Emancipar
para combater a vulnerabilidade social
Programa estruturante do governo
estadual, em parceria
com Prefeitura Municipal, contemplará 300 famílias
das vilas Lixinho, Cobrinha e Horta

Um dos maiores problemas das Vilas Lixinho, Cobrinha
e Horta é a falta de saneamento básico

Vilmo Gal, 39 anos, espera um dia ter rede de água
encanada e saneamento básico
Três histórias. Três situações
semelhantes. Três famílias carentes, que enfrentam
as mesmas dificuldades diárias na luta pela sobrevivência.
Vilmo Gal, 39 anos, é morador há dois anos
da Vila Lixinho. Papeleiro, vive com a esposa e os quatro
filhos, sonha um dia ter rede de água encanada e
saneamento básico. Com o esgoto correndo a céu
aberto, ele teme o risco de contrair doenças.
Janete Moreira da Silva, 28 anos, também papeleira,
convive há cerca de 15 anos com os mesmos problemas,
mas confessa ainda ter esperanças. Também
enfrenta a falta de energia elétrica e, quando chove,
o alagamento dentro de casa. Lamenta ver os filhos sempre
sujos de barro pela falta de calçamento nas ruas.
Elisabete Carvalho, 29 anos, é dona de casa. À
espera do nascimento do sexto filho, ela mora com o marido
e as outras cinco crianças há cerca de 10
anos no local. Seu sonho é ter a casa própria,
já que mora de aluguel em um casebre de dois cômodos,
mas sempre bem limpo. Não tem banheiro, somente uma
patente. Sofre por não poder dar melhores condições
de vida para os filhos.
As Vilas Lixinho, Cobrinha e Horta, localizadas na periferia
de Três de Maio, são idênticas, pois
compartilham dos mesmos problemas: falta estrutura básica
para sobreviver. O esgoto corre a céu aberto, faltam
redes de água e energia elétrica; para ter
acesso a água potável é preciso compartilhar
uma única torneira pública. Outro agravante
é que as residências foram construídas
em áreas alagadas, localizadas em uma Área
de Preservação Permanente (APP).
De porta em porta, a agente comunitária de Saúde
Alexandra Schneider da Rosa, que atua há mais de
três anos nessas comunidades, conhece bem a realidade
dessas famílias. Para ela, o fator mais agravante
é a situação de risco social dos moradores.
Devido à pobreza em que vivem, são discriminados
pela sociedade. Por falta de oportunidades, muitos acabam
tomando outros rumos na vida.
Para mudar essa realidade, a Prefeitura Municipal aderiu
ao programa estruturante Emancipar RS, criado pelo governo
do estado, que foi apresentado às lideranças
municipais na tarde do dia 16, na Câmara Municipal
de Vereadores.
O objetivo do Emancipar é promover o desenvolvimento
social e sustentável em comunidades cujas famílias
encontram-se em situação de vulnerabilidade
social. Em Três de Maio, serão beneficiadas
cerca de 300 famílias, moradoras nas vilas Cobrinha,
Lixinho e Horta. O programa iniciará efetivamente
dentro de 60 dias e terá prazo para ser desenvolvido
até 2010.
Segundo Cristiano Massuda Grenzel, diretor municipal da
Assistência Social e representante do município
no programa, o primeiro passo é fazer o levantamento
com um diagnóstico da realidade socioeconômica
e cultural dos bairros que serão beneficiados.
Para a seleção dessas comunidades, foram utilizados
indicadores como baixo Índice de Desenvolvimento
Humano (IDH), déficit habitacional e necessidade
de atendimento pelo programa Bolsa-Família. Outro
fator importante é que a Prefeitura está realizando
um projeto de legalização dessas áreas.
As prioridades do programa serão definidas em uma
audiência pública com as comunidades beneficiadas,
que também indicarão líderes comunitários
e as demandas. “São lugares bastante carentes,
e as necessidades são inúmeras. O Emancipar
é um programa de combate à pobreza que busca
criar condições para o cidadão se tornar
independente”, destaca Cristiano.
O programa promove ações em parceria com entidades
sociais e empresariais para atender às principais
necessidades dessas famílias. As demandas são
habitação popular, pavimentação
nas ruas, saneamento básico, saúde, cursos
de qualificação, geração de
emprego e renda; além de combater questões
relacionadas à prostituição, violência,
drogas, analfabetismo, desnutrição, desemprego
e pobreza.
Inicialmente, o governo do estado irá aplicar R$
113 mil. São parceiros, além do governo estadual
e Prefeitura Municipal, Senac, Sebrae, Caixa, agências
bancárias, Sine, Emater e outras entidades.
Para o grupo de professores e funcionários da Escola
Estadual Glória Veronese, o programa será
fundamental para melhorar as condições de
vida daquelas comunidades. A grande maioria da clientela
do educandário é formada por estudantes que
residem nesses bairros.