
A
viúva do padre – O Tribunal de Justiça
do Rio Grande do Sul manteve a decisão do juiz de
Porto Alegre que não reconheceu o pedido de união
estável entre um padre da Igreja Católica de
Porto Alegre, falecido em 2007, com uma mulher com quem ele
se relacionou afetivamente por 30 anos. No processo a mulher
informou que o relacionamento começou em 1977 até 2007,
quando o padre faleceu. Argumentou que os seus vizinhos tinham
conhecimento dos fatos e apresentou cartas românticas
para comprovar a união. Para o desembargador relator
do processo, o relacionamento entre o padre e a mulher não
pode ser considerado uma união estável por
falta de um requisito essencial: a convivência pública
e contínua com intenção de constituir
uma família. O desembargador ainda argumentou que
mesmo após a aposentadoria, quando o padre então
poderia ter se afastado da diocese ou da vida eclesiástica
para então dedicar-se exclusivamente a sua vida pessoal,
ele continuou prestando serviços eclesiásticos à comunidade,
o que prova que em primeiro lugar estava o seu trabalho e
não a intenção de constituir uma família.
Quanto à publicidade do relacionamento, alegada pela
mulher, entendeu o juiz que era limitada a um pequeno número
de pessoas, não podendo ser considerada pública.
Diante disso, negou o pedido de reconhecimento de união
estável. Presente ao julgamento, o segundo desembargador
acompanhou o voto, concordando que não houve união
estável. Por fim, o terceiro desembargador teve uma
opinião diversa. Para ele, a união estável
foi “escancarada” durante 30 anos na presença
das pessoas envolvidas. Citou ainda a prova de que em 1987
o padre teria dito à mulher: “Ou me aceita como
eu sou ou termina aqui..” E ela teria respondido: “Seremos
nós, tu, eu e a Igreja – vamos continuar juntos,
não há problema”. O julgamento acabou
com dois votos contra um negando a união estável.
A notícia completa está publicada no site do
Tribunal de Justiça do RS.
O
agiota e o leitor anônimo (parte 2) – Recebi
vários e-mails comentando a coluna da semana passada.
Elogios e críticas. Quanto aos elogios, não é preciso
comentar, apenas agradeço. Já os e-mails criticando
a coluna são curiosos e interessantes. Vale aqui o registro
daqueles que escreveram agradecendo por um dia terem encontrado
um amigo que lhes emprestasse dinheiro, quando passavam por
dificuldades e as portas estavam fechadas. Também vou
registrar a alegação em outro e-mail que o dinheiro
não caiu do céu nas mãos da pessoa que
escreveu a carta. Ela foi quem procurou este recurso. Quanto
aos comentários de taxas de juros, alguns alegaram ainda
que certos agiotas cobram menos que os bancos no cheque especial.
Obrigado a todos que escreveram. É este retorno que
alimenta o colunista.
Dara
partiu, deixará saudades – Quando cheguei à região
em maio de 1997, preocupado com a segurança de minha
casa e família comprei uma Rottweiler em Esteio/RS,
de um criador especializado. De linhagem boa, dócil,
Dara cresceu com minha família. Desfilou nas feiras
em Três de Maio e Santa Rosa e trouxe as medalhas de “melhor
da raça” para casa. Sem necessidade de adestrar,
mesmo um rottweiler, quando criado com amor, torna-se um membro
da família. Dara viu meus três filhos nascerem.
Guardo algumas fotos deles tomando mamadeira agarrados no seu
pescoço. Na semana passada, com 12 anos e 11 meses de
idade, Dara teve um AVC no pátio de casa. Passou a mexer
somente a cabeça. Na manhã de hoje (quinta-feira),
onze dias depois, Dara faleceu. Enquanto escrevo, aguardo as
crianças retornarem da aula para, juntos, enterrá-la. É impressionante
como nos apegamos aos animais. Foram quase treze anos de convívio
diário, ela servindo a minha família. Quero agradecer
o carinho dos amigos nestes dias. Meu carinho especial também à veterinária
de Três de Maio Aline Campos Dias, que acompanhou Dara
desde a sua chegada até o seu último dia, sempre
tratando-a com muito carinho e profissionalismo.
Das
minhas leituras da madrugada: “A dor é inevitável,
o sofrimento é opcional” (Kathleen Casey)
Um
ótimo fim de semana a todos!!
Oficial
do Registro de Imóveis e Tabelião de Protestos
Pós-Graduado em Direito Notarial e Registral
Secretário da Associação dos Notários
e Registradores do Brasil (RS)
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Marcos Salomão é colunista de 17 jornais
da região Noroeste.
A relação completa dos jornais poderá ser
conferida em nosso site www.marcossalomao.com.br