Papel e papelão: do lixo
para o reaproveitamento
Até a metade do século 20 o lixo não
era sinônimo de problema. A maior parte era formada
por materiais orgânicos, como restos de comida, frutas
e verduras, e tudo isso é transformado pela ação
da natureza. O lixo era em menor quantidade e facilmente
decomposto pelo próprio meio em nutrientes para o
solo.
Entretanto, com o passar dos anos, a população
aumentou, como também mudou o modo de vida desta
população.
Hoje, faz parte da vida cotidiana a compra de alimentos
e outros produtos embalados, prontos para o consumo. São
milhares de embalagens de comidas prontas, caixas longa
vida, garrafas pet, sacos plásticos, isopor, sacolas,
latas e outros. E o que é pior: são materiais
que a natureza leva anos para degradar e incorporar novamente
ao ciclo da vida.
Felizmente, grande parte desses materiais pode ser reaproveitada
ou reciclada, evitando o acúmulo de lixo no solo
das cidades e reduzindo o desperdício de recursos
naturais.
Um bom exemplo de reciclagem é a do papel branco,
cuja fabricação é uma das que mais
causa danos à natureza. Estima-se que para produzir
1 tonelada de papel são necessárias 2 a 3
toneladas de madeira, uma grande quantidade de água
e muita energia. Hoje, sabe-se que cerca de 40% do lixo
urbano é papel.
Por isso, a importância da reciclagem do papel, que
gera menos poluição da água (65%) e
do ar (26%) do que a fabricação a partir da
celulose virgem.
O Brasil é referência mundial quando o assunto
é reciclagem de latas de alumínio, com 78%
de reciclagem do que é produzido, segundo o Portal
Ambiente Brasil, sendo superado neste aspecto somente pelo
Japão. Já a reciclagem de papel no país
não ultrapassa 30% do que é produzido.
As estatísticas mostram que, a cada 50 quilos de
papel reciclado, poupa-se o corte de uma árvore de
eucalipto de seis anos de idade e economiza-se 70% da energia
gasta na produção que utiliza matéria-prima
virgem.
Os produtos resultantes da reciclagem abrangem uma infinidade
de usos, desde caixas de papelão, sacolas, embalagens
para ovos, bandejas para frutas, papel higiênico,
cadernos e livros, material de escritório e envelopes
até papel para impressão.
Atualmente, o Brasil é o oitavo país no ranking
mundial de reciclagem de papéis, com uma taxa de
46,9% de aproveitamento – segundo dados da Associação
Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).
A aposta dos especialistas é que, em 2010, aproximadamente
metade das fibras utilizadas no mundo para fabricação
de papel será oriunda de material reciclado. A Alemanha
lidera a reciclagem, com 75%, e o Japão está
em segundo lugar, com 73%.
O Brasil consome em torno de oito milhões de toneladas
de papéis por ano, ou uma média de 41 kg de
papel por habitante por ano. Disto, 45%, ou seja, um pouco
menos de 4 milhões de toneladas, é de papel
reciclado, segundo dados da Bracelpa. Ainda, o país
é o sexto maior produtor de celulose do mundo e o
décimo-segundo produtor de papel.
Reciclar papel e papelão não só ajuda
a reduzir o volume de lixo como evita a derrubada de árvores.
De todo o papel reciclado no país, 80% é destinado
à confecção de embalagens, 18% para
papéis sanitários e apenas 2% para impressão.
Asmar
recolhe cerca de 45 mil kg por mês de material reciclável
Mesmo
com todo o debate em torno da reciclagem do lixo, em Três
de Maio, a maioria dos estabelecimentos comerciais, instituições
de ensino e comunidade em geral não promove ações
específicas de reciclagem de papel. Porém
doa ou vende o papel e o papelão para os sócios
da Associação dos Selecionadores de Material
Reciclável de Três de Maio (Asmar).
Os selecionadores de material reciclável, identificados
com uniformes, fazem o recolhimento dos resíduos
de papel, jornal, revista, folhas impressas e embalagens
de papelão nas ruas da cidade. O que para muitos
é somente lixo para os associados da Asmar é
oportunidade de emprego e renda.
A associação, que conta hoje com cerca de
70 sócios – 40 deles atuantes –, recolhe
aproximadamente 45 mil kg por mês de material reciclável,
que é separado, prensado, enfardado e comercializado
para uma empresa de Santa Catarina. Hoje, o quilo do papel
misto é comercializado a R$ 0,14; o papelão,
a R$ 0,30; o papel branco, a R$ 0,40; as garrafas pet, a
R$ 0,60; a R$ 0,80, o plástico cristal e a R$ 0,40,
o plástico duro.
Além dos sócios da Asmar, estima-se que em
Três de Maio existam cerca de 100 famílias
de selecionadores de material reciclável que trabalham
por conta própria.
