|
LIBERDADE
Nosso
país assistiu há poucos dias ao final de mais um
episódio da saga BBB, e que terminou, para gáudio
de maragatos e chimangos, com a vitória de Marcelo Dourado.
Gaúcho da cepa, soube, como poucos deste rincão se
atreveriam, manifestar, em público, sob a mira de permanentes
e inoportunos microfones e câmeras, cusparadas, peidos, arrotos
e conceitos sociológicos no mínimo suspeitos, mas
arrazoados “às pampas” em círculos gaudérios
machistas, via de regra ponteados pela adaga, pelo tilintar das
esporas e embalados pela carne gorda e pela cachaça animal.
Mas não quero objetar esse perfil. Ele é natural e saudável.
Ele é gaúcho! E por assim ser, não tem igual. O que impressiona é a
persistência de uma fera como o Dourado, acostumado a tatames e ao vento
na cara, sujeitar-se a um confinamento voluntário e encher-se de trejeitos
e salamaleques para permitir uma convivência, no mínimo, tolerável,
com pessoas de formação intelectual e moral tão díspares.
A resistência do ser humano; aquilo que ele é capaz de sacrificar
de sua própria “gordura” para atingir determinados objetivos é diretamente
proporcional a sua história de luta pela sobrevivência e pela conquista
da liberdade, ainda que, e, especialmente, por ela ser financeira. No entanto,
tudo tem seu preço! As rebatidas de Dourado ante os desafios de seus desafetos
dentro da “casa mais vigiada do Brasil” nem sempre foram voleios,
mas, invariavelmente, atingiam a quadra adversária. E esse é seu
grande segredo. A experiência! Dourado conhecia as regras do jogo. A vida
tinha lhe ensinado isso.
Uso esse episódio para retratar uma realidade na qual nós, brasileiros,
somos “experts”: em queixumes e choramingas. Ou seja, o paternalismo
governamental que grassa e o agrado que isso provoca na gente é a contraposição
daquilo que esse país, ao longo de quase três meses, aplaudiu e
venerou na figura de um homem que, a despeito de suas convicções
sexuais, soube mover-se num ambiente hostil e desafiador e, ainda assim, vencer
todos os preconceitos a seu respeito e mostrar que a “luta continua” e
que o “pote dourado” (sic) está à espera de quem luta
e busca e não fica esperando, por meios dissimulados, pelas migalhas eleitoreiras,
abundantes nessa época, e de que os anjos caiam do céu.
A história do BBB 10, com suas intrigas, malícias, falsidades,
conluios e estratégias de solapar o desempenho dos adversários
nos deixou uma grande lição: não há estratégia! É mister
que sejamos nós mesmos! Custe o que custar! As ideias mirabolantes e os
conluios terminam assim... vocês viram! O nosso desempenho não pode
se basear em artifícios, em injunções políticas e
benesses que estimulam o ócio e o desprezo pelo trabalho sagrado.
Afinal, quem somos nós? Talvez essa seja a grande pergunta! Qual é o
nosso perfil? Estamos participando do jogo da nossa vida ou somos meros peões
nas mãos dos mais pérfidos e inescrupulosos gerentes de nossa pátria
amada, idolatrada?!
A liberdade de cada um é uma conquista personalíssima, única
e fundada em convicções de valor, de ética e de respeito
ao semelhante. Aquela dada, de graça, sem preço, não liberta:
escraviza!
Franz
Roedel
Administrador. |
|