Ano XX - EDIÇÃO 1072

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DO LEITOR

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OUTRO GAÚCHO

Nascido aqui no Rio Grande
Vivendo sempre alerta
O gaúcho não se aperta
Não passa fome nem frio
É valente e corajoso
E nunca teme o perigo
Quando enxerga o inimigo
Nem sequer dá um arrepio
Gaudério de pago em pago
Carrancudo meio brabo
À s vezes toma um trago
Se o frasco não está vazio

Os utensílios de lida
Estão meio desusados
Tem o laço arrebentado
Que ao jogar fechando vinha
E a pistola de dois canos
Resolvia o desentendido
Já se gastou o ouvido
Pendurada na cozinha.
O facão de meia arroba
Tempo do aço barato
Abria picada no mato
Quando mato ainda tinha
Herança do bisavô
De um bom tempo que se foi
E meio couro de um boi
Precisava pra bainha

Lá no fundão da fazenda
Lembrando o tempo passado
Vai ficar sempre marcado
Onde o cuera nasceu
E no vai e vem da vida
Bateu a urucubaca
Cabou-se os cobre na guaiaca
E a tragédia aconteceu
Deu a peste nas galinha
A seca matou a planta
A miséria era tanta
Que a égua emagreceu.
O cusco para escorado
Há tempo não mais latiu
Da vaca o leite sumiu
E o bezerro já morreu
O que já era esperança
De juntar algum dinheiro
São os porco no chiqueiro
Que pra maior desespero
Só a cabeça cresceu.

A mulher muito sofrida
Nem parece mais aquela
Prenda tão linda, tão bela
Igual a flor da paineira.
Hoje parece tapera
O que era um feliz ninho
Ela nem sai do ranchinho
Feito de palha e madeira
A miséria continua
E o arrepio aumentando
Quando chove às vez em quando
Vira tudo uma lameira
Está quase conformada
Da vida que vai levando
E quando o rancho está molhando
Ela pede suplicando
HOMEM! fecha essas goteiras

“Oi gatê”, lida brasina
Mas o gaúcho é guapo
A bombacha é só um trapo
E a bota está furada
O chapéu perdeu a aba
E não tem mais barbicacho
É somente um índio macho
Pra topar esta parada
Lenço velho no pescoço
De tanto que se usou
Até a cor já mudou
Com a poeira que grudou
Levantando da estrada.

Os bocós da guaiaca
Que há tempo estão vazios
Espera-se que um dia
Ainda sua sorte brilhe
De encilhar um pingo
Seja uma vez ao ano
E sentir o minuano
Soprando pela coxilha
Neste torrão missioneiro
Continua viva a chama
Na terra que o xiru ama
Onde tocava a tropilha
A história do passado
Plantada no coração
Que pulsa com emoção
Ao reviver a tradição
Na Semana Farroupilha

Há dois tipos de gaúchos
Vivendo em todas as querências
Pois são grandes as diferenças
Mas de pouca importância.
Nas suas lidas campeiras
É de total união
Um gaúcho é o patrão
E o outro, peão na estância.
Sua maneira de trajar
Com o lenço no pescoço
Identifica o índio grosso
Que porta com elegância
Respeitando os da cidade
Mas não se importa com luxo
Aguenta qualquer repuxo
E gaúcho que é gaúcho
O é em qualquer circunstância.

Vílson Vidal Weiss, 60 anos

Durante a Semana Farroupilha os alunos do NEEJA desenvolveram algumas atividades comemorativas à data. Uma delas foi a apresentação da poesia OUTRO GAÚCHO, de autoria do aluno Vilson Vidal Weiss, que empolgou e cativou a todos.

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