| Psicologia
Ambiental no Contexto Contemporâneo
Diante
de inúmeras catástrofes ambientais que vêm se
manifestando em diferentes regiões geográficas do
planeta nas últimas décadas, trazendo complicações
e sofrimento psíquico, além das alterações
sócio-econômicas, da ordem natural de adaptação
dos organismos ao ambiente, decidiu-se discutir e apresentar a área
da Psicologia Ambiental, no intuito de tornar pública uma
área de conhecimento relativamente recente, com poucos referenciais
teóricos e pesquisas. Wiesenfeld (2005) afirma que a “Psicologia
Ambiental é um campo de estudo que visa promover uma relação
harmônica entre o indivíduo e o ambiente”. Esta
é uma área de estudo e pesquisa pertencente à
Psicologia e que concebe a relação organismo humano-ambiente
como uma totalidade inseparável, que somente pode ser compreendida
acerca do contexto social, histórico, político e econômico,
além de estimular a consciência crítica dos
sujeitos a respeito das atitudes exercidas em relação
à natureza e o significado das consequências dessas
ações. Segundo Kruse (2005) “O ambiente está
sempre relacionado a um organismo que percebe e age e isto corresponde
à estrutura e ao estado de seu mundo interno”. O ambiente
é um conjunto de significados experienciados e sentidos por
indivíduos e grupos. Delimitando o tema ambiente, deve-se
considerar que o mundo contemporâneo constituiu-se em uma
fronteira urbana em crescente evolução, mascarando
os desejos e necessidades que incutem dinâmica à vida
social e psíquica e que não são os mesmos para
todos os sujeitos, ocasionando resultados negativos em nível
de qualidade de vida no ambiente urbano. Assim, esse ambiente torna-se
palco de conflitos e tensões negando ao diferente à
alteridade “tentando uniformizar o que é singular,
retirando do indivíduo sua autonomia transformando-se em
um espaço de relações humanas pouco democráticas
em sua essência” (TASSARA, 2005). A mesma autora comenta
que a Psicologia Ambiental deve contemplar a particularidade da
experiência humana no ambiente propiciando conhecimentos sobre
o processo de adaptação e inclusão do homem
no sistema mundial, e como esse sistema se “interioriza na
subjetividade deste homem”. Desvelar como a interiorização
das vivências das subjetividades se processa nas situações
em que são construídas as histórias, proporcionará
a desnaturalização do tema ambiental. Tais condições
permitiriam ao homem propagar um olhar crítico sobre seu
cotidiano, imprescindível para a almejada busca de transformação
do mesmo, mas isso somente será possível quando o
homem souber reconhecer em si o desejo de tornar diferente sua realidade
ambiental e suas circunstâncias de determinação.
Para atuar em todos esses contextos, o campo da Psicologia Ambiental
não utiliza uma abordagem metodológica única.
Por abordar problemáticas da realidade e do cotidiano das
populações, seja no meio urbano, seja no meio rural,
a interdisciplinaridade é imprescindível com áreas
como Arquitetura, Geografia, Engenharia Civil, Engenharia Florestal,
Biologia, Geologia, Sociologia, Antropologia e Psicologia Social.
Desta forma, a Psicologia Ambiental enfatiza as interlocuções
sujeito-ambiente em uma perspectiva holística, integral,
enfocando a dimensão sócio-cultural da relação
humano-ambiental, além de estabelecer vínculos interdisciplinares,
aplicando os conhecimentos obtidos para melhoria da qualidade ambiental
e, por conseguinte, da qualidade de vida dos sujeitos que habitam
os ambientes.
Daniara
Lorenzoni Salvador
Acadêmica de Psicologia
Universidade Paranaense, Campus Cascavel - PR |
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