Ano XX - EDIÇÃO 1089

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DO LEITOR

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CÃES DE RUA....
CADÊ MEU DONO???

Resolvi escrever hoje sobre os cães de rua, pois há alguns anos, além de outros voluntariados, estou diretamente envolvida com animais abandonados, os cães de rua, e diga-se de passagem, todos, com certeza um dia, em algum momento, tiveram um dono e por “n” motivos foram abandonados: fugiu de casa e não retornou mais, foi largado pelo próprio dono em algum lugar distante de seu lar, a família quer um cãozinho mais novo (esse já ta muito velhinho...), ou os pais adquirem o cãozinho para as crianças e não assumem a responsabilidade por eles (crianças não limpam o canil, o cocô, não dão banho e não levam ao veterinário), o cachorro cresceu demais (ah era pra ele ficar pequenininho...), entram no cio e procriam, enfim, são muitos os motivos que levam as pessoas a descartar seus bichos como se fossem “souvenirs”.
Os cães crescem, latem, podem viver até 15 anos, ficam doentes, ficam velhos, mas não podemos repassar a nossa responsabilidade, nos descuidarmos de nossas obrigações ou simplesmente largá-los pelas ruas da cidade.
Eu e mais um grupo de pessoas, na medida do possível e de nossa capacidade, recolhemos, castramos, vacinamos e encaminhamos animais abandonados e maltratados a outras pessoas que queiram cuidá-los, porque a verdade, é que nós acabamos assumindo a responsabilidade daqueles que não o fizeram, sempre com o apoio de nossos amigos médicos veterinários Aline Campos Dias e Leandro Dahlen, que muito tem nos auxiliado na lida com os bichanos.
As pessoas precisam ter mais conscientização: NÃO TENHA ANIMAIS se não puder ter os cuidados básicos: comida, água, abrigo e se sobrar uns minutinhos, um pouco de atenção e carinho, mas por favor, NÃO RECOLHA, NÃO ADOTE ANIMAIS, sejam eles cães, gatos, peixes, aves, se não puder cuidá-los, pois isso também requer tempo, como tudo na vida e igualmente precisamos ter disposição.
Muitas vezes, os carros param nas esquinas e largam os bichos de anos de convívio à própria sorte, é que eles serviram aos seus donos uma vida inteira, mas agora estão velhinhos e são descartados para dar lugar a outro cão, cheio de energia, e olha que são carrões do último tipo !!! A última cadela que recebi estava prenha, tinha sido esfaqueada na boca pelo dono e enxotada de casa, se abrigou num terreno, entrou no cio e teve 6 filhotes. Consegui um lar para cada um dos 6 e agora, a cachorra, devidamente castrada, aguarda um lar, de preferência sem tapas e pontapés. Fazemos um serviço de saúde pública para a sociedade, tanto para os que gostam de bichos, bem como para os que preferem que fiquem no zoológico, pois nesse caso, seriam mais 6 cachorros soltos nas ruas da cidade.
Sou contra num primeiro momento, na colocação da carrocinha, pois isentará ainda mais a responsabilidade dos donos, teremos que ter um canil municipal, (que necessita de um investimento inicial de R$ 300.000,00 ,dependendo da estrutura) fora os custos mensais para a manutenção com comida, funcionários e médico veterinário (e aí, não é melhor a posse responsável, a castração, evitando assim a proliferação?) Como em muitas cidades, os canis tornam-se um depósito de animais, pois as pessoas acabam largando os bichos na rua porque a “carrocinha” vai recolher, e sinceramente acredito na prevenção, na educação da população pela posse consciente e responsável. Sei que é um trabalho de “formiga”, lento, vagaroso, mas temos que acreditar que um dia as pessoas irão repensar e ver que animais também sofrem e sentem dor.
Pretendemos ainda realizar palestras em escolas, distribuição de panfletos e estamos estudando um projeto para castrações de animais para as pessoas de baixa renda.
E por último, em hipótese alguma, penso em considerar melhor os animais do que as pessoas, (até porque o grupo envolvido faz também a sua parte com humanos), sem comparações, cada “macaco no seu galho”, mas um fato não exclui o outro e como pregava São Francisco de Assis, protetor dos animais, “ Todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem… Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda. Toda criatura em desgraça tem o mesmo direito a ser protegida.”

Ana Cristina Dockhorn
Sócia-proprietária da Rádio Colonial AM
Três de Maio-RS

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