Ano XX - EDIÇÃO 1064

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O cidadão
e o meio ambiente

A Semana do Meio Ambiente traz a reflexão do papel de cada cidadã e cidadão na preservação do planeta onde vivemos. O tema é vasto, como sabemos, mas de todos os aspectos envolvidos, o que mais chama atenção é a crescente necessidade de dotar as nossas cidades com sistemas de coleta e tratamento de esgotos sanitários para preservarmos o meio ambiente e garantirmos qualidade de vida e saúde para nossa população.
Dotar nossas comunidades com sistemas de esgotos sanitários é uma necessidade recente. Até a primeira metade do século passado, a crescente urbanização e a falta de sistemas públicos de abastecimento na maioria das nossas cidades obrigou as autoridades a realizarem pesados investimentos em água tratada. O resultado é que hoje, nas cidades atendidas pela Corsan, o índice de cobertura é superior a 98%.
Com água tratada e cidades cada vez maiores, nossos mananciais começaram a ficar comprometidos em quantidade e qualidade. O desperdício pelo uso irracional vem trazendo a exaustão dos recursos hídricos, mas a maior preocupação das nossas autoridades nos últimos anos é a busca de alternativas para a solução da questão dos esgotos sanitários.
Segundo recentes avaliações técnicas, serão necessários vários anos e investimentos estimados em R$ 14 bilhões para que cheguemos à universalização do atendimento com esgotos sanitários. Hoje, o índice de cobertura da Corsan, no que se refere a esgotos sanitários, é de 13%, o que é muito baixo, tratando-se de um estado com ótimos indicadores de qualidade da vida.
Consciente desse problema, o governo do estado e a Secretaria de Habitação, Saneamento e Desenvolvimento Urbano, através da Corsan, vão investir, na atual administração, recursos na ordem de R$ 600 milhões para elevar esse percentual para 30%, o que ainda não é satisfatório, mas demonstra o enorme esforço do governo Yeda Crusius em priorizar o esgotamento sanitário como meio de recuperar o meio ambiente.
Quando iniciamos este texto, afirmamos que todo cidadão deve refletir na forma como deve colaborar na preservação do meio ambiente. O governo do estado está fazendo a sua parte, investindo na implantação e expansão de sistemas de esgotos. Diferente da água tratada, a maioria dos cidadãos não percebe que esgotos sanitários é um serviço e, mais que isso, tem custos muito superiores àqueles praticados para levar água tratada às residências.
Por isso temos muitas redes ociosas e estações de tratamento de esgotos operando abaixo das suas capacidades, porque o cidadão não liga suas casas à rede coletora, sob pretexto de fugir de mais uma tarifa.
Enquanto nossa sociedade continuar a agir dessa maneira, achando que, por exemplo, ao dar descarga no vaso sanitário o cidadão estará se livrando de algo que alguém vai cuidar sem qualquer custo, seja o prefeito, a Corsan ou qualquer outro órgão público, nossos mananciais continuarão a ser agredidos com esgotos, mesmo que todas as nossas cidades tenham sistemas completos instalados.
Verificamos que o desafio é enorme, e não será vencido pela disposição deste governo ou dos próximos em investir em esgotos. É preciso que nossa sociedade esteja ciente do papel que tem a cumprir, porque nossos mananciais hídricos estão cada vez mais comprometidos e não podemos mais ter a ilusão que a solução desse problema não terá que ser dividido por toda a população.

Mário Rache Freitas
Diretor-presidente da Corsan

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