Ano XX - EDIÇÃO 1052

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ELETRIFICAÇÃO RURAL

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Usina Buricá I atende a 40%
da demanda dos associados
da cooperativa
Pequena Central Hidrelétrica completa, hoje, dia 8 de maio,
10 anos de geração de energia

No início da década de 90, as reuniões do sistema Fecoergs (Federação das Cooperativas de Energia, Telefonia e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul) tratavam de uma discussão que preocupava os dirigentes cooperativistas do segmento de eletrificação rural: a demanda por energia elétrica no campo.
Esse debate foi relevante para que as cooperativas que estavam na ponta do sistema elétrico gaúcho tomassem uma decisão. Assessorado pela empresa Rieschbiter Engenharia, o segmento foi alertado que era preciso capitalizar e implantar a geração própria de energia elétrica. Especialista em desenvolver projetos, assessoria técnica e gerenciamento na implantação de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), o engenheiro Karl Rieschbiter afirmava na época que a geração de energia seria a salvação das cooperativas de eletrificação rural.
Este foi o pontapé inicial para que as cooperativas começassem a vislumbrar a possibilidade de direcionar investimentos para a área de geração de energia e não apenas distribuição.
Dessa forma, a direção da cooperativa de eletrificação rural Certhil, com sede em Três de Maio, resolveu pôr o pé na estrada e ir ao encontro do associado. Quem relembra a história é o presidente da cooperativa, Kurt Grenzel. Ele conta que, na época, o quadro associativo aderiu e acreditou no projeto, e, inclusive, escolheu o local para a construção de uma usina.

Certhil: a pioneira
na geração própria de energia

No ano de 1992, a ideia de geração própria foi lançada ao quadro associativo e aprovada em assembleia geral. Em meados de 1994, as obras da construção de uma PCH foram iniciadas.
A data que marca o início da geração própria de energia da Certhil é 8 de maio de 1999, quando a Usina Hidrelétrica Buricá foi inaugurada. Localizada no município de Inhacorá, na localidade de Rincão dos Bandeira, no rio Buricá, a usina tem capacidade de geração é de 1,4 megawatt/h.
A Certhil foi a pioneira no estado em geração de energia própria, do sistema Fecoergs. Especialmente por ter partido do zero, em estudos e projetos de viabilidade e construção.

A participação decisiva do associado
A Usina Buricá I foi construída com 30% de recursos dos associados, 30% do Banco do Estado do Rio Grande do Sul e 40% de recursos próprios da cooperativa.
Segundo Grenzel, a falta de experiência e de conhecimento dentro do sistema Fecoergs para a geração de energia dificultou um pouco. “Corremos atrás de recursos. Não havia linhas de crédito para essa área. O nosso suporte foi a contribuição do associado, que confiou na cooperativa e viabilizou a obra”, declara.
O dirigente cooperativista diz isso porque mais da metade da obra havia sido construída sem recursos de bancos. Somente em agosto de 1998, o Banrisul acenou positivamente com 30% do valor da obra.
No total, foram investidos mais de R$ 2,5 milhões na usina.

Os benefícios
gerados pela Usina Buricá I

O sistema elétrico é interligado com o sistema nacional e, hoje, são 23 pequenas centrais hidrelétricas integrantes do sistema Fecoergs. “A prova de que é possível o cooperativismo unido fazer obras dessa envergadura”, opina o presidente.
A usina da Certhil gera em torno de 40,65% da energia consumida pelo associado. Das oito mil famílias associadas, cerca de três mil são beneficiadas diretamente, dos municípios de Independência, São Martinho, São José do Inhacorá, Alegria e uma parte de Três de Maio.
Conforme Grenzel, o financiamento com o Banrisul já foi quitado. Resta ainda a última prestação com o associado, que será paga em quilowatts de energia. “Na época, a cooperativa contava com seis mil associados. Se fôssemos contabilizar hoje os quilowatts pagos pelo associado para a Certhil, ultrapassariam R$ 2 milhões em energia”, informa.
Um dos maiores benefícios para o associado, além da qualidade na distribuição e geração de energia, é o preço do quilowatt, que se mantém estável. “Após o pagamento da dívida com o banco, durante quatro anos, não repassamos aumento na energia para o associado”, disse.

Novos projetos de geração de energia
Segundo Grenzel, a meta da cooperativa continua sendo a autossuficiência. “Pode até não ser cumprida até o ano 2012, como se propunha, mas será constantemente buscada”, ressalta.
Hoje, o projeto Usina Buricá II está tramitando na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). No inventário do rio Buricá, foram levantados novos pontos onde se tem condições de gerar até 40 megawatts. Existe a possibilidade de serem construídas até seis usinas no rio Buricá. Duas já estão instaladas, a da Certhil e a da Ceriluz, de Ijuí.
No projeto da nova usina, já foram investidos cerca de R$ 200 mil. A obra deverá ser construída na localidade de Rincão Feijó, no rio Buricá, em Independência, ficando um pouco abaixo da primeira PCH. A nova usina deverá gerar até 1,6 megawatt/h, fazendo com que a cooperativa atinja 80% da demanda atual.


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