Na
sua opinião, qual é o maior preconceito com o portador
de necessidades especiais, principalmente com o deficiente mental?
“O
primeiro preconceito é com a aparência, já que
a maioria tem alguma diferença física. A sociedade
está habituada à convencionalidade; as empresas, ao
lucro; e as pessoas, à agilidade e ao atendimento rápido
e eficaz.
Depois vem o preconceito sobre a inteligência, sobre a real
capacidade, a confiança. Os grupos sociais estão à
mercê de uma sociedade que a cada dia busca uma perfeição
que não existe. O comportamento menorizado do portador é
a outra condição. O próprio portador precisa
acreditar em seu potencial, ter atitude e portar-se na mesma condição,
fazendo imperceptível a sua deficiência. Sabemos que
a deficiência física não se trata de nenhum
entrave para o desenvolvimento intelectual.
Cecília Smaneoto, consultora de Gestão de
Pessoas da Cotrimaio
“Observo
que, na maioria das vezes, as pessoas portadoras de alguma deficiência
são tratadas diferentemente das outras. Apesar de um discurso
que defende a inclusão, estas pessoas ainda sofrem preconceitos
que são manifestados no ambiente escolar, no trabalho e também
nas relações afetivas. Percebo que as maiores dificuldades
encontradas por elas estão relacionadas a oportunidades de
trabalho, acessos a estabelecimentos públicos e também
enfrentam dificuldades em relação à inclusão
em salas de aula regulares. O preconceito ainda é uma das
grandes questões que estão presentes em nossa sociedade
e, assim, impede que haja uma inclusão tanto social como
profissional do portador de deficiência.
Joice T. Sipp, psicóloga
“Sem
dúvida é uma alegria imensurável quando um
aluno nosso entra para o mercado de trabalho. Porém, existem
algumas barreiras que ainda emperram na sociedade. Quando um portador
de necessidades especiais entra para o mercado de trabalho, tem
que ser melhor que os outros para mostrar que também sabe
fazer, para provar que é capaz. Outro caso é quando
há concurso para pessoas com deficiência, onde se limita
apenas para o deficiente físico, o que torna uma barreira
para o portador de deficiência mental. Deveria haver uma inclusão
total, e não fragmentada, para pessoas que têm alguma
deficiência.
Liane Willers, 49 anos, professora da Apae
“O
maior preconceito é ver o portador de alguma deficiência
como uma pessoa incapaz, incapaz de trabalhar, de se relacionar
com amigos, namorar e constituir família. Com relação
às dificuldades, podemos citar a dificuldade de arrumar trabalho,
a barreira que há entre as pessoas, criando desta forma um
distanciamento das outras pessoas, a falta de acesso adequado para
os mesmos se deslocarem, seja com cadeira de rodas ou outro meio
de transporte. Na empresa onde trabalho, tenho a satisfação
de ter em nosso meio há mais de vinte anos um portador de
deficiência. Ele é uma pessoa dócil e alegre
e desempenha muito bem suas atividades.
Roberto Antônio Hermes, 42 anos, gerente de Recursos
Humanos
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