Ano XVIII - EDIÇÃO 1005

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RECICLAGEM

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Papel e papelão: do lixo
para o reaproveitamento

Até a metade do século 20 o lixo não era sinônimo de problema. A maior parte era formada por materiais orgânicos, como restos de comida, frutas e verduras, e tudo isso é transformado pela ação da natureza. O lixo era em menor quantidade e facilmente decomposto pelo próprio meio em nutrientes para o solo.
Entretanto, com o passar dos anos, a população aumentou, como também mudou o modo de vida desta população.
Hoje, faz parte da vida cotidiana a compra de alimentos e outros produtos embalados, prontos para o consumo. São milhares de embalagens de comidas prontas, caixas longa vida, garrafas pet, sacos plásticos, isopor, sacolas, latas e outros. E o que é pior: são materiais que a natureza leva anos para degradar e incorporar novamente ao ciclo da vida.
Felizmente, grande parte desses materiais pode ser reaproveitada ou reciclada, evitando o acúmulo de lixo no solo das cidades e reduzindo o desperdício de recursos naturais.
Um bom exemplo de reciclagem é a do papel branco, cuja fabricação é uma das que mais causa danos à natureza. Estima-se que para produzir 1 tonelada de papel são necessárias 2 a 3 toneladas de madeira, uma grande quantidade de água e muita energia. Hoje, sabe-se que cerca de 40% do lixo urbano é papel.
Por isso, a importância da reciclagem do papel, que gera menos poluição da água (65%) e do ar (26%) do que a fabricação a partir da celulose virgem.
O Brasil é referência mundial quando o assunto é reciclagem de latas de alumínio, com 78% de reciclagem do que é produzido, segundo o Portal Ambiente Brasil, sendo superado neste aspecto somente pelo Japão. Já a reciclagem de papel no país não ultrapassa 30% do que é produzido.
As estatísticas mostram que, a cada 50 quilos de papel reciclado, poupa-se o corte de uma árvore de eucalipto de seis anos de idade e economiza-se 70% da energia gasta na produção que utiliza matéria-prima virgem.
Os produtos resultantes da reciclagem abrangem uma infinidade de usos, desde caixas de papelão, sacolas, embalagens para ovos, bandejas para frutas, papel higiênico, cadernos e livros, material de escritório e envelopes até papel para impressão.
Atualmente, o Brasil é o oitavo país no ranking mundial de reciclagem de papéis, com uma taxa de 46,9% de aproveitamento – segundo dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).
A aposta dos especialistas é que, em 2010, aproximadamente metade das fibras utilizadas no mundo para fabricação de papel será oriunda de material reciclado. A Alemanha lidera a reciclagem, com 75%, e o Japão está em segundo lugar, com 73%.
O Brasil consome em torno de oito milhões de toneladas de papéis por ano, ou uma média de 41 kg de papel por habitante por ano. Disto, 45%, ou seja, um pouco menos de 4 milhões de toneladas, é de papel reciclado, segundo dados da Bracelpa. Ainda, o país é o sexto maior produtor de celulose do mundo e o décimo-segundo produtor de papel.
Reciclar papel e papelão não só ajuda a reduzir o volume de lixo como evita a derrubada de árvores. De todo o papel reciclado no país, 80% é destinado à confecção de embalagens, 18% para papéis sanitários e apenas 2% para impressão.

Asmar recolhe cerca de 45 mil kg por mês de material reciclável

Mesmo com todo o debate em torno da reciclagem do lixo, em Três de Maio, a maioria dos estabelecimentos comerciais, instituições de ensino e comunidade em geral não promove ações específicas de reciclagem de papel. Porém doa ou vende o papel e o papelão para os sócios da Associação dos Selecionadores de Material Reciclável de Três de Maio (Asmar).
Os selecionadores de material reciclável, identificados com uniformes, fazem o recolhimento dos resíduos de papel, jornal, revista, folhas impressas e embalagens de papelão nas ruas da cidade. O que para muitos é somente lixo para os associados da Asmar é oportunidade de emprego e renda.
A associação, que conta hoje com cerca de 70 sócios – 40 deles atuantes –, recolhe aproximadamente 45 mil kg por mês de material reciclável, que é separado, prensado, enfardado e comercializado para uma empresa de Santa Catarina. Hoje, o quilo do papel misto é comercializado a R$ 0,14; o papelão, a R$ 0,30; o papel branco, a R$ 0,40; as garrafas pet, a R$ 0,60; a R$ 0,80, o plástico cristal e a R$ 0,40, o plástico duro.
Além dos sócios da Asmar, estima-se que em Três de Maio existam cerca de 100 famílias de selecionadores de material reciclável que trabalham por conta própria.