Estudantes
realizam reciclagem artesanal de papel
Um
bom exemplo de reaproveitamento de resíduos de papel
vem da Sociedade Educacional Três de Maio (Setrem).
Há um ano, a professora Lílian Stoll desenvolveu
um projeto sobre a reciclagem artesanal de papel, com estudantes
do 1º ano do Ensino Médio.
Segundo a professora, o interesse no projeto partiu dos
próprios estudantes, que queriam dar um destino para
os resíduos de papel que não fosse o lixo.
A partir de pesquisas e estudos, os estudantes fizeram o
processo artesanal de reciclagem utilizando papel, cola
e água e batendo tudo no liquidificador. Após
todas as etapas, as folhas recicladas foram prensandas.
E depois de pronto, o papel reciclado foi utilizado como
capa de caderno e de agenda, enfeite, caixa para presentes,
e até abóbada de abajur.
Atualmente, o projeto não é mais desenvolvido.
A meta maior da escola neste ano, relacionada à questão
ambiental, é orientar sobre a correta separação
do lixo. “Sabemos que muitas pessoas ainda não
separam o lixo seco do orgânico. E isto é um
problema”, comenta a professora. Por isso, a Setrem
está capacitando alunos bolsistas que estão
mapeando a cidade e, dentro de alguns dias, vão “bater
de porta em porta” orientando a comunidade três-maiense
sobre a importância da separação do
lixo orgânico do lixo seco.
Lílian avalia que, assim que for de interesse dos
estudantes, a escola poderá voltar a desenvolver
a reciclagem artesanal de papel. “Temos toda a estrutura
para fazer este trabalho, que foi um agregador e extremamente
motivador. Cumpriu com o seu objetivo de despertar os estudantes
para a consciência ambiental”.
A professora de Geografia adverte para a importância
do uso correto de papel. “Toda vez que utilizamos
papel, devemos ter um cuidado muito grande e saber qual
a sua utilidade. Devemos orientar as crianças para
que não rasgem papel e folhas de caderno sem necessidade.
Devemos pensar no dano ambiental que isso causa”,
justifica.
Programa
Ambiental Cotrimaio contempla 40 ações de
preservação da natureza
A
partir desta segunda-feira, cooperativa
desenvolve série de encontros que visam à
capacitação do quadro associativo, composto
por cerca de 14 mil produtores rurais
“De
um lado, temos a mídia incentivando cada vez mais
o consumo e de outro, a questão ambiental. É
um paradoxo. E parece utópico achar que vamos ter
um consumo crescente sem estar de certa forma prejudicando
o meio ambiente. O desafio é estabelecer um desenvolvimento
sustentável”. Esta é a avaliação
de Benísio Rodrigues, assessor de Marketing da Cotrimaio,
diante de toda essa problemática ambiental.
Sobre a separação do lixo, mais especificamente
o papel, a cooperativa tem uma parceria com os selecionadores
da Associação dos Selecionadores de Material
Reciclável de Três de Maio (Asmar), que recolhem
quinzenalmente os resíduos de papel do Centro de
Abastecimento da Cotrimaio (CAC). No local, chegam todos
os produtos de consumo interno da cooperativa e que são
destinados para as lojas e supermercados. No supermercado,
o recolhimento é diário e na área administrativa
ocorre semanalmente.
Segundo o assessor, a Cotrimaio formalizou no ano passado,
um conjunto de ações e criou a Agenda 21 Cotrimaio,
também chamada de Programa Ambiental.
Com a participação de 100% do quadro de colaboradores
– cerca de 800 pessoas –, foram determinadas
40 ações prioritárias em relação
à preservação do meio ambiente, subdivididas
em nove eixos, ou seja, nove assuntos relacionados: educação
ambiental, resíduos sólidos, embalagens, consumo
de energia, consumo de água, emissão de pó,
florestas, uso de agroquímicos e produção
agroecológica.
A partir de segunda-feira, dia 9, o Programa Ambiental Cotrimaio
será ampliado para o quadro social da cooperativa
em 20 encontros, contemplando as filiais, em todos os municípios
da área de ação, das microrregiões
de Três de Maio, Cruz Alta e Palmeira das Missões.
“O compromisso da cooperativa com o meio ambiente
vai além das estruturas físicas da Cotrimaio.
Estamos comprometidos a levar o programa ambiental para
discussão e aprendizado do quadro social e das comunidades”,
alega.
Conforme Benísio, a Cotrimaio está imbuída
em desempenhar o seu papel, e esta é uma preocupação
presente nos 40 anos da cooperativa. “Queremos comemorar
o cinqüentenário da cooperativa avaliando o
Programa Ambiental Cotrimaio como um programa de sucesso,
com todas as ações efetivamente desenvolvidas,
implementadas e ampliadas, e vivenciando uma nova cultura
acerca da preservação ambiental”, justifica.