Dez
agricultoras da comunidade interiorana de Santo Antônio,
Consolata, em Três de Maio, fazem parte de um grupo
de mulheres que estão marcando a história
de agricultoras gestoras da propriedade no campo. Isto
porque são a segunda turma do Rio Grande do Sul
a fazer parte do programa ‘Com licença vou
à luta’ , idealizado pela presidente da Confederação
Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu,
vinculado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural
(Senar) e organizado pelo Sindicato Rural de Três
de Maio.
A aula inaugural ocorreu na sexta-feira passada, dia 19,
no salão da comunidade de Santo Antônio,
com a presença da coordenadora nacional do Senar
e do programa, Lurdes Henemann, a analista de promoção
social do Senar/RS Daniela Wegner, o supervisor regional
do Senar/RS Diego Coimbra, o presidente do Sindicato Rural
de Três de Maio, Gilberto Marasca, e o instrutor
do programa Marcelino Colla.
De acordo com Lurdes Henemann, o programa é voltado
exclusivamente para as mulheres agricultoras, com o foco
na área de gestão rural. “O objetivo
é capacitar as mulheres para que possam participar
mais das decisões que envolvem a atividade na agricultura
e maior capacidade de argumentação com os
maridos. Com isso, todos ganham, e é justamente
a ideia central do projeto.”
O programa ainda está sendo desenvolvido em uma
forma piloto, explica o supervisor geral do Senar/RS Diego
Coimbra. “Aqui no estado a primeira turma contemplada
com o curso é do município de Tupanciretã.
Esta turma aqui de Santo Antônio é a segunda
que está tendo a oportunidade.”
No restante do Brasil, há outros cinco estados
que estão com os cursos em andamento.
A participação do Senar no programa, segundo
a analista de promoção social Daniela Wegner,
se dá como a ponte entre o instrutor e a coordenação
da entidade em Brasília. “Dispomos da instrutoria,
que oferecerá o apoio técnico às
participantes no andamento dos módulos”.
‘O sucesso das propriedades
é
resultado do trabalho em conjunto’
Conforme
o intrutor do curso Marcelino Colla, o curso é
dividido em cinco módulos, com duração
de um dia cada um, no intervalo de uma semana. Os assuntos
abordados, segundo o instrutor, envolvem conteúdos
técnicos e de desenvolvimento humano, habilitando
as mulheres rurais a empreenderem na atividade de gestão.
Os temas dos módulos são: empreendedorismo,
desenvolvendo competências para aplicação
no próprio negócio; financeira; liderança;
noções gerais de legislação
ambiental e trabalhista, e no último módulo
será elaborado um plano de negócio, para
ser implementado na propriedade de cada uma das participantes.
“Proporcionaremos várias atividades vivenciais
e dinâmicas que possibilitem independência
financeira, contribuindo para o aumento da renda familiar
com melhorias na eficiência de gestão. Acredito
no somatório das forças; o sucesso das propriedades
acontece quando se trabalha junto”, ressalta Colla.
‘Comunidade
tem histórico de
participação em cursos’
A
escolha da comunidade de Santo Antônio para ser
uma das pioneiras no programa se deu, entre outros motivos,
pela grande participação das agricultoras
em cursos oferecidos pelo Senar, em diversas áreas,
segundo Coimbra. “As agricultoras desta comunidade
são muito organizadas e procuram participar de
vários cursos durante o ano”, justifica.
De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Três
de Maio, Gilberto Marasca, a escolha de Três de
Maio para sediar a segunda turma do curso no estado se
deu, além do citado acima por Coimbra, pelo estreito
relacionamento que a entidade local mantém com
o Senar estadual e o sério trabalho que desenvolve.
“Somos um dos sindicatos que prestam contas de todos
os cursos que realizam, e todos são aprovados.
Isso é um fato que nos favorece. Outro ponto foi
de termos um instrutor do programa aqui da nossa cidade.
Aí coube ao sindicato escolher em qual comunidade
oferecer o curso.”