Escolas de Manchinha e Caúna correm risco de fechar
As duas escolas, que atendem
82 estudantes estão
inseridas na história das comunidades. Diretoras
e comunidade argumentam que as crianças não
estão preparados para f
requentar as escolas da cidade
Até a primeira quinzena de outubro, a 17ª Coordenadoria
Regional de Educação (CRE) deverá ter
uma definição sobre a possibilidade do fechamento
das escolas estaduais de Ensino Fundamental Beno Meurer,
de Caúna, e Frederico Lenz, de Manchinha, comunidades
interioranas de Três de Maio. As duas escolas atendem
um total de 82 estudantes e fazem parte da história
do município. A Escola Beno Meurer foi a primeira
a ser fundada no interior do município, em 1920.
Já a escola de Manchinha tem 75 anos de história.
Segundo o coordenador adjunto da 17ª CRE, Marcus Cesar
Serafini Walczak, o assunto é complexo e deverá
ser debatido com os prefeitos nos próximos dias.
“O que temos até agora são apenas hipóteses”,
declara.
A notícia do possível fechamento das escolas
foi dada no início deste mês e um dos principais
motivos, segundo a Secretaria Estadual de Educação,
é o pequeno número de estudantes e as despesas
para a manutenção dessas instituições
de ensino.
A Escola Frederico Lenz atende 55 estudantes, de 1ª
a 8ª séries, e conta com um quadro de sete professoras,
além de uma diretora. Conforme a diretora, Dalva
Mirian Lenz de Souza, a escola e a comunidade se mobilizaram
e fizeram um abaixo-assinado coletando mais de 700 assinaturas
contra o encerramento das atividades. A comissão
também esteve reunida com o prefeito municipal, Olívio
José Casali, reivindicando apoio. Já os vereadores
cederam um espaço na sessão da última
segunda-feira para a direção da escola, em
apoio à manutenção da escola.
Para Dalva, o fechamento da escola é um retrocesso
na educação, além de provocar um impacto
psicológico nas crianças. Para a ela, é
muito difícil tirar as crianças do meio rural
e trazê-las para a cidade. “Somos uma escola
ativa, e além das crianças, envolvemos os
pais e a comunidade no nosso trabalho. A comunidade toda
forma uma família. Aqui o pedagógico é
direcionado para a nossa realidade, e respeitamos a vivência
dos alunos. A convivência do interior é diferente
da cidade, e essas crianças não estão
preparadas para isso”, ressalta.
Conforme Dalva, a Escola Frederico Lenz tem uma importância
muito grande no contexto da comunidade de Manchinha, e os
pais não abrem mão de manter a escola em atividade.
Já a diretora Marlene Helena Schreiber Fischer, da
Escola Beno Meurer, que atende 27 alunos nas séries
iniciais (1ª a 4ª séries) e possui duas
professoras, em consenso com a comunidade de Caúna,
argumenta que é muito difícil para os filhos
dos agricultores frequentarem as escolas na cidade ou longe
de suas casas. “A escola desempenha suas atividades
na formação desses alunos e mantém
as famílias vinculadas a sua comunidade”.
Para Marlene, a escola tem uma infraestrutura muito boa,
e, nos últimos anos, o número de crianças
praticamente não diminuiu. “Logo, não
se justifica o encerramento de suas atividades”, argumenta
a diretora.