Estudantes realizam reciclagem artesanal de papel

Um bom exemplo de reaproveitamento de resíduos de papel vem da Sociedade Educacional Três de Maio (Setrem). Há um ano, a professora Lílian Stoll desenvolveu um projeto sobre a reciclagem artesanal de papel, com estudantes do 1º ano do Ensino Médio.
Segundo a professora, o interesse no projeto partiu dos próprios estudantes, que queriam dar um destino para os resíduos de papel que não fosse o lixo.
A partir de pesquisas e estudos, os estudantes fizeram o processo artesanal de reciclagem utilizando papel, cola e água e batendo tudo no liquidificador. Após todas as etapas, as folhas recicladas foram prensandas. E depois de pronto, o papel reciclado foi utilizado como capa de caderno e de agenda, enfeite, caixa para presentes, e até abóbada de abajur.
Atualmente, o projeto não é mais desenvolvido. A meta maior da escola neste ano, relacionada à questão ambiental, é orientar sobre a correta separação do lixo. “Sabemos que muitas pessoas ainda não separam o lixo seco do orgânico. E isto é um problema”, comenta a professora. Por isso, a Setrem está capacitando alunos bolsistas que estão mapeando a cidade e, dentro de alguns dias, vão “bater de porta em porta” orientando a comunidade três-maiense sobre a importância da separação do lixo orgânico do lixo seco.
Lílian avalia que, assim que for de interesse dos estudantes, a escola poderá voltar a desenvolver a reciclagem artesanal de papel. “Temos toda a estrutura para fazer este trabalho, que foi um agregador e extremamente motivador. Cumpriu com o seu objetivo de despertar os estudantes para a consciência ambiental”.
A professora de Geografia adverte para a importância do uso correto de papel. “Toda vez que utilizamos papel, devemos ter um cuidado muito grande e saber qual a sua utilidade. Devemos orientar as crianças para que não rasgem papel e folhas de caderno sem necessidade. Devemos pensar no dano ambiental que isso causa”, justifica.

Programa Ambiental Cotrimaio contempla 40 ações de
preservação da natureza
A partir desta segunda-feira, cooperativa
desenvolve série de encontros que visam à capacitação do quadro associativo, composto por cerca de 14 mil produtores rurais

“De um lado, temos a mídia incentivando cada vez mais o consumo e de outro, a questão ambiental. É um paradoxo. E parece utópico achar que vamos ter um consumo crescente sem estar de certa forma prejudicando o meio ambiente. O desafio é estabelecer um desenvolvimento sustentável”. Esta é a avaliação de Benísio Rodrigues, assessor de Marketing da Cotrimaio, diante de toda essa problemática ambiental.
Sobre a separação do lixo, mais especificamente o papel, a cooperativa tem uma parceria com os selecionadores da Associação dos Selecionadores de Material Reciclável de Três de Maio (Asmar), que recolhem quinzenalmente os resíduos de papel do Centro de Abastecimento da Cotrimaio (CAC). No local, chegam todos os produtos de consumo interno da cooperativa e que são destinados para as lojas e supermercados. No supermercado, o recolhimento é diário e na área administrativa ocorre semanalmente.
Segundo o assessor, a Cotrimaio formalizou no ano passado, um conjunto de ações e criou a Agenda 21 Cotrimaio, também chamada de Programa Ambiental.
Com a participação de 100% do quadro de colaboradores – cerca de 800 pessoas –, foram determinadas 40 ações prioritárias em relação à preservação do meio ambiente, subdivididas em nove eixos, ou seja, nove assuntos relacionados: educação ambiental, resíduos sólidos, embalagens, consumo de energia, consumo de água, emissão de pó, florestas, uso de agroquímicos e produção agroecológica.
A partir de segunda-feira, dia 9, o Programa Ambiental Cotrimaio será ampliado para o quadro social da cooperativa em 20 encontros, contemplando as filiais, em todos os municípios da área de ação, das microrregiões de Três de Maio, Cruz Alta e Palmeira das Missões. “O compromisso da cooperativa com o meio ambiente vai além das estruturas físicas da Cotrimaio. Estamos comprometidos a levar o programa ambiental para discussão e aprendizado do quadro social e das comunidades”, alega.
Conforme Benísio, a Cotrimaio está imbuída em desempenhar o seu papel, e esta é uma preocupação presente nos 40 anos da cooperativa. “Queremos comemorar o cinqüentenário da cooperativa avaliando o Programa Ambiental Cotrimaio como um programa de sucesso, com todas as ações efetivamente desenvolvidas, implementadas e ampliadas, e vivenciando uma nova cultura acerca da preservação ambiental”, justifica.


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