Ano XX - EDIÇÃO 1068

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO – AGOSTO, MÊS DO DESGOSTO – É velho o axioma que chama “agosto o mês do desgosto”. Todos os anos, quando agosto entra em cena se pergunta: o que vai acontecer de ruim? Temos, sem dúvida, alguns acontecimentos históricos ruins no mês de agosto. Neste agosto, não aconteceu nada assim de aziago. Algumas coisinhas: ronhas de todos os dias. Exceto, se alguém acha que foi tão mais ruim a saída da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva do PT, para candidatar-se à presidência da República pelo PV. Demais disso, foi alvissareiro o anúncio de que a crise mundial chegou ao fim. Agosto termina com otimismo e está ocorrendo a volta da confiança no mercado. E confiança em economia é tudo. Desse jeito, a velha crença de que agosto é o mês do desgosto vai para o espaço. Se se confirmar isso, tudo volta à normalidade e vamos ter um segundo semestre mais calmo, com a Gripe A regredindo. Salvo se outras estrepolias estejam reservadas, nos próximos meses. E nunca dá para descartar, porque o clima político tem conturbado a atmosfera cá nos pagos do Sul e na ilha da fantasia.
DINHEIRO PARA MUNICÍPIOS – A Câmara dos Deputados aprovou, no dia 18 de agosto, o texto básico da Medida Provisória 462, que foi editada para permitir socorro da União às prefeituras, para compensar as perdas com o Fundo de Participação dos Municípios/FPM, em consequência da crise financeira internacional, no montante de R$ 1 bilhão. No entanto, ainda não se conhece as datas da liberação dos recursos e nem se conhece os critérios que serão adotados para a distribuição da ajuda. Há informações no sentido de que nem todos os municípios serão contemplados.
MAIS ARROCHO – É o que devem esperar os prefeitos. Na sexta-feira passada, foi creditado nas contas dos municípios gaúchos o segundo decêndio (período de dez dias) do Fundo de Participação dos Municípios. O repasse foi 7,25% menor do que a estimativa da Secretaria do Tesouro Nacional. O FPM de agosto deve ser 14,1% menor em termos nominais e brutos. Assim sendo, a recuperação da economia brasileira ainda não se refletiu no bolo do FPM. Historicamente, devido à sazonalidade do FPM, os meses de julho e agosto são os que indicam o menor valor do ano. Aviso aos marinheiros: apertem os cintos.
NADA CAI DO CÉU: SEMPRE TEM QUE HAVER ALGUÉM QUE BUSCA O MANÁ.
QUEDA DE ARRECAÇÃO
– De acordo com o balanço divulgado pela Receita Federal, houve uma queda real de arrecadação, no mês de julho, de 9,38%, em relação ao mês de julho do ano passado. R$ 64,8 bilhões, em 2008; R$ 58,7 bilhões, em 2009. Isso, explicam, por causa da desoneração fiscal. As maiores perdas ocorreram no Imposto de Renda, IPI e Cofins.
DESEMPENHO GAÚCHO CAI – Em julho, o Rio Grande do Sul arrecadou 3,6% menos do que no mesmo mês do ano passado. O Rio Grande do Sul significa 5% do bolo arrecadatório da União. Nos pagos foram arrecadados para as burras federais R$ 2,7 bilhões, em julho. A arrecadação gaúcha não foi melhor, por causa das desonerações tributárias.
CHOPIM – É aquele pássaro preto (comedor de arroz), que põe seus ovos no ninho do tico-tico. O tico-tico choca os ovos e cuida dos filhotes do chopim e os cria. Todos aqueles que querem adonar-se do trabalho e do esforço dos outros – querem somar méritos com o suor alheio – são chopins.
CSS – NO LUGAR DA CPMF – Quase sempre o governo dá com uma mão e tira com a outra. Não é o que está acontecendo com a CPMF? Aliás, o tributo foi tirado da boca do governo com a mão dos parlamentares. Agora, para engordar os cofres da federação, está sendo criada a Contribuição Social para Saúde/CSS. Tudo isso está sendo acelerado, porque caiu a arrecadação. E o governo tem sede arrecadatória. Não basta que os contribuintes já têm que trabalhar mais do que quatro meses por ano para pagar impostos? O novo imposto prevê a arrecadação de R$ 12 bilhões em recursos para a saúde, ou seja, ela prevê uma contribuição de 0,1% das movimentações financeiras. O contribuinte mais uma vez tem que pôr a mão no bolso.
NA VERDADE, SE O POVO ESTIVESSE NADANDO EM DINHEIRO, NÃO HAVERIA NENHUMA RECLAMAÇÃO. O QUE FAZ A CHORADEIRA É A MÍNGUA.
APOSENTADOS E PENSIONISTAS MERECEM MELHOR ATENÇÃO
– Ninguém quer enriquecer com a aposentadoria ou a pensão, mas sobreviver honradamente.
ESTIAGEM – Com certeza, essa você não sabia: o Rio Grande do Sul é o segundo estado do País que mais sofre com as estiagens. Só a Paraíba nos ganha nesse item. Qual é que seria a causa de tanta seca aqui nos pagos? Talvez, a posição geográfica. Bem, a torcida dos produtores rurais é que, na presente safra, chova normalmente.

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