Ano XX - EDIÇÃO 1067

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO - BOBALHÕES - Somos, pois. Enquanto aqui nos digladiamos por causa de ideologias espúrias e superadas, lá jogam alto no desenvolvimento. Será verdade ou será mentira? Pura verdade, por essas bandas sul-americanas somos bobalhões, babacas, acreditando em Hugo Chávez, em..., enquanto “os chineses crescem 11%, 12% e até 13% ao ano, desde 1979, e tiram 300 milhões de habitantes da pobreza, os sul-americanos continuam discutindo sobre ideologias superadas”. Mais números para assumir que somos bobalhões: em 1950, o Brasil tinha uma renda per capita mais elevada do que a da Coreia do Sul. E, hoje, a Coreia do Sul desponta entre as maiores potências econômicas da Ásia. Outra estatística: em 1950, um cidadão norte-americano era quatro vezes mais rico que um cidadão latino-americano. E, hoje, um cidadão dos Estados Unidos é 10, 15 e até 20 vezes mais rico. O que os cidadãos de outros quadrantes do mundo têm que os sul-americanos não têm? Cabeça. Enquanto muitos países nadam em dinheiro pelo mundo afora, emprego e riquezas, por aqui nos contentamos com migalhas. Aqui nós nos estraçalhamos em radicalismos. Somos ou não somos bobalhões?
AGRICULTURA VAI TER RECURSOS - O governo federal assegura que não vão faltar recursos para a safra 2009/2010. Os agricultores terão disponibilizados R$ 107,5 bilhões, através do Plano Safra. A agricultura comercial – voltada para a exportação – terá R$ 92,5 bilhões e a familiar, R$ 15 bilhões. O total previsto e anunciado pelo governo acrescenta 37% mais recursos ao crédito agrícola em relação ao Plano Agrícola e Pecuário da safra passada. O interessante é que os recursos anunciados estejam à disposição dos agricultores em tempo hábil.
BAIXA DO MILHO - Na próxima safra, a perspectiva é de que ocorra uma redução de 50% da área plantada de milho, em função do aviltamento dos preços. O arroz também poderá ter redução de área plantada, no Rio Grande do Sul, em função do baixo volume dos reservatórios para irrigação, na região arrozeira, sobretudo, da Fronteira Oeste. A cultura da soja vai estar em alta na próxima safra. Motivo: cotação boa, baixa dos custos dos insumos. O custo dos insumos caiu cerca de 30%.
FISCALIZAÇÃO OU PATRULHAMENTO - Fiscalizar é preciso. Patrulhar é perseguir. Fiscalizar é nobre. Patrulhar é nojento. Fiscalizar é buscar correção. Patrulhar é tentar pegar no contrapé. Muitas atitudes que estão no ar no dia-a-dia cheiram mais a patrulhamento do que à fiscalização.
MEIO AMBIENTE - São Paulo é o primeiro estado brasileiro que vai pagar por serviços ambientais. Quem diria! O governo paulista vai criar a figura dos protetores de água e do verde, que vão receber recursos para preservar o sistema ecológico. Finalmente, uma ideia didática: ao invés do castigo, a recompensa. Assim deveria ser, também, com os bons pagadores: ao invés de dar anistia aos maus pagadores, para quem é pontual no pagamento das suas contas e compromissos, deveria ter recompensa. Por que não?
IRRIGAÇÃO - Para os males, os remédios. Contra as consecutivas secas, o programa de irrigação. O Rio Grande do Sul saiu na frente. Já temos aqui uma Secretaria Estadual de Irrigação. A Câmara dos Deputados, através da Comissão Externa de Estiagem, sugere a criação do Fundo Nacional de Apoio à Irrigação/Funairga. A iniciativa partiu de um parlamentar gaúcho: Marco Maia, do PT. É impossível que a situação no Rio Grande do Sul não mude, se forem construídos milhares de açudes, microaçudes e barragens.
PERDAS - Em consequência das constantes estiagens, nos últimos 15 anos, na economia gaúcha, só nas culturas de soja e milho, foram perdidos 56 milhões. Quase quatro milhões, em média, por ano. Desse jeito, tem que nascer uma política permanente e preventiva, para prevenir as futuras estiagens. Está na cara que vai haver novas estiagens lá adiante.
EXPORTAÇÕES - A participação brasileira nas exportações mundiais passou de 1,1% entre 1980/1084 para 1,2%, em 2008. Enquanto isso, a Coreia do Sul passou de 1,2% para 2,7% e a China de 1,1% para 9,1%. As informações procedem do ex-ministro da Economia, Delfim Neto. Está aí a chiadeira dos empresários brasileiros e de outras nações por causa da concorrência chinesa.
RENDIMENTO - Enquanto os investidores estrangeiros na Bovespa tiveram ganhos de 5,6%, de janeiro até junho ao mês, as aplicações no Tesouro norte-americano rendem 0,8% ao ano. O Brasil é mesmo o paraíso dos especuladores.
ABSURDO - A legislação quer destinar 20% da área agricultável para preservação, o que os produtores rurais consideram um absurdo. E há também a exigência legal da exploração de 80% da área disponível, para que uma propriedade rural seja considerada produtiva. Os dois assuntos são polêmicos e estão sujeitos a mudanças.

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