Técnicos
serão contratados
para revisar Plano Diretor
Para os vereadores, projeto elaborado pelo Instituto de
Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional
(IPD),
da Unijuí, deve ser analisado por profissionais locais,
que entendem a realidade do município.
Ao término da reunião sobre o Plano Diretor
na segunda-feira, 2, na Câmara de Vereadores, a empresária
Lourdes Zambonatto não conseguia disfarçar
seu descontentamento. O motivo? A ausência da comunidade
na discussão sobre o projeto, que já deveria
ter sido aprovado há dois anos. Lourdes atendeu ao
chamamento dos vereadores, que pedem maior engajamento da
população no processo, mas saiu do encontro
fustrada. “Não há como entender que
um projeto tão importante, que implica mudanças
na vida dos três-maienses, tenha uma relevância
ínfima para a maior parte da comunidade”, disse
indignada a empresária, que também é
a presidente da Associação Três-maiense
de Artesãos (Artemaio).
Para Lourdes, a participação da comunidade
é importante para que possa ficar a par das resoluções.
“Não adianta reclamar depois que o projeto
é aprovado”, critica.
Já para Wilson Wächter, secretário-executivo
da Associação Comercial e Industrial de Três
de Maio, o Plano Diretor em debate está deixando
uma grande lacuna. “Este plano não define o
prolongamento das vias existentes, não estabelece
exatamente as novas extensões e trevos das ruas laterais
à BR 472 e RS 342 e não prevê um anel
viário que organize o fluxo urbano existente e estimule
o crescimento planejado. Enfim, não prevê novas
vias públicas que sirvam de diretriz para os projetos
de novos loteamentos, por exemplo”.
Conforme Wächter, a discussão do Plano Diretor
é uma grande oportunidade para planejar uma série
de fatores que deverão fazer a diferença nas
próximas décadas.
De acordo com o vereador petista Renato de Abreu, que coordena
as discussões do Plano Diretor na Câmara de
Vereadores, mesmo com pouca participação da
população, alguns pontos foram definidos,
como a contratação de técnicos e profissionais
três-maienses ligados à área ambiental
para auxiliar nas alterações do projeto. Abreu
adianta que uma das prioridades é a questão
da construção de um anel rodoviário,
que deverá começar na região de Bela
Vista e sair na localidade de Flor de Maio. “Essa
é uma proposta que partiu da ACI, e nós, os
vereadores, entendemos que é importante”.
Sobre a ampliação da área industrial,
Abreu relembra que quando a mesma foi implantada, não
era permitida a construção de moradias num
limite de 800 metros. “Hoje, isso não é
respeitado. Vamos discutir esse aspecto, porque a área
industrial não pode ser localizada próxima
a residências”, ressalta o vereador.
Outra discussão é com relação
às questões do meio ambiente no município,
como as áreas de preservação permanente
(APPs), onde não podem ser edificadas construções.
“Temos um problema na “Vila Daer”, onde
está sendo construído o prédio do Ministério
Público. Aquela área, pelo Plano Diretor em
questão, é classificada como APP. Vamos contratar
um geólogo ou profissional do setor que possa rediscutir
isso”.
Não foi marcada data para a próxima reunião.
Mas, conforme Abreu, nas próximas semanas, devem
ser realizadas audiências públicas e reuniões
com representantes do Executivo e do Legislativo.