Pessoa
com necessidade especial repensando a inclusão social
Atualmente a palavra inclusão está sendo utilizada
como tema para diversas reflexões. Conforme o Aurélio,
pode ser entendida como “Ação ou efeito de incluir.
Estado de uma coisa incluída [...]”. No contexto social
atual, a referida palavra é lembrada e utilizada ao pensar,
problematizar sobre gênero, opção sexual, cor,
perpassando por categorias sociais selecionadas ou divididas pela
possibilidade ou não de reconhecimento social. Dentre tais,
têm-se as pessoas especiais, estudantes das Escolas de Educação
Especial, os quais lutam diariamente pelo seu reconhecimento neste
meio, tanto no aspecto micro e macrossocial quanto em âmbito
familiar.
O reconhecimento no espaço social das pessoas com necessidades
educacionais especiais pode ocorrer por meio do ingresso no mercado
formal de trabalho, pois neste a inclusão torna-se mais difícil
ainda, tendo em vista a lógica como se organiza o contexto
do mesmo: competitividade, agilidade, qualidade, precisão,
flexibilidade, etc, fatores estes que limitam muito o ingresso destes
sujeitos no referido espaço.
Por acreditarem que o trabalho para o ser humano tem um significado
não só de sobrevivência/subsistência,
mas de reconhecimento social, e por as pessoas serem reconhecidas
pelo que fazem, ou seja, por o trabalho reafirmar a sua identidade,
um dos principais argumentos utilizados pelos profissionais das
instituições como APAE’s é a construção
de alternativas para a viabilização do ingresso dos
seus estudantes no mercado de trabalho. Falas como “ele é
Down”, “o surdo”, “o cadeirante”,
“o gago” mostram-nos que a deficiência é
a característica marcante na identidade deste sujeito, mesmo
não sendo esse o desejo do estudante e de seus familiares.
Acredita-se, a partir de vivências com educadores e profissionais
de saúde, que são as escolas que estabelecem expectativas
para todos os estudantes e que lhes oferecem apoio para alcançá-las,
vislumbrando possibilidades, como o ingresso no mundo do trabalho
por meio de um processo ético, humanizado, vencendo todas
as etapas exigidas para tal, e não simplesmente tendo o acesso
permitido através de obrigação legal, do estigma
da deficiência e da sua identidade enquanto “O deficiente
trabalhador” ou “O trabalhador deficiente”.
Equipe
Interdisciplinar da APAE
de Três de Maio
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