Insistindo
no realismo
Dados referentes a melhoras na economia estadunidense têm
sido noticiados largamente, de forma que os índices alarmantes
do mês de fevereiro e março parecem agora ter ficado
no passado. Os pedidos de seguro-desemprego diminuíram, o
gasto das famílias aumentou juntamente com a venda de imóveis
e gastos empresariais, o índice Dow Jones subiu. Acredita-se,
de forma otimista, que isso seja um demonstrativo da recuperação
da economia, de que o pior tenha ficado para trás. Ou, há
necessidade de uma análise crítica em relação
aos números publicados.
A diminuição na retração da economia
americana vem ocorrendo de forma artificial, como fruto da injeção
de trilhões de dólares por parte do governo. O Federal
Reserve aumentou em 1,2 trilhão de dólares sua linha
de crédito em relação ao mesmo período
do ano passado, ao mesmo tempo que a Fannie Mae e a Freddie Mac
transformaram-se, após a estatização, nas maiores
fontes de financiamento imobiliário.1 Sabe-se que essa atitude
não difere da mesma tomada em 2001, quando os EUA passavam
por um período de retração da atividade econômica,
e o governo Bush implementou medidas para ampliação
da atividade econômica. Com a ampliação do crédito
e retração real da renda dos trabalhadores, houve
endividamento progressivo, culminando na crise. Na verdade, está-se
usando medidas para combater a crise semelhantes àquelas
que a causaram.
Esses dados, que, numa análise mais superficial, mostram-se
animadores, se comparados aos de outros países, indicam que,
no mercado financeiro mundial, os norte-americanos apresentam crescimento
inferior aos demais países. O índice Dow Jones cresceu
30%, ao passo que o índice Hang Seng de Hong Kong e o DAX
alemão, e mesmo a Ibovespa, elevaram-se em mais de 50%, em
termos de dólares americanos. Ainda, o índice do dólar
americano teve queda de 7% em relação a uma cesta
de seis importantes moedas, enquanto o real valorizou-se 14,3% no
mesmo período.2
Apesar da euforia mundial com os dados recentemente divulgados,
após breve análise, percebe-se que a situação
está longe de chegar à situação ideal,
ainda mais considerando-se que as reformas necessárias ao
sistema não estão sendo implementadas, e que simplesmente
está-se utilizando os mesmos mecanismos que num passado próximo
mostraram-se ineficazes na missão de prover um crescimento
sustentável ao longo prazo na economia mundial.
Bruno Colletto, Débora Cristina Petry, Karine
Daiane Zingler, Keli Daiane Berres.*
*
Acadêmicos do Curso de Economia da Unijuí, Campus Santa
Rosa, e bolsistas do grupo PET Economia.
1 Com base em Paul Krugman, Zero Hora de 10 de maio de 2009.
2 Com base em Peter Schiff, em
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=279
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