Ano XX - EDIÇÃO 1059

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TRÊS DE MAIO

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Poder Público e vinicultores mobilizados para formação
de cooperativa

No sábado, dia 20, uma comitiva composta por membros da Secretaria de Agricultura de Três de Maio, produtores de vinho colonial do município e o secretário de Agricultura de Independência visitaram a cidade de Garibaldi, na Serra Gaúcha.
Segundo o secretário de Agricultura três-maiense, Valdir Ortiz, esta visita foi motivada após cerca de 15 produtores rurais de vinho caseiro do município serem multados e terem sua produção apreendida por fiscais do Departamento de Produção Vegetal da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento (Seappa).
Em Garibaldi, os três-maienses foram recebidos pelo secretário de Agricultura e Pecuária e proprietário de uma vinícola, o enólogo Jorge Luiz Mariane, quando receberam orientações para a regularização da atual situação em que se encontram na questão da fabricação de vinhos.
Conforme Ortiz, como Três de Maio tem na produção de vinhos caseiros uma alternativa de renda para as famílias de pequenas propriedades rurais, a intensão é dar cobertura às empresas familiares que desenvolvam atividades ligadas ao setor, buscando junto aos órgãos oficiais os procedimentos corretos para a legalização do produto. Ortiz revela que a intenção é formar uma cooperativa de pequenos produtores, para ter um encaminhamento mais ágil e com menores custos para os produtores do município. “É uma forma de regularizar nossos produtores de vinho. Mesmo que nossa região não seja de vinícolas, tem na atividade uma tradição”, ressalta.
Para tanto, na próxima quarta-feira, dia 1° de julho, haverá uma reunião aberta para todos os produtores de vinho de Três de Maio e Independência, quando será apresentado o que foi visto na viagem a Garibaldi, bem como os encaminhamentos necessários para buscar a organização em forma de cooperativa. “A partir da manifestação de interesse dos agricultores, iremos trazer órgãos capacitados para orientar os produtores na questão burocrática, como a Fetag, Ministério da Agricultura e o Sebrae”, conta Ortiz.


A legalização da atividade
através do cooperativismo

Para o agricultor Carlos Alberto Daniel, que produz vinhos artesanalmente junto com seu pai, José, e o irmão Paulo, a criação de uma cooperativa para legalização do produto é vista com bons olhos. “Acredito que se não for pelo meio cooperativista, não será possível a legalização, pois os custos são altos e os procedimentos burocráticos são muitos”, afirma.
A família Daniel produz, em média, 2.500 litros de vinho/ano, sendo que 70% da uva utilizada na produção é de origem caseira e o vinho produzido não é para a comercialização em mercados. “Apenas vendíamos para amigos e familiares, mas a maioria é para o próprio consumo”.
Porém, Daniel vê na questão da legalização um entrave: para estar de acordo com as normas, é preciso a adição de conservantes, e, conforme ele, é justamente por este motivo que fabricam o vinho caseiro. “Existem pessoas que não consomem vinho com conservante, e entendo que esta questão deverá ser revista”.


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