Ano XX - EDIÇÃO 1068

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Pessoa com necessidade especial repensando a inclusão social

Atualmente a palavra inclusão está sendo utilizada como tema para diversas reflexões. Conforme o Aurélio, pode ser entendida como “Ação ou efeito de incluir. Estado de uma coisa incluída [...]”. No contexto social atual, a referida palavra é lembrada e utilizada ao pensar, problematizar sobre gênero, opção sexual, cor, perpassando por categorias sociais selecionadas ou divididas pela possibilidade ou não de reconhecimento social. Dentre tais, têm-se as pessoas especiais, estudantes das Escolas de Educação Especial, os quais lutam diariamente pelo seu reconhecimento neste meio, tanto no aspecto micro e macrossocial quanto em âmbito familiar.
O reconhecimento no espaço social das pessoas com necessidades educacionais especiais pode ocorrer por meio do ingresso no mercado formal de trabalho, pois neste a inclusão torna-se mais difícil ainda, tendo em vista a lógica como se organiza o contexto do mesmo: competitividade, agilidade, qualidade, precisão, flexibilidade, etc, fatores estes que limitam muito o ingresso destes sujeitos no referido espaço.
Por acreditarem que o trabalho para o ser humano tem um significado não só de sobrevivência/subsistência, mas de reconhecimento social, e por as pessoas serem reconhecidas pelo que fazem, ou seja, por o trabalho reafirmar a sua identidade, um dos principais argumentos utilizados pelos profissionais das instituições como APAE’s é a construção de alternativas para a viabilização do ingresso dos seus estudantes no mercado de trabalho. Falas como “ele é Down”, “o surdo”, “o cadeirante”, “o gago” mostram-nos que a deficiência é a característica marcante na identidade deste sujeito, mesmo não sendo esse o desejo do estudante e de seus familiares.
Acredita-se, a partir de vivências com educadores e profissionais de saúde, que são as escolas que estabelecem expectativas para todos os estudantes e que lhes oferecem apoio para alcançá-las, vislumbrando possibilidades, como o ingresso no mundo do trabalho por meio de um processo ético, humanizado, vencendo todas as etapas exigidas para tal, e não simplesmente tendo o acesso permitido através de obrigação legal, do estigma da deficiência e da sua identidade enquanto “O deficiente trabalhador” ou “O trabalhador deficiente”.

Equipe Interdisciplinar da APAE
de Três de Maio

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