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À GUISA
DE COMENTÁRIO – QUERER É PODER – Dizem
que é possível tirar leite de pedra. Basta querer.
Talvez, vá um pouco de exagero nisso. Mas é o que
quase acontece na região serrana de Carlos Barbosa, onde
estive, na semana passada, em companhia do divertido Pato Roberto,
em missão de conhecimento da produção leiteira
em pequena propriedade acidentada. Foi escolhida aquela região
serrana, por causa de vários fatores: área rural
difícil de trabalhar, a boa organização
do setor leiteiro. Quando se chega a Carlos Barbosa, à primeira
vista, se conclui que é impossível sobreviver no
meio daqueles morros. Mas conhecendo a realidade, imediatamente
se percebe que aquele povo tem status e padrão de vida
melhor do que muitos produtores rurais de nossa região.
Então, vem a conclusão: querer é poder. É possível
tirar leite de pedra. Tudo graças à excelente organização
da Cooperativa Santa Clara Ltda., que tem 4.300 associados, dos
quais 3.057 se dedicam à produção de leite.
Dá para produzir leite no meio das pedras, nos socavões
das montanhas. É o milagre da dedicação,
da persistência e da organização. A média
chega aos 175 litros/dia por produtor. O produto é industrializado
pela Cooperativa Santa Clara Laticínios. Arredondando,
dá 400 mil litros/dia. É milagre, ou é fruto
do trabalho?
PERSISTÊNCIA – Depois do dia de experiência que
tive na Granja Santa Catarina, em Carlos Barbosa, Capital da Batata,
há 25 anos, fico convencido de que o que mais precisa na
atividade leiteira é persistência. E muito sacrifício.
Mas ninguém me venha dizer que não dá, que
não é negócio.
SEM CHORO – Apesar das dificuldades e agruras, não
ouvi uma queixa da boca dos produtores de leite de Carlos Barbosa.
Não ouvi queixa quanto a preço do produto, mau atendimento,
ou quanto às condições de trabalho. Parece
que aquele povo não chora miséria e se conforma com
o meio onde desenvolve suas atividades. Uma lição
que nossos produtores precisam recolher.
PREÇO – A Cooperativa Santa Clara pagou no mês
passado R$ 0,70 por litro de leite, e neste mês, os produtores
vão receber R$ 0,73. Lá é jogo aberto, há transparência
e o preço não é aviltante, desanimador. Só que
o produtor tem que entregar produto de qualidade, limpo, higiênico.
Nem pensar em entregar leite de vaca que tem mamite. A cada vaca
ordenhada é feito o teste, antes da ordenha.
CUMPRE DESTACAR que em Carlos Barbosa não é a prefeitura
que toma a frente, mas a cooperativa. A prefeitura só participa
com incentivos na inseminação artificial, cuja aplicação
está a cargo dos técnicos da Santa Clara. E ninguém
reclama das estradas e que a prefeitura tem que encascalhar o pátio,
o acesso, ou isso ou aquilo. Seria uma questão de cultura?
O paternalismo gera esse tipo de dependência.
REDENÇÃO – Por tudo que vi e ouvi, a minha
convicção é cada vez mais forte de que a administração
municipal, através da Secretaria Municipal de Agricultura
e do Meio Ambiente, está no rumo certo. A redenção
da nossa economia primária passa pela bacia leiteira. Basta
pôr fé na atividade. Não levar a produção
de leite na brincadeira. Daqui a alguns anos, vamos conversar de
novo.
PROVIDÊNCIAS – Insistentemente, os senhores vereadores
pedem providências visando a instalação de
rótulas – pelo menos três – na RS-342.
Obviamente, são necessárias aquelas rótulas.
E não se pense que a administração municipal
não tenha feito reiterados pedidos ao Daer. Na verdade,
há anos que existe a necessidade de rótulas em diversos
acessos à área urbana. Então, devagar com
o andor. Existe uma pressa incrível para que tantas coisas
sejam feitas. Pedir é fácil, propor é fácil.
O difícil, quase sempre, é a execução.
Nunca esquecer que Roma não se fez num dia.
E A GOVERNADORA, HEIN, É AMIGA DE TRÊS DE MAIO! TRÊS
VISITAS AO MUNICÍPIO EM MENOS DE 13 MESES DE ADMINISTRAÇÃO.
PODE?
VALE A PENA? Será que vale a pena brigar com os Estados
Unidos? Afinal de contas eles são disparado os maiores importadores
de produtos brasileiros.
QUEM CHORA MAMA – Está aí a locomotiva do Palácio
Municipal que tanto chorou na subida da serra que chegou a hora
de mamar: o anel rodoviário, uma retroescavadeira, 18 microaçudes.
A incredulidade tem os seus dias contados. A locomotiva apitou: “Homens
de pouca fé! Homens de pouca fé”!
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