Ano XX - EDIÇÃO 1056

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO – ARMISTÍCIO – É um período de tréguas. Usa-se em tempo de guerra, quando são depostas as armas temporariamente, para se discutir a paz. É o que se estabeleceu entre o Executivo e o Legislativo, através de emissários, porque a beligerância não leva a nada, não leva a lugar algum. Sou o primeiro a respeitar o armistício. Se alguém romper o trato, o armistício não dura e volta o tiroteio. Escrevo de forma alegórica, para ser mais facilmente entendido. Quero dizer que sou de índole pacífica, via de regra. Não uso nem canivete, muito menos carneadeira. Nem falar em pontuda adaga. Não me defendo sequer com bodoque, muito menos com arma de fogo. Gosto da paz, de tranquilidade, de bandeira branca. Só não me atirem pedras.
MAIS DINHEIRO – O bochincho dos produtores rurais foi feio em vários pontos cardeais e rendeu mais dinheiro para os atingidos pela seca. Dobraram os valores anunciados inicialmente: R$ 40 milhões. Ainda não é muito para o volume dos estragos.
SOBREVIVENTES – Assis Brasil, há mais de 100 anos, dizia que o Rio Grande do Sul não tinha habitantes, mas sobreviventes do clima. Pura verdade. Agora, finalmente, se chegou à conclusão e se diz que a chuva por aqui é a exceção. A regra, a seca.
OPINIÕES – Estão rotulando casas e apartamentos de R$ 130 mil de populares. Há, no entanto, sábias opiniões que classificam casa popular aquela que custa, no máximo, R$ 50 mil, com prestação de até R$ 300,00. Fora disso, é imóvel para a classe média alta. Com a palavra, os especialistas.
“DEIXEM A GOVERNADORA TRABALHAR”. Do deputado Iradir Pietroski, do PTB. Muttatis, muttandis: deixem o homem trabalhar. O mínimo que se espera de um governante, em qualquer nível, é trabalho. Aliás, era o que em tempos idos exigiam para Lula, com o clássico “deixem o homem trabalhar”.
MENOS JUROS – Com a queda dos juros da taxa básica Selic, os cofres públicos federais pagaram 18% menos juros, no mês de abril. Isso indica que a taxa básica deveria ter sido muito menor durante estes últimos anos. O receio era de que haveria desabastecimento e alta da inflação. Agora, teme-se o contrário. É bom lembrar que os juros básicos estão, atualmente, em 10,25%. Podem baixar mais.
PREJUÍZOS DA ESTIAGEM – Os prejuízos agropecuários gaúchos causados pela seca no Rio Grande do Sul estão calculados em R$ 2,14 bilhões. Mas podem ser multiplicados por três, dado que o agronegócio tem participação no PIB de 40%. Assim sendo, os danos atingem R$ 6 bilhões. Isso balança a nossa economia.
CONSCIENTIZAÇÃO – Lenta, mas inexoravelmente, vem chegando a conscientização de que é preciso diversificar a nossa atividade primária. Começa-se a falar em bacia leiteira, fruticultura, como novas fontes de renda. Tudo em consequência dos fracassos das culturas tradicionais, por causa das repetidas estiagens, na região. Não se pode, contudo, pensar que produzir leite no sistema antigo seja uma solução. É preciso evoluir com tecnologia: pastagens, irrigação, melhoria genética. Produzir frutas a nível comercial, também, seria uma boa empreitada. Existem projetos prontos, mas faltam recursos. Alguma coisa nova tem que acontecer na região.
MINISTRO CONTRA – O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, se manifestou contra os produtores rurais. Chamou-os de “vigaristas”. O deputado gaúcho Luiz Carlos Heinze entrou em campo em defesa da classe primária e protocolou requerimento na Comissão de Agricultura, Pecuária e Abastecimento Rural da Câmara dos Deputados convocando o ministro do Meio Ambiente para esclarecer suas declarações contra a classe produtora. “Se Minc for à Câmara Federal, ouvirá poucas e boas”, disse Heinze. A balança comercial brasileira só é superavitária graças aos “vigaristas” apontados pelo ministro Carlos Minc.
QUIPROQUÓ – Deve haver algum quiproquó sério nessa questão: não é admissível que um ministro faça isso, porque somos o primeiro e o segundo maior exportador mundial de açúcar, soja, suco de laranja, café, tabaco, carne bovina e de frango.
DO PALÁCIO – Os primeiros resultados de uma administração positiva e progressista já pintam do alto do Paço Municipal. Temos um prefeito empreendedor, pegador, que não mede esforços para que Três de Maio tenha uma nova era. Os primeiros investimentos já estão sendo feitos: três micro-ônibus já adentraram o parque de máquinas e, na semana passada, chegou a sonhada retroescavadeira hidráulica e mais dois caminhões-caçamba, através do Programa Provias. Devem enriquecer o parque da municipalidade. Não pensem, todavia, que o prefeito esteja esquecendo o lado social. Ele também sabe abrir o coração para os necessitados.

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