Como
agricultor, qual é
a maior dificuldade que
a classe enfrenta?
“Na
minha opinião, os preços são o principal entrave
na agricultura. Na questão do leite, o preço pago
atualmente ao produtor é uma vergonha, enquanto que nas prateleiras
dos supermercados, o preço dispara. O tempo também
é outro fator que, nos últimos anos, está fazendo
com que as colheitas fartas não ocorram.
Abílio Schrammel, 65 anos, agricultor de Caúna
Baixa – Três de Maio
“O
agricultor, hoje, não tem mais segurança em relação
ao seu futuro na lavoura devido aos baixos preços pagos por
aquilo que se produz. Quando é hora de recebermos por aquilo
que produzimos, o que temos é dívidas, já que
os custos com a produção são maiores que o
valor final.
Já os incentivos do governo, na maioria das vezes, não
beneficiam aqueles que realmente precisam, porque existe muita burocracia.
Nos últimos anos o clima também não ajudou
o homem do campo. É difícil termos uma safra boa,
e isso nos frustra.
Jorge Baú, 43 anos, agricultor de Progresso –
Três de Maio
“Para
mim, o principal fator que está ‘empatando’ a
sobrevivência do homem no campo é o tempo. As boas
safras, nos últimos anos, são atrapalhadas pelas alterações
no clima.
Entendo que o preço não é prioridade, pois
se o tempo colaborasse e a safra fosse cheia, o lucro seria satisfatório.
Milton Riffel, 51 anos, agricultor de Cinco
Barulhos – São José do Inhacorá
“O
maior problema que o agricultor enfrenta é a falta de incentivo,
por parte do governo, para que permaneça no campo. Em seguida,
vem a questão do preço pago pelos produtos.
E, além da soja, trigo e milho, outros produtos, como ovos,
derivados da cana-de-açúcar e do leite, não
têm venda permitida na cidade, poque existe muita burocracia,
o que torna inviável a venda. Por isso não adianta
falarem que o agricultor deve plantar abóboras e mandioca,
entre outros, porque isso não paga as contas no fim do mês.
E o dinheiro que o governo está destinando para os agricultores,
na minha opinião, deveria ser dado, e não emprestado.
Somos nós, trabalhadores do setor primário da economia,
que giramos grande parte dos lucros deste país.
Ser agricultor hoje está complicado. Se o governo não
tomar atitudes que visem à volta por cima dessa classe trabalhadora,
a situação irá piorar.
Zegrite Sampaio Drefs, 54 anos, agricultora
de São Roque – Independência
“Sem
dúvida, a maior dificuldade enfrentada é o preço
pago pelos produtos agrícolas. Hoje, por exemplo, o preço
da soja está uma vergonha.
Na hora em que o agricultor precisa pagar os financiamentos, o preço
baixa. E aí, como é que vai conseguir pagar as dívidas?
Outra questão que ultimamente vem desanimando o homem do
campo é o preço pago pelo leite. O lucro não
aparece, apenas o trabalho que essa atividade requer.
Célia Mella Telka, 52 anos, agricultora
de Rocinha – Três de Maio
Na
minha opinião, o governo deveria ajudar mais os pequenos
agricultores, que são os que mais precisam. Hoje, essa classe
não tem incentivo para permanecer na lavoura, porque o que
produzem não tem valor.
Na hora de plantar, os preços estão elevados, e quando
chega a hora de vender aquilo que se produziu, o lucro não
aparece, pois os
preços estão baixos.
Marta Maria Aleknovic, 81 anos, agricultora aposentada de
Rocinha – Três de Maio
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