Três
de Maio perde um de seus empresários mais
antigos
O
libanês Fayez Ibiahim El Hajjar, que desde 1954 residia
em Três de Maio e foi proprietário da
“
Casa São Paulo”,
faleceu no último dia
11 de maio

Fayez tinha facilidade em conquistar amigos
e cativava
pela simpatia e simplicidade
Falante,
inteligente e sempre bem-informado. Essas eram apenas
algumas da características do libanês Fayez
Ibiahim El Hajjar, um dos empresários mais antigos
e conhecidos de Três de Maio, proprietário
da extinta “Casa São Paulo”.
Nascido em 20 de março de 1925 no Líbano,
emigrou para o Brasil em 1954, onde residiu por três
meses em Londrina no Paraná e logo após,
chegou a Três de Maio, quando havia poucas casas
de moradia, e, menos ainda, pontos comerciais.
Em Três de Maio iniciou suas atividades comerciais
trabalhando como mascate. De porta em porta, vendia os
mais variados artigos. Nessa profissão permaneceu
por poucos meses. Com visão de futuro e audaz, apostou
no seu próprio negócio, abrindo uma loja
de confecções e tecidos, denominada “Casa
São Paulo”, que somente encerrou as atividades
em 2001, 47 anos depois.
Em1958, conheceu Samira, com quem se casou e teve quatro
filhos: Hadla, Karan, Elias (em memória) e Nabil.
A união se perpetuou durante 50 anos.
Fayez acompanhou a história e o desenvolvimento
do município e era uma figura conhecida na sociedade
local. Foi um dos sócios fundadores da Sociedade
Guaíra, do Clube Buricá e um dos padrinhos
do Botafogo Esporte Clube.
Depois de se aposentar, podia ser visto, quase que diariamente,
fazendo caminhadas pelas ruas do centro da cidade. Sempre
muito falante, conversava com os amigos, abordando os mais
diversos assuntos.
A filha Hadla relembra que Fayez lia muito jornal e gostava
de conversar sobre política. “Ele adorava
um bom papo e ficava muito feliz quando se reunia com toda
a família. E tinha uma admiração muito
grande por sua esposa, filhos e as noras, e seus netos
Tanira, Felipe, Guilherme e Bernardo eram a certeza da
continuidade da família El Hajjar”, recorda.
Hadla revela que o pai constantemente relembrava de sua
luta para se adaptar à lingua e aos costumes do
Brasil, mas que era muito feliz no país que adotou. “Ele
sempre teve muitos amigos e era adorado por eles e por
todos os familiares. Mas nunca esqueceu do seu povo que
ficou no Líbano”, afirma. A filha também
comenta que um de seus maiores orgulhos foi ver os filhos
formados em cursos superiores e bem pessoal e profissionalmente. “Isso
o deixava realizado”, alega.
Fayez estava enfermo há um ano, e no domingo, dia
11, às cinco horas, faleceu de insuficiência
respiratória, no Hospital São Vicente de
Paulo, com a idade de 83 anos. Deixa enlutada a esposa,
Samira, os filhos Hadla, Karan e Nabil, noras, e netos.