Ano XX - EDIÇÃO 1094

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO – CRÍTICA – As pessoas têm, de modo geral, espírito crítico. E isso não é nada mau. Mas há crítica e crítica. Existe a crítica construtiva e existe a crítica maldosa. A crítica maldosa é destrutiva. E existe a crítica pela crítica. Aquela que se faz para tirar vantagens. Uma mulher não deu bola, então ela passa a ser tida como sem-vergonha, traiçoeira e mais isso e mais aquilo. Criticar sistematicamente é, sobretudo, defeito político. Os políticos da oposição criticam sistematicamente os atos dos governantes da situação. No Rio Grande do Sul, temos o exemplo da governadora, que está sendo massacrada pelos seus opositores críticos. Tem tido erros, mas também teve e tem muitos acertos. Isso se pode transferir para os municípios, onde o sistema da crítica sistemática também é usado. O objetivo desse mau vezo é desgastar os mandatários, que, via de regra, se esmeram para fazer o bem, executar obras e ações positivas para a comunidade e, quando acontece algum senão, os adversários caem de pau e massacram. Aí deve entrar a capacidade do povo em saber julgar quem está certo e quem está errado, quem tem razão e quem não tem. Tomara que esse vírus não grasse por essas bandas e fique bem para lá, porque a crítica negativa e a crítica pela crítica são nefastas para qualquer comunidade.
ISENÇÃO PARA IDOSO – Essa é inacreditável. Será coisa de ano de eleições? Isenção do Imposto de Renda pode beneficiar idoso. A notícia diz que “Idosos, a partir de 60 anos, que recebem rendimentos da Previdência Social, poderão ficar isentos do Imposto de Renda, pelo menos sobre parte dos valores”. O assunto deverá entrar em votação na Câmara dos Deputados. Aliás, os idosos deveriam ser isentos do Imposto de Renda, porque quem pagou a vida inteira deveria ter uma anistia na reta final dos dias.
DEIXEM O CARA TRABALHAR – Uma bela frase que poderia ser dita por qualquer cidadão que quer ver serviço. Por que criticar, azucrinar e infernizar, se o cara está trabalhando?
LITERALMENTE – “Uma das bandeiras da ACI, do Sindilojas, da Fcdl, da Federasul e da Fecomércio, é do fortalecimento do livre comércio, com a visão de que os órgãos públicos reduzam continuamente a interferência nas atividades comerciais, mas acompanhem a adaptação das leis aos hábitos de consumo dos consumidores”. É bom refletir sobre isso, quando está em pauta a discussão se o comércio deve ou não abrir aos domingos.
LEITE – A Nova Zelândia – de 268 mil km2, menor que o Rio Grande do Sul – produz 4,5 mil litros diários de leite por propriedade, contra 120 litros do Rio Grande do Sul. Lá são 12 mil produtores de leite; aqui são 70 mil. Lá os rebanhos possuem em média 370 animais em ordenha; aqui muitos mantêm em média menos de 20. Lá a suplementação alimentar é só na base de pasto.
RETROESCAVADEIRAS – Ainda no mês de março, o governo do Estado vai entregar 270 retroescavadeiras para os municípios gaúchos que foram atingidos pelos últimos eventos climáticos. Três de Maio deverá estar entre os municípios beneficiados.
ESTRADAS – O Ministério da Agricultura anuncia que vai liberar R$ 44 milhões para contemplar 139 municípios gaúchos. Os recursos serão destinados para a recuperação de estradas vicinais, danificadas pelas chuvas torrenciais do segundo semestre do ano passado. Bem que Três de Maio poderia figurar entre os municípios beneficiados.
MODELO DE DIVERSIFICAÇÃO – Na sexta-feira da semana passada, dia 5 de março, o colunista teve uma bela oportunidade de conhecer a cidade serrana de Carlos Barbosa. Lá a Cooperativa Santa Clara Ltda. é modelo – data de fundação: 1912. A indústria da Tramontina é modelo e o futsal da ACBF também pode ser tido como modelo no Estado. Mas modelo mesmo é a produção de leite em pequenas propriedades no meio dos morros. Dos 4.300 associados da Cooperativa Santa Clara cerca de 3.000 se dedicam à produção de leite.
CAPITAL DA BATATA – Há 25 anos, Carlos Barbosa era a Capital da Batata. Mas, devido à instabilidade do mercado da batata, os produtores agarrados aos morros mudaram de atividade: passaram a dedicar-se à produção de leite, usando tecnologia e atividade séria em pequenas propriedades, em torno de cinco hectares. Na maioria dos casos, as vacas estão confinadas em estábulos e o tratamento é feito com silagem, pasto e complementação com sal mineral e ração. O milho para silagem é colhido na propriedade, bem como o pasto. A implantação da atividade leiteira foi feita aos poucos, sem gastos exorbitantes.
ATIVIDADE ROTINEIRA – Durante os 30 dias do mês e os 12 meses do ano, a atividade rotineira nas propriedades que produzem leite é a mesma, desde as 5 horas da manhã até as 20 horas da noite. Os trabalhos são executados exclusivamente pela família. Na maioria dos casos pelo casal. É um exemplo de como se pode sobreviver e bem numa pequena propriedade, mesmo sendo muito difícil a geografia das terras.

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