Ano XX - EDIÇÃO 1095

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO – QUERER É PODER – Dizem que é possível tirar leite de pedra. Basta querer. Talvez, vá um pouco de exagero nisso. Mas é o que quase acontece na região serrana de Carlos Barbosa, onde estive, na semana passada, em companhia do divertido Pato Roberto, em missão de conhecimento da produção leiteira em pequena propriedade acidentada. Foi escolhida aquela região serrana, por causa de vários fatores: área rural difícil de trabalhar, a boa organização do setor leiteiro. Quando se chega a Carlos Barbosa, à primeira vista, se conclui que é impossível sobreviver no meio daqueles morros. Mas conhecendo a realidade, imediatamente se percebe que aquele povo tem status e padrão de vida melhor do que muitos produtores rurais de nossa região. Então, vem a conclusão: querer é poder. É possível tirar leite de pedra. Tudo graças à excelente organização da Cooperativa Santa Clara Ltda., que tem 4.300 associados, dos quais 3.057 se dedicam à produção de leite. Dá para produzir leite no meio das pedras, nos socavões das montanhas. É o milagre da dedicação, da persistência e da organização. A média chega aos 175 litros/dia por produtor. O produto é industrializado pela Cooperativa Santa Clara Laticínios. Arredondando, dá 400 mil litros/dia. É milagre, ou é fruto do trabalho?
PERSISTÊNCIA – Depois do dia de experiência que tive na Granja Santa Catarina, em Carlos Barbosa, Capital da Batata, há 25 anos, fico convencido de que o que mais precisa na atividade leiteira é persistência. E muito sacrifício. Mas ninguém me venha dizer que não dá, que não é negócio.
SEM CHORO – Apesar das dificuldades e agruras, não ouvi uma queixa da boca dos produtores de leite de Carlos Barbosa. Não ouvi queixa quanto a preço do produto, mau atendimento, ou quanto às condições de trabalho. Parece que aquele povo não chora miséria e se conforma com o meio onde desenvolve suas atividades. Uma lição que nossos produtores precisam recolher.
PREÇO – A Cooperativa Santa Clara pagou no mês passado R$ 0,70 por litro de leite, e neste mês, os produtores vão receber R$ 0,73. Lá é jogo aberto, há transparência e o preço não é aviltante, desanimador. Só que o produtor tem que entregar produto de qualidade, limpo, higiênico. Nem pensar em entregar leite de vaca que tem mamite. A cada vaca ordenhada é feito o teste, antes da ordenha.
CUMPRE DESTACAR que em Carlos Barbosa não é a prefeitura que toma a frente, mas a cooperativa. A prefeitura só participa com incentivos na inseminação artificial, cuja aplicação está a cargo dos técnicos da Santa Clara. E ninguém reclama das estradas e que a prefeitura tem que encascalhar o pátio, o acesso, ou isso ou aquilo. Seria uma questão de cultura? O paternalismo gera esse tipo de dependência.
REDENÇÃO – Por tudo que vi e ouvi, a minha convicção é cada vez mais forte de que a administração municipal, através da Secretaria Municipal de Agricultura e do Meio Ambiente, está no rumo certo. A redenção da nossa economia primária passa pela bacia leiteira. Basta pôr fé na atividade. Não levar a produção de leite na brincadeira. Daqui a alguns anos, vamos conversar de novo.
PROVIDÊNCIAS – Insistentemente, os senhores vereadores pedem providências visando a instalação de rótulas – pelo menos três – na RS-342. Obviamente, são necessárias aquelas rótulas. E não se pense que a administração municipal não tenha feito reiterados pedidos ao Daer. Na verdade, há anos que existe a necessidade de rótulas em diversos acessos à área urbana. Então, devagar com o andor. Existe uma pressa incrível para que tantas coisas sejam feitas. Pedir é fácil, propor é fácil. O difícil, quase sempre, é a execução. Nunca esquecer que Roma não se fez num dia.
E A GOVERNADORA, HEIN, É AMIGA DE TRÊS DE MAIO! TRÊS VISITAS AO MUNICÍPIO EM MENOS DE 13 MESES DE ADMINISTRAÇÃO. PODE?
VALE A PENA?
Será que vale a pena brigar com os Estados Unidos? Afinal de contas eles são disparado os maiores importadores de produtos brasileiros.
QUEM CHORA MAMA – Está aí a locomotiva do Palácio Municipal que tanto chorou na subida da serra que chegou a hora de mamar: o anel rodoviário, uma retroescavadeira, 18 microaçudes. A incredulidade tem os seus dias contados. A locomotiva apitou: “Homens de pouca fé! Homens de pouca fé”!

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