Poder Público e vinicultores mobilizados para formação
de cooperativa
No sábado, dia 20, uma comitiva composta por membros
da Secretaria de Agricultura de Três de Maio, produtores
de vinho colonial do município e o secretário
de Agricultura de Independência visitaram a cidade
de Garibaldi, na Serra Gaúcha.
Segundo o secretário de Agricultura três-maiense,
Valdir Ortiz, esta visita foi motivada após cerca
de 15 produtores rurais de vinho caseiro do município
serem multados e terem sua produção apreendida
por fiscais do Departamento de Produção Vegetal
da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento
(Seappa).
Em Garibaldi, os três-maienses foram recebidos pelo
secretário de Agricultura e Pecuária e proprietário
de uma vinícola, o enólogo Jorge Luiz Mariane,
quando receberam orientações para a regularização
da atual situação em que se encontram na questão
da fabricação de vinhos.
Conforme Ortiz, como Três de Maio tem na produção
de vinhos caseiros uma alternativa de renda para as famílias
de pequenas propriedades rurais, a intensão é
dar cobertura às empresas familiares que desenvolvam
atividades ligadas ao setor, buscando junto aos órgãos
oficiais os procedimentos corretos para a legalização
do produto. Ortiz revela que a intenção é
formar uma cooperativa de pequenos produtores, para ter
um encaminhamento mais ágil e com menores custos
para os produtores do município. “É
uma forma de regularizar nossos produtores de vinho. Mesmo
que nossa região não seja de vinícolas,
tem na atividade uma tradição”, ressalta.
Para tanto, na próxima quarta-feira, dia 1° de
julho, haverá uma reunião aberta para todos
os produtores de vinho de Três de Maio e Independência,
quando será apresentado o que foi visto na viagem
a Garibaldi, bem como os encaminhamentos necessários
para buscar a organização em forma de cooperativa.
“A partir da manifestação de interesse
dos agricultores, iremos trazer órgãos capacitados
para orientar os produtores na questão burocrática,
como a Fetag, Ministério da Agricultura e o Sebrae”,
conta Ortiz.
A legalização da
atividade
através do cooperativismo
Para
o agricultor Carlos Alberto Daniel, que produz vinhos artesanalmente
junto com seu pai, José, e o irmão Paulo,
a criação de uma cooperativa para legalização
do produto é vista com bons olhos. “Acredito
que se não for pelo meio cooperativista, não
será possível a legalização,
pois os custos são altos e os procedimentos burocráticos
são muitos”, afirma.
A família Daniel produz, em média, 2.500 litros
de vinho/ano, sendo que 70% da uva utilizada na produção
é de origem caseira e o vinho produzido não
é para a comercialização em mercados.
“Apenas vendíamos para amigos e familiares,
mas a maioria é para o próprio consumo”.
Porém, Daniel vê na questão da legalização
um entrave: para estar de acordo com as normas, é
preciso a adição de conservantes, e, conforme
ele, é justamente por este motivo que fabricam o
vinho caseiro. “Existem pessoas que não consomem
vinho com conservante, e entendo que esta questão
deverá ser revista”.