| CÃES
DE RUA....
CADÊ
MEU DONO???
Resolvi
escrever hoje sobre os cães de rua, pois há alguns
anos, além de outros voluntariados, estou diretamente envolvida
com animais abandonados, os cães de rua, e diga-se de passagem,
todos, com certeza um dia, em algum momento, tiveram um dono e por
“n” motivos foram abandonados: fugiu de casa e não
retornou mais, foi largado pelo próprio dono em algum lugar
distante de seu lar, a família quer um cãozinho mais
novo (esse já ta muito velhinho...), ou os pais adquirem
o cãozinho para as crianças e não assumem a
responsabilidade por eles (crianças não limpam o canil,
o cocô, não dão banho e não levam ao
veterinário), o cachorro cresceu demais (ah era pra ele ficar
pequenininho...), entram no cio e procriam, enfim, são muitos
os motivos que levam as pessoas a descartar seus bichos como se
fossem “souvenirs”.
Os cães crescem, latem, podem viver até 15 anos, ficam
doentes, ficam velhos, mas não podemos repassar a nossa responsabilidade,
nos descuidarmos de nossas obrigações ou simplesmente
largá-los pelas ruas da cidade.
Eu e mais um grupo de pessoas, na medida do possível e de
nossa capacidade, recolhemos, castramos, vacinamos e encaminhamos
animais abandonados e maltratados a outras pessoas que queiram
cuidá-los, porque a verdade, é que nós acabamos
assumindo a responsabilidade daqueles que não o fizeram,
sempre com o apoio de nossos amigos médicos veterinários
Aline Campos Dias e Leandro Dahlen, que muito tem nos auxiliado
na lida com os bichanos.
As pessoas precisam ter mais conscientização: NÃO
TENHA ANIMAIS se não puder ter os cuidados básicos:
comida, água, abrigo e se sobrar uns minutinhos, um pouco
de atenção e carinho, mas por favor, NÃO RECOLHA,
NÃO ADOTE ANIMAIS, sejam eles cães, gatos, peixes,
aves, se não puder cuidá-los, pois isso também
requer tempo, como tudo na vida e igualmente precisamos ter disposição.
Muitas vezes, os carros param nas esquinas e largam os bichos de
anos de convívio à própria sorte, é
que eles serviram aos seus donos uma vida inteira, mas agora estão
velhinhos e são descartados para dar lugar a outro cão,
cheio de energia, e olha que são carrões do último
tipo !!! A última cadela que recebi estava prenha, tinha
sido esfaqueada na boca pelo dono e enxotada de casa, se abrigou
num terreno, entrou no cio e teve 6 filhotes. Consegui um lar para
cada um dos 6 e agora, a cachorra, devidamente castrada, aguarda
um lar, de preferência sem tapas e pontapés. Fazemos
um serviço de saúde pública para a sociedade,
tanto para os que gostam de bichos, bem como para os que preferem
que fiquem no zoológico, pois nesse caso, seriam mais 6 cachorros
soltos nas ruas da cidade.
Sou contra num primeiro momento, na colocação da
carrocinha, pois isentará ainda mais a responsabilidade dos
donos, teremos que ter um canil municipal, (que necessita de um
investimento inicial de R$ 300.000,00 ,dependendo da estrutura)
fora os custos mensais para a manutenção com comida,
funcionários e médico veterinário (e aí,
não é melhor a posse responsável, a castração,
evitando assim a proliferação?) Como em muitas cidades,
os canis tornam-se um depósito de animais, pois as pessoas
acabam largando os bichos na rua porque a “carrocinha”
vai recolher, e sinceramente acredito na prevenção,
na educação da população pela posse
consciente e responsável. Sei que é um trabalho de
“formiga”, lento, vagaroso, mas temos que acreditar
que um dia as pessoas irão repensar e ver que animais também
sofrem e sentem dor.
Pretendemos ainda realizar palestras em escolas, distribuição
de panfletos e estamos estudando um projeto para castrações
de animais para as pessoas de baixa renda.
E por último, em hipótese alguma, penso em considerar
melhor os animais do que as pessoas, (até porque o grupo
envolvido faz também a sua parte com humanos), sem comparações,
cada “macaco no seu galho”, mas um fato não exclui
o outro e como pregava São Francisco de Assis, protetor dos
animais, “ Todas as coisas da criação são
filhos do Pai e irmãos do homem… Deus quer que ajudemos
aos animais, se necessitam de ajuda. Toda criatura em desgraça
tem o mesmo direito a ser protegida.”
Ana
Cristina Dockhorn
Sócia-proprietária da Rádio Colonial AM
Três de Maio-RS |
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