses, por 10 meses, eu teria em torno de R$ 1.535,00 no final do período. Pode não parecer muito, mas em vez de ter pago os R$ 1.500,00, eu teria pago, à vista, R$ 1.300,00. E, com um desconto bem plausível de 5% que eu poderia receber pelo fato de estar pagando à vista, a televisão me custaria R$ 1.235,00. Ou seja, eu teria uma economia final de R$ 300,00 – diferença entre o preço a prazo e o preço à vista, considerando o desconto dado no pagamento à vista e os juros da poupança. Programando-me, eu teria uma televisão e poderia, ainda, comprar, de quebra, um DVD e um ventilador. Se eu fosse considerar a segunda hipótese, R$ 90,00 ao mês, em 20 vezes, essa diferença seria ainda maior.
Sem dúvida, poupar para um objetivo específico é a melhor escolha. Porém, nem sempre é a mais fácil, visto que é difícil combater o impulso consumista em tempos de economia estável. Mas, além do benefício de pagar menos, você fica no controle de sua vida. Caso aconteça um imprevisto, por exemplo, a prestação não foge, mas se ela não existir, você pode apenas adiar o seu sonho para os próximos meses.

Stephan Sawitski
Economista e consultor da JXS Consultores

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