Ano XX - EDIÇÃO 1055

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO – É PRECISO RESPEITAR – Para ser respeitado. Há pessoas que não respeitam e reclamam, quando não são respeitadas. Errado. Quem não é educado não pode querer que os outros – os interlocutores e escribas – sejam educados. Aí o mal-educado acha que os outros são trouxas. Que ele está engambelando os outros, os bem educados. Este filme eu estou vendo nos últimos tempos. Há pessoas aí que se esmeram nos bons modos, mas não são correspondidos: levam bordoada a torto e a direito. Se os meus distintos leitores ainda não perceberam isso, fiquem de olho escancarado e vejam. Fico com pena de quem trata bem, de quem faz todas as mesuras possíveis e leva canelada o tempo todo. Decididamente, com mal-educado o jeito é ser mal-educado e meio. Na política isso é feijão-com-arroz de cada dia. Não se respeita o adversário: é chute na canela direto. E é lá que deveriam estar as pessoas bem educadas, porque são eles os representantes do povo e deveriam dar o bom exemplo. Então, por favor, não estranhem, se vez por outra, vem chute de volta na canela.
NADA – A palavra NADA é que me chamou atenção. Um vereador queria que não se investisse NADA na recuperação do ginásio de esportes Cardeal Pacelli, no chão, desde 1º de novembro de 2007. É que foi mandado um projeto de lei para apreciação da Câmara de Vereadores em que o Município propôs uma contrapartida aos R$ 906,00 mil que o Estado vai investir, sendo 5% em forma de serviços e 5%, em valores monetários. O vereador entendeu que o prefeito deveria dar este dinheiro aos pobres. E o prefeito pode dar dinheiro a quem quer que seja? É, realmente, uma visão míope. Os vereadores que estivessem contra a destinação de uma contrapartida deveriam ter votado contra o projeto de lei. Agora, falar contra depois é arrepender-se de ter dado o sim no altar.
UM BILHÃO PARA OS MUNICÍPIOS – Mesmo depois da copiosa chuva, na primeira quinzena de maio, municípios continuam decretando situação de emergência. Enquanto isso, outros municípios fazem protestos, tardios embora, e são tomadas medidas de cortes de gastos. Até algumas medidas antipáticas. O governo federal, mais do que depressa, começa a liberar R$ 1 bilhão. Dinheiro esse para ajudar os municípios que estão recebendo menos recursos do Fundo de Participação dos Municípios/FPM, por conta da queda de arrecadação em tempo de crise econômica. Os municípios agradecem: cerca de 90% do dinheiro vai para municípios do interior, os restantes 10% vão para as capitais. Vão correr lágrimas de alegria.
VOLTA O TERCEIRO MANDATO – O Lula jurou que estava cansado, que queria ir para casa e instalar-se confortavelmente numa rede, depois de oito anos no comando da ilha da fantasia. Agora, novo zunzum de um possível terceiro mandato. As 171 assinaturas necessárias para o encaminhamento de uma Proposta de Emenda Constitucional já estariam na mão, visando a um referendo sobre a possibilidade de Luiz Inácio Lula da Silva concorrer a um terceiro mandato. Dá para entender, sim. A mãe do PAC, que era e é a candidata do presidente, não decolou. Foi anunciado um câncer. Esta notícia tem fundamento. A oposição entende que se lembraram tarde demais de aplicar o golpe, porque, até setembro, não daria tempo para mudar a Constituição.
MUDANÇA DA CULTURA – Foi o que escrevi aqui outro dia. Foi o que disse o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, durante um seminário sobre irrigação, em Brasília. O ministro disse que o Rio Grande do Sul e Santa Catarina precisam mudar a sua cultura em relação à seca. E é verdade. Do contrário, em cada cinco anos, vão sofrer em três, por causa da estiagem.
DÓLAR CAI/PIB SOBE – O dólar vem caindo dia a dia. Está próximo dos R$ 2,00. Só não entendo por que a equipe econômica está preocupada com a queda, se não se preocupava quando chegou a R$ 1,60. Para o ministro Mantega, a alta do dólar tem um lado positivo. Enquanto isso, o problema do ano é acertar o PIB referente a 2009. Ora se fala que será negativo. Logo mais, as perspectivas indicam que poderá ser de 1%. Lá adiante já se chuta em 3% e até 4%. Tomara que seja 4%, 5% ou mais o Produto Interno Bruto do ano. Quem ganha, neste caso, é a nossa economia.
AGRICULTORES ACHAM POUCO – Os produtores rurais acharam para lá de pouco a ajuda anunciada pelo governo federal de R$ 1.500,00 a título de subsídio para os prejuízos causados pela estiagem. Os R$ 20 milhões anunciados receberam severas críticas. Na verdade, os R$ 1.500,00, mesmo a juros baixos, pouco ou nada resolvem numa situação de emergência. Em muitos municípios da região, pinta o terror do desemprego, por causa da falta de circulante. Começou a chover, mas os danos da seca perduram.

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