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À
GUISA DE COMENTÁRIO – VIAGEM – Do cão.
Por causa da distância: 2.400 quilômetros. 86 ou 87
horas em cima de um ônibus: ida e volta. Mas a vida do mortal,
às vezes, exige isso e até mais. A vida impõe
esse tipo de sacrifício, ainda mais quando, pela quarta vez,
se é guindado à condição de vovô.
As alegrias compensam qualquer sacrifício. Foi uma maratona
essa durante a minha suspensão temporária de atividades.
Mas tinha que ser assim. É preferível que seja assim
do que diferente e pior. O pequeno Ryan Marconi merece isso. De
tudo se podem tirar lições, sobretudo, de viagens.
Do contrário, as pessoas não viajariam. Não
haveria turistas. Da minha ida – pela segunda vez –
a Sorriso, no Mato Grosso, tirei boas lições e aprendizagens.
Posso garantir-lhes que lá como aqui existem problemas, as
pessoas se comportam praticamente do mesmo jeito e cobram providências
das autoridades, xingam o governo e se queixam, embora o padrão
econômico esteja em outro patamar. A falta de conformidade
faz parte da essência humana. No dia em que as estradas forem
pavimentadas de prata, o povo as quer de ouro. Então, ninguém
espere celebrar o dia em que todos estejam felizes e realizados.
ORÇAMENTO DE PESO – Justamente, nos
dias em que estive em Sorriso, a Câmara de Vereadores aprovou
o orçamento de 2009. A previsão orçamentária
era de R$ 96 milhões, mas a receita do ano passado alcançou
R$ 112 milhões, cerca de 15% a maior. Motivo para que um
vereador perorasse da tribuna: “Isso é crise?”
Logo percebem que a nossa realidade é diferente da realidade
de lá: a nossa arrecadação – a de Três
de Maio – foi a menor em torno de 15%. Mesmo assim, lá
também não há dinheiro para tudo, porque as
necessidades são outras. A previsão orçamentária
de 2010 é de R$ 122 milhões, mas pretendem os cofres
sorrisenses arrecadar R$ 130 milhões.
MOVIMENTO DESUSADO – Coincidiu a minha ida
àquela região do País com o início da
safra de soja. Lá em janeiro já se colhe soja, mas
a safra deve se prolongar ao longo dos meses de fevereiro e março.
Mas a quantidade da oleaginosa que se colhe naquelas paragens é
tanta que o trânsito fica literalmente congestionado. Havia
o perigo de perder-se parte da colheita por causa do excesso de
chuvas. Chove todo dia, quase. Quando faz um dia de sol, amigo,
o movimento redobra.
PREÇOS PRATICADOS – Se a produtividade
é alta – até 65 sacas por hectare –, os
preços do produto são aviltantes. A cotação
da soja estava em R$ 25 a saca, enquanto permanecia em Sorriso.
Enquanto isso, o milho da safrinha – que é plantado
na resteva da soja – estava sendo vendido a R$ 7,50 e R$ 8,00
a saca. Claro, que com esses preços só comercializa
o produto quem está com a corda no pescoço. A sorte
dos produtores do Mato Grosso é que não se perde safra.
ESTRADAS – Os produtores rurais de Sorriso
criticam o mau estado das estradas. Então, vem aquela história:
o município tem um orçamento cavalar, mas a administração
municipal não dá conta de arrumar as estradas, porque
a quilometragem de estradas de chão é elevada e, nesta
época do ano, chove quase todos os dias. Eu pessoalmente,
adentrei uma chácara – 60 hectares – onde o acesso
por estrada de chão era praticamente intransitável.
Nos dias em que me demorei em Sorriso o governo estadual andou distribuindo
máquinas para 141 municípios, das quais seis tiveram
o destino em Sorriso. Na verdade, muito dinheiro multiplica as exigências.
LEITURAS – Conservo o velho vício
– ou seria hábito? – da leitura, quando mais
folgado. Nesta STA em Sorriso, pude me refestelar com a leitura
de três obras: a Farsa – romance policial de autoria
de Christopher Reich; O Monge e o Executivo, de James Hunter e de
César Millan li O Amestrador de Cães. Cerca de 800
páginas. Agora, entendo até de cachorros e nem por
isso seria o Professor Sabe Tudo. A leitura é um deleite,
um lazer, para quem gosta. A par disso, houve as comilanças
preparadas por gaúchos radicados lá em cima que gostam
de agradar. Ainda não foi dessa vez que comemos jacaré.
SE OS SORRISENSES TORCEM? – Podem acreditar,
o saudosismo é uma coisa muito forte: quando você está
longe do seu torrão natal, a saudade bate forte – eu
já senti isso pessoalmente. Os sorrisenses gaúchos
torcem fanaticamente pelas equipes gaúchas: Inter e Grêmio.
Há torcedores de todo jeito. Só um exemplo: a minha
filha, que nunca demonstrou fanatismo por nenhum time, colocou no
quarto do nenê uma plaquinha: Aqui dorme um Colorado. É
a necessidade de extravasar a saudade.
PREÇO DA GASOLINA – De volta aos pagos,
leio a manchete: Brasil volta a importar gasolina após 40
anos. De onde? Da Venezuela. Não sei se seria para ajudar
a melhorar a péssima economia do camarada Hugo Chávez.
A Petrobrás alega que é em função de
problemas com o etanol. Seja como for, é uma anomalia. O
que gostaria de frisar, para finalizar meu relato de viagem, é
que em nenhum lugar ao longo dos 2.400 quilômetros vi preço
superior da gasolina ao praticado em Três de Maio. Pudera!
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