CHIMARRÃO,
SINAL DE HOSPITALIDADE!
Chegamos à casa
de alguém, ou alguém chega à nossa, de pronto,
após perguntarmos sobre o tempo, oferecemos o tradicional
e gostoso “chimarrão”.
Após o banho, sentar à sombra no verão, ou à beira
do fogão a lenha no inverno, tirar um dedo de prosa com
a patroa e com os filhos, faz com que recuperemos as energias e
esqueçamos qualquer dificuldade ou cansaço depois
de mais um dia de trabalho.
Nem briga, nem rancor, nem dificuldades financeiras, nem divergência
política, religiosa, nada é mais importante do que
uma roda de “mate”, pois quando se sorve a água
que chiou na chaleira, dentro do porongo, acompanhado da doce erva,
não devemos dar espaço a sentimentos que não
sejam os da boa vizinhança e do respeito ao nosso semelhante.
A boca na bomba e o olhar na espuma da cuia são parceiros
de um matear solito, ou pode servir de inspiração
para uma boa prosa.
Mesmo que as pessoas não se conheçam, se tornam amigos
depois de tomar um chimarrão, seja a hora que for.
Felizmente nunca vi ninguém discutir, falar palavras ríspidas,
e ao mesmo tempo dividir um chimarrão. Então, quando
tiver vontade ou necessidade de conversar com alguém, faça-o
com a mesma naturalidade com que mateia. Depois de qualquer atividade
vá cevar um chimarrão, mateie com os amigos, ou sozinho,
reflita sobre o que fez e o que fará, sempre tirando aprendizados
da melhor escola que existe, a vida.
Alguns problemas do dia a dia podem até se parecer com algum
tipo de chimarrão, amargo, quente, podem até tirar
lágrimas de nossos olhos, mas temos que tomá-lo até o
fim, em respeito àqueles que nos rodeiam.
Paulo
Roberto do Nascimento
(Capitão Nascimento)
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