
À GUISA DE COMENTÁRIO – NEM
TUDO É COR-DE-ROSA – A boa notícia da semana
passada foi a de que o Brasil atingiu o tão esperado “investment
grade”, o grau de investimento. O que quer dizer isso? Significa
que o Brasil, agora, é de confiança para os investidores. É um
grau de confiança. Com esta conquista, que se deve a acertos
econômicos ao longo dos anos, tudo parece cor-de-rosa. Esta
conquista traz consigo alguns problemas: a entrada de grande volume
de dólares, o que torna o real ainda mais forte e a moeda
norte-americana vai perder força. A conseqüência
será ruim para a exportação. Há meses,
a balança comercial registra déficit. Isto quer dizer
que o Brasil está importando mais do que exportando. A queda
do dólar vai fazer estragos genezalizados. A enxurrada de
dólares se deve, sobretudo, à elevada taxa básica
Selic em 11,75%, enquanto, nos Estados Unidos, a taxa básica
baixou para 2%, para animar o mercado que anda estagnado por lá. É preciso
saber se o governo consegue conter a alta dos combustíveis,
dos alimentos e da inflação. Então, vamos
combinar, nem tudo está cor-de-rosa.
VEM
DE LONGE – Esta boa fase da economia brasileira vem
de longe. O primeiro passo foi o Plano Real, implantado com sucesso,
em 1994. Foi ele que terminou com a inflação galopante,
que vários planos econômicos anteriores não
conseguiram conter. Lembram-se? Então, já vai para
14 anos a evolução lenta, mas gradual, da economia
brasileira. A economia está sendo conduzida com seriedade
pelo Banco Central e pela equipe econômica do governo, e
a economia responde com conquistas. Agora, o governo terá que
tomar algumas medidas para baixar os juros, conter a inflação
e animar a exportação, para que a balança
comercial volte a ser positiva.
QUANDO – Vocês já perceberam, quando o governo
dá as notícias ruins, como o aumento do combustível?
Sempre num final de semana, durante um feriadão, quando
o povo está ocupado com outros assuntos. É uma forma
de diluir as repercussões negativas. Isso vem de longe.
Novamente, com o aumento do óleo diesel foi o que aconteceu.
Desta vez, misturado à notícia alvissareira do grau
de investimento.
CHATO – Está ficando chata a insistência com
o terceiro mandato de Lula. Cada poucos dias o assunto volta à tona,
sempre depois de uma pesquisa bem-sucedida. Lula nega imediatamente
que tenha interesse num terceiro mandato consecutivo. Mas na recarga
vem alguém querendo plebiscito, alguém mais sugere
a reforma da Constituição. Há quem entende
que, se isso venha a ocorrer, seria golpe.
DIZEM
QUE O TAMANHO DA AGRICULTURA BRASILEIRA JÁ INCOMODA
MUITA GENTE. POR ISSO, CRESCEM AS BARREIRAS AOS PRODUTOS BRASILEIROS,
AO REDOR DO MUNDO.
MISTURAR – Não é bom misturar as coisas: economia
com política, ou vice-versa. Agora, porque o governo petista
está conduzindo a economia brasileira de forma aceitável – o
que é uma obrigação – querem um terceiro
mandato para Lula. Ora, ora, água e azeite não se
misturam. Assim deveria ser com a política e a economia.
O sistema eleitoral está regulamentado na Constituição.
Lá, ao que me consta, não está escrito nada
sobre um novo mandato, em caso de uma gestão econômica
positiva. Os rumos cheiram a golpismo.
CRIATIVIDADE
E OUSADIA – Temos que convir que a programação
do 53º aniversário de Três de Maio foi pífia,
foi ridícula. Faltou ousadia e criatividade. Os municípios
da região foram bem mais ousados e criativos. Recordo São
Martinho, São José do Inhacorá e Horizontina.
Que bela oportunidade para promover nossos móveis, nossas
confecções, nossos produtos primários! Que
tal uma multifeira? O Parque de Exposições precisa
ser movimentado. Ou ele foi feito para ser usado a cada dois anos?
Para fazer pequenas inaugurações políticas
não é preciso programar Semana do Município.
Saudades dos velhos tempos!
GOVERNAR
BEM, ADMINISTRAR BEM NÃO É NENHUM FAVOR, É OBRIGAÇÃO.
OS GOVERNANTES SÃO PAGOS E BEM PAGOS PARA FAZER ISSO. O
POVO PRECISA COBRAR E COBRAR BEM DELES.
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