O
cidadão
e o meio ambiente
A Semana do Meio Ambiente traz a reflexão do papel de cada
cidadã e cidadão na preservação do planeta
onde vivemos. O tema é vasto, como sabemos, mas de todos
os aspectos envolvidos, o que mais chama atenção é
a crescente necessidade de dotar as nossas cidades com sistemas
de coleta e tratamento de esgotos sanitários para preservarmos
o meio ambiente e garantirmos qualidade de vida e saúde para
nossa população.
Dotar nossas comunidades com sistemas de esgotos sanitários
é uma necessidade recente. Até a primeira metade do
século passado, a crescente urbanização e a
falta de sistemas públicos de abastecimento na maioria das
nossas cidades obrigou as autoridades a realizarem pesados investimentos
em água tratada. O resultado é que hoje, nas cidades
atendidas pela Corsan, o índice de cobertura é superior
a 98%.
Com água tratada e cidades cada vez maiores, nossos mananciais
começaram a ficar comprometidos em quantidade e qualidade.
O desperdício pelo uso irracional vem trazendo a exaustão
dos recursos hídricos, mas a maior preocupação
das nossas autoridades nos últimos anos é a busca
de alternativas para a solução da questão dos
esgotos sanitários.
Segundo recentes avaliações técnicas, serão
necessários vários anos e investimentos estimados
em R$ 14 bilhões para que cheguemos à universalização
do atendimento com esgotos sanitários. Hoje, o índice
de cobertura da Corsan, no que se refere a esgotos sanitários,
é de 13%, o que é muito baixo, tratando-se de um estado
com ótimos indicadores de qualidade da vida.
Consciente desse problema, o governo do estado e a Secretaria de
Habitação, Saneamento e Desenvolvimento Urbano, através
da Corsan, vão investir, na atual administração,
recursos na ordem de R$ 600 milhões para elevar esse percentual
para 30%, o que ainda não é satisfatório, mas
demonstra o enorme esforço do governo Yeda Crusius em priorizar
o esgotamento sanitário como meio de recuperar o meio ambiente.
Quando iniciamos este texto, afirmamos que todo cidadão deve
refletir na forma como deve colaborar na preservação
do meio ambiente. O governo do estado está fazendo a sua
parte, investindo na implantação e expansão
de sistemas de esgotos. Diferente da água tratada, a maioria
dos cidadãos não percebe que esgotos sanitários
é um serviço e, mais que isso, tem custos muito superiores
àqueles praticados para levar água tratada às
residências.
Por isso temos muitas redes ociosas e estações de
tratamento de esgotos operando abaixo das suas capacidades, porque
o cidadão não liga suas casas à rede coletora,
sob pretexto de fugir de mais uma tarifa.
Enquanto nossa sociedade continuar a agir dessa maneira, achando
que, por exemplo, ao dar descarga no vaso sanitário o cidadão
estará se livrando de algo que alguém vai cuidar sem
qualquer custo, seja o prefeito, a Corsan ou qualquer outro órgão
público, nossos mananciais continuarão a ser agredidos
com esgotos, mesmo que todas as nossas cidades tenham sistemas completos
instalados.
Verificamos que o desafio é enorme, e não será
vencido pela disposição deste governo ou dos próximos
em investir em esgotos. É preciso que nossa sociedade esteja
ciente do papel que tem a cumprir, porque nossos mananciais hídricos
estão cada vez mais comprometidos e não podemos mais
ter a ilusão que a solução desse problema não
terá que ser dividido por toda a população.
Mário Rache Freitas
Diretor-presidente da Corsan
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