
À
GUISA DE COMENTÁRIO – TEM E NÃO TEM
razão quem diz: o Rio Grande do Sul já era. É
verdade que nós perdemos aquela regalia de sermos o celeiro
do Brasil. Com o avanço da agropecuária para outros
estados, com clima melhor e fronteira agrícola bem mais ampla,
esta marca gaúcha foi para o espaço. Não podemos
competir, hoje, com Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Goiás,
enfim: as novas fronteiras agrícolas. Contudo, não
se deduza a partir disso que o Rio Grande já era. Nós
ainda somos os maiorais em vários segmentos: o maior produtor
de arroz ainda é o Rio Grande do Sul; somos os maiores produtores
de uva e vinho; somos o segundo maior produtor de trigo; a nossa
pecuária é a mais qualificada do País; lembremos
a suinocultura, a avicultura, segmentos em que estamos na ponta.
O Rio Grande do Sul precisa qualificar-se tecnologicamente, especializar-se
em determinados segmentos, enfim, diversificar-se. O leite, por
exemplo, poderá dar certo no chão gaúcho. A
alta produtividade em pequenas áreas é o apelo de
hoje para nossa realidade. Aqui mora um povo culto, politizado e
empreendedor, por isso não se pode pensar em cantar o De
Profundis para nossas plagas.
GINASIÃO – Com certeza, os desportistas
e os artistas, para não falar dos alunos e professores do
Cardeal Pacelli, contam os dias para ver de volta o ginasião,
aquele levantado em tempo recorde pela comunidade, em 1974, para
sediar o FEEC. Depois foi ampliado e melhorado, mas na fatídica
noite do dia 1º de novembro de 2007, um vendaval o jogou por
terra. De lá para cá, havia a expectativa de reerguê-lo.
Mas com que dinheiro? Eis que no glorioso 2009 o sonho pode ser
realizado, porque estão liberados recursos do governo do
Estado e a licitação para iniciar as obras está
autorizada. Parece que agora vai. Mas tudo isso não caiu
do céu. Por trás disso tem quem empurra o processo.
LOCOMOTIVA VAI FACEIRA – Claro que a locomotiva
corre faceira nos trilhos, bufando um pouco, mas apitando frenética,
quando chega na estação. O povo ovaciona, quando vem
carregada com gente alegre e traz carga positiva de fora. Quando
não carrega nem perspectivas, o povo odeia a locomotiva e
quer vê-la partir para longe.
VINHO É BOM – Tem muitos méritos
o secretário de Agricultura, Valdir Ortiz, nesta empreitada
de viabilizar o vinho colonial em Três de Maio e municípios
adjacentes. Fez reuniões. Organizou comitiva para visitar
as vinícolas na Serra gaúcha. Trouxe técnicos
de Brasília para fazer esclarecimentos sobre comercialização
e produção de vinhos coloniais. E a iniciativa teve
plena aceitação, porque 30 e até 40 produtores
participaram do movimento. É uma nova perspectiva que se
abre. “Agora, depende deles – dos produtores –
seguir na luta pela construção dessa empreitada. A
nossa parte está feita”, lembrou Ortiz. Vai dar certo,
sim.
ERRADO é falar mal da família da
gente e elogiar a família do vizinho. Em se lendo periódicos
da região, se observa isso sem lente de aumento.
ERRADO TAMBÉM É MISTURAR EDUCAÇÃO
COM POLÍTICA. DEIXEM A EDUCAÇÃO COM OS EDUCADORES
. A POLÍTICA PARA OS POLÍTICOS.
DINHEIRO PARA A REGIÃO: É elogiável
o que faz o secretário de Saúde, Osmar Terra, deputado
federal licenciado. Já liberou para a região mais
de R$ 20 milhões a fundo perdido. O alvo preferido, contudo,
é Santa Rosa, onde já injetou R$ 10 milhões.
Aqui, em Três de Maio, o secretário-parlamentar tem
as portas abertas. Aliás, no Palácio Municipal não
há tranca para nenhum partido. Um prefeito empreendedor tem
que ter atitudes inteligentes. Ao menos, a média do povo
pensa assim.
MARCHA DOS PREFEITOS – Foram três dias
de atividades, fazendo parte da XII Marcha dos Prefeitos a Brasília
em Defesa dos Municípios. Cerca de 400 prefeitos gaúchos
integraram a caravana do Rio Grande do Sul. Quase a totalidade.
Os prefeitos estão preocupados com a situação
dos municípios, porque houve, no primeiro semestre, uma queda
vertical da arrecadação, sobretudo, das duas principais
receitas: Fundo de Participação dos Municípios
e retorno do ICMS. Talvez, nada mude, mas reivindicar é preciso.
Nada funciona neste País sem pressão.
HÁ INDIGNAÇÃO – De muitas
pessoas que não aceitam os altos salários de senadores,
deputados, altos cargos da máquina administrativa e do Poder
Judiciário, visto que nosso salário mínimo
é uma merreca e a maioria dos trabalhadores é mal
paga. A indignação cresce, quando as pessoas se referem
aos salários de jogadores de futebol – os chamados
craques – e muitas vezes não jogam nada e recebem contratos
milionários. A pior reclamação é contra
os técnicos de futebol, que nem jogam e embolsam cifras milionárias.
O caso de um deles, que pediu R$ 600 mil por mês, mais luvas
de R$ 1 milhão, é o surrealismo da nossa economia.
Há modelos que cobram R$ 60 mil para dar uns passos na passarela.
Só ganha pouco quem trabalha de sol a sol.
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