Ano XX - EDIÇÃO 1071

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TRÊS DE MAIO

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Escolas de Manchinha e Caúna correm risco de fechar
As duas escolas, que atendem 82 estudantes estão
inseridas na história das comunidades. Diretoras e comunidade argumentam que as crianças não estão preparados para f
requentar as escolas da cidade

Até a primeira quinzena de outubro, a 17ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) deverá ter uma definição sobre a possibilidade do fechamento das escolas estaduais de Ensino Fundamental Beno Meurer, de Caúna, e Frederico Lenz, de Manchinha, comunidades interioranas de Três de Maio. As duas escolas atendem um total de 82 estudantes e fazem parte da história do município. A Escola Beno Meurer foi a primeira a ser fundada no interior do município, em 1920. Já a escola de Manchinha tem 75 anos de história.
Segundo o coordenador adjunto da 17ª CRE, Marcus Cesar Serafini Walczak, o assunto é complexo e deverá ser debatido com os prefeitos nos próximos dias. “O que temos até agora são apenas hipóteses”, declara.
A notícia do possível fechamento das escolas foi dada no início deste mês e um dos principais motivos, segundo a Secretaria Estadual de Educação, é o pequeno número de estudantes e as despesas para a manutenção dessas instituições de ensino.
A Escola Frederico Lenz atende 55 estudantes, de 1ª a 8ª séries, e conta com um quadro de sete professoras, além de uma diretora. Conforme a diretora, Dalva Mirian Lenz de Souza, a escola e a comunidade se mobilizaram e fizeram um abaixo-assinado coletando mais de 700 assinaturas contra o encerramento das atividades. A comissão também esteve reunida com o prefeito municipal, Olívio José Casali, reivindicando apoio. Já os vereadores cederam um espaço na sessão da última segunda-feira para a direção da escola, em apoio à manutenção da escola.
Para Dalva, o fechamento da escola é um retrocesso na educação, além de provocar um impacto psicológico nas crianças. Para a ela, é muito difícil tirar as crianças do meio rural e trazê-las para a cidade. “Somos uma escola ativa, e além das crianças, envolvemos os pais e a comunidade no nosso trabalho. A comunidade toda forma uma família. Aqui o pedagógico é direcionado para a nossa realidade, e respeitamos a vivência dos alunos. A convivência do interior é diferente da cidade, e essas crianças não estão preparadas para isso”, ressalta.
Conforme Dalva, a Escola Frederico Lenz tem uma importância muito grande no contexto da comunidade de Manchinha, e os pais não abrem mão de manter a escola em atividade.
Já a diretora Marlene Helena Schreiber Fischer, da Escola Beno Meurer, que atende 27 alunos nas séries iniciais (1ª a 4ª séries) e possui duas professoras, em consenso com a comunidade de Caúna, argumenta que é muito difícil para os filhos dos agricultores frequentarem as escolas na cidade ou longe de suas casas. “A escola desempenha suas atividades na formação desses alunos e mantém as famílias vinculadas a sua comunidade”.
Para Marlene, a escola tem uma infraestrutura muito boa, e, nos últimos anos, o número de crianças praticamente não diminuiu. “Logo, não se justifica o encerramento de suas atividades”, argumenta a diretora.


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