Ano XX - EDIÇÃO 1074

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO – A QUALQUER PREÇO – Os rompantes do presidente da República dão a impressão de que ele está buscando a todo custo buscar a liderança na América Latina. Foi de todo infeliz na questão de Honduras, comprando a parada e abrindo as portas da embaixada do Brasil para o destronado presidente daquele país caribenho. O presidente comprou uma briga desnecessária, batendo boca, ofendendo, se mostrando intransigente, como se fora um Hugo Chávez, um Evo Morales. O gesto do presidente brasileiro foi ousado e poderia gerar derramamento de sangue. Deixe a OEA resolver estes impasses. Não cheguei a atinar por que justamente o Brasil ofereceu a sua embaixada para Honduras. Quais são os laços que ligam o Brasil a Honduras? Poderia outro país fazê-lo, como, por exemplo, Cuba, Venezuela, ou a Bolívia. Evidentemente, lá eles são brancos, que se entendam. O que adianta deblaterar e dizer que houve golpe, que os ocupantes do poder são golpistas e que não aceita ordens de golpistas. Não se sabe quais as intenções do ex-presidente. Talvez, tenha sido a de eternizar-se no poder, como vem acontecendo em várias republiquetas sul-americanas. Afinal de contas, por que ele quis impor um referendo? Acontece que os adversários políticos não foram na dele.
INTENÇÕES – Os críticos do governo Zelaya acreditam que o presidente deposto queria transformar Honduras em uma Venezuela de Hugo Chávez. Os brasileiros que moram em Honduras são hostilizados. O presidente deposto quis violar a Constituição do país. Adversários do presidente deposto dizem que Zelaya é manipulado por Hugo Chávez. Os gaúchos que moram em Honduras acham que Lula errou ao dar guarida a Zelaya na embaixada brasileira. O presidente brasileiro achou que faria um beija-flor e acabou fazendo um morcego.
OLIMPÍADAS 2016 – Logo após a escolha do Rio de Janeiro, em Copenhage, para sediar as Olimpíadas de 2016, Lula proclamou: “O Rio de Janeiro terá a mais extraordinária Olimpíada que o mundo já viu”. Menos. Menos. Por que tanta grandiloquência? Neste País, onde há tanta pobreza, tanta carestia de infraestrutura, tanta falta de emprego, tanta violência, tanta falta de saúde, temos que ser mais modestos. É muito rompante para meu gosto. E acho, também, que é muito sediar a Copa do Mundo, em 2014 e as Olimpíadas, em 2016. Isto que já realizamos, aqui, o Pan-Americano, que custou os olhos da cara. Nem há dinheiro a fundo perdido para obras, com vistas à Copa do Mundo. O BNDES quer fazer empréstimos a juros escorchantes, para dar andamento às obras necessárias para a realização da Copa. Pode?
MENOS MAL QUE LULA GARANTE QUE NÃO HAVERÁ CORRUPÇÃO EM OBRAS PARA 2016. Isso quer dizer que nas outras obras houve?
SIM, NÓS PODEMOS. Lula adotou o slogan do presidente Obama. Que tal! Parece haver muito oba-oba. A nossa realidade está aquém desse tipo de bravata.
SUCATEAMENTO – A falta de receita nas prefeituras e a dispensa de servidores ocupantes de cargos de confiança, dispensa de FGs, turno único, corte disso e daquilo cheira a sucateamento. Na maioria das prefeituras gaúchas, atualmente, ninguém diria “Yes, we can!”
O LADO POSITIVO – Como toda medalha tem dois lados, as conquistas da Copa do Mundo e das Olimpíadas não poderiam deixar de ter uma dupla efígie. O lado negativo já foi exposto às escancaras, mas existe o lado bom da coisa: o Brasil ganha visibilidade mundial; o Brasil com essas conquistas consolidou a liderança na América Latina. Se houver inteligência para tirar proveito, esta ascensão no conceito universal pode servir para nos projetar como país emergente por excelência.
UM CENTRO CÍVICO – Parece mentira. Um sonho que se torna realidade. Essa foi uma conquista na raça e no peito do Palácio Municipal. Três de Maio agradece. O Centro Cívico Cultural servirá toda população três-maiense: gregos e troianos. Essa a locomotiva trouxe do fundo do vale. A locomotiva três-maiense sobe rampa, desce rampa, mas sempre traz carga, quando para na estação Três de Maio. Assim vale a pena dar o título de Cidadão Três-Maiense para um benemérito que saiu do anonimato para ajudar uma terra com a qual não tem nenhuma ligação e nenhum compromisso. Os vereadores foram inteligentes e sensíveis nesta outorga do diploma.
FUNDOPEM – Escutei da boca do grande benemérito de Três de Maio, João Eduardo Quevedo Reymunde, esta frase: “Se não fosse o prefeito Casali, o Fundopem da Perdigão não seria aprovado, porque o projeto tinha problemas”. Por aí pode observar-se como é importante a arte de aproximação de um prefeito. Chegou na hora certa para debelar o incêndio o chefe do Poder Executivo. Se não estivesse esperto e célere, talvez, teria desandado a maionese.
INDIGNADO – Evidentemente, que estou irritado, porque fui ofendido, como foram ofendidos todos os servidores da administração municipal. Ser chamado de sem-vergonha em público dói, quando se tem cara de honesto. Um deputado federal, gaúcho por sinal, natural de Santa Cruz do Sul, onde foi prefeito, por muito menos, foi nacionalmente escorraçado, só porque disse “que se lixava para a opinião pública”. Tem que haver mais respeito mútuo e modos no tratamento e no bom uso do linguajar. Quem usa o microfone público precisa ter essa condição. Ainda existe, sim, gente honesta. Se me calasse, estaria consentindo. Quero e exijo reparação.

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