Ano XX - EDIÇÃO 1062

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO – TEM E NÃO TEM razão quem diz: o Rio Grande do Sul já era. É verdade que nós perdemos aquela regalia de sermos o celeiro do Brasil. Com o avanço da agropecuária para outros estados, com clima melhor e fronteira agrícola bem mais ampla, esta marca gaúcha foi para o espaço. Não podemos competir, hoje, com Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Goiás, enfim: as novas fronteiras agrícolas. Contudo, não se deduza a partir disso que o Rio Grande já era. Nós ainda somos os maiorais em vários segmentos: o maior produtor de arroz ainda é o Rio Grande do Sul; somos os maiores produtores de uva e vinho; somos o segundo maior produtor de trigo; a nossa pecuária é a mais qualificada do País; lembremos a suinocultura, a avicultura, segmentos em que estamos na ponta. O Rio Grande do Sul precisa qualificar-se tecnologicamente, especializar-se em determinados segmentos, enfim, diversificar-se. O leite, por exemplo, poderá dar certo no chão gaúcho. A alta produtividade em pequenas áreas é o apelo de hoje para nossa realidade. Aqui mora um povo culto, politizado e empreendedor, por isso não se pode pensar em cantar o De Profundis para nossas plagas.
GINASIÃO – Com certeza, os desportistas e os artistas, para não falar dos alunos e professores do Cardeal Pacelli, contam os dias para ver de volta o ginasião, aquele levantado em tempo recorde pela comunidade, em 1974, para sediar o FEEC. Depois foi ampliado e melhorado, mas na fatídica noite do dia 1º de novembro de 2007, um vendaval o jogou por terra. De lá para cá, havia a expectativa de reerguê-lo. Mas com que dinheiro? Eis que no glorioso 2009 o sonho pode ser realizado, porque estão liberados recursos do governo do Estado e a licitação para iniciar as obras está autorizada. Parece que agora vai. Mas tudo isso não caiu do céu. Por trás disso tem quem empurra o processo.
LOCOMOTIVA VAI FACEIRA – Claro que a locomotiva corre faceira nos trilhos, bufando um pouco, mas apitando frenética, quando chega na estação. O povo ovaciona, quando vem carregada com gente alegre e traz carga positiva de fora. Quando não carrega nem perspectivas, o povo odeia a locomotiva e quer vê-la partir para longe.
VINHO É BOM – Tem muitos méritos o secretário de Agricultura, Valdir Ortiz, nesta empreitada de viabilizar o vinho colonial em Três de Maio e municípios adjacentes. Fez reuniões. Organizou comitiva para visitar as vinícolas na Serra gaúcha. Trouxe técnicos de Brasília para fazer esclarecimentos sobre comercialização e produção de vinhos coloniais. E a iniciativa teve plena aceitação, porque 30 e até 40 produtores participaram do movimento. É uma nova perspectiva que se abre. “Agora, depende deles – dos produtores – seguir na luta pela construção dessa empreitada. A nossa parte está feita”, lembrou Ortiz. Vai dar certo, sim.
ERRADO é falar mal da família da gente e elogiar a família do vizinho. Em se lendo periódicos da região, se observa isso sem lente de aumento.
ERRADO TAMBÉM É MISTURAR EDUCAÇÃO COM POLÍTICA. DEIXEM A EDUCAÇÃO COM OS EDUCADORES . A POLÍTICA PARA OS POLÍTICOS.
DINHEIRO PARA A REGIÃO:
É elogiável o que faz o secretário de Saúde, Osmar Terra, deputado federal licenciado. Já liberou para a região mais de R$ 20 milhões a fundo perdido. O alvo preferido, contudo, é Santa Rosa, onde já injetou R$ 10 milhões. Aqui, em Três de Maio, o secretário-parlamentar tem as portas abertas. Aliás, no Palácio Municipal não há tranca para nenhum partido. Um prefeito empreendedor tem que ter atitudes inteligentes. Ao menos, a média do povo pensa assim.
MARCHA DOS PREFEITOS – Foram três dias de atividades, fazendo parte da XII Marcha dos Prefeitos a Brasília em Defesa dos Municípios. Cerca de 400 prefeitos gaúchos integraram a caravana do Rio Grande do Sul. Quase a totalidade. Os prefeitos estão preocupados com a situação dos municípios, porque houve, no primeiro semestre, uma queda vertical da arrecadação, sobretudo, das duas principais receitas: Fundo de Participação dos Municípios e retorno do ICMS. Talvez, nada mude, mas reivindicar é preciso. Nada funciona neste País sem pressão.
HÁ INDIGNAÇÃO – De muitas pessoas que não aceitam os altos salários de senadores, deputados, altos cargos da máquina administrativa e do Poder Judiciário, visto que nosso salário mínimo é uma merreca e a maioria dos trabalhadores é mal paga. A indignação cresce, quando as pessoas se referem aos salários de jogadores de futebol – os chamados craques – e muitas vezes não jogam nada e recebem contratos milionários. A pior reclamação é contra os técnicos de futebol, que nem jogam e embolsam cifras milionárias. O caso de um deles, que pediu R$ 600 mil por mês, mais luvas de R$ 1 milhão, é o surrealismo da nossa economia. Há modelos que cobram R$ 60 mil para dar uns passos na passarela. Só ganha pouco quem trabalha de sol a sol.

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