Ano XXII - EDIÇÃO 1186

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Soy loco por tri América... 2012

O título do texto é uma referência à música Soy Loco por Ti, America, composta por Capinan e Gilberto Gil, e interpretada por Caetano Veloso, a fim de fazer um trocadilho com a situação que poderiam ter vivido este ano os dois grandes times de futebol do Rio Grande do Sul, o tricolor da Azenha e o colorado do Beira-Rio de Porto Alegre. A dupla grenal já ganhou duas vezes cada a maior competição sul-americana, a Libertadores, e lutava neste ano pelo tricampeonato.
A Libertadores é um torneio diferente, aguerrido, raçudo, no qual nem sempre o melhor vence. A dupla grenal tinha neste ano jogadores e treinadores que sabem jogar este tipo de torneio, mas infelizmente por detalhe e pequeno descuido o avanço na competição não foi possível. Libertadores é um campeonato que exige cabeça no lugar e muita, mas muita raça. Porque se melhor futebol e técnica ganhassem sempre o jogo, o título na maioria das vezes teria de vir para o Brasil, que quase sempre tem os melhores times. Nesse quesito, temos ainda de aprender com os hermanos argentinos, que dão um baile em conquistas do torneio, muito à frente dos brasileiros.
Este ano estava cheirando - bem ou mal, como preferirem - a um possível grenal na Libertadores, situação que poderia ter acontecido já nas quartas-de-final, bastando que os dois passassem por seus adversários nas oitavas, o que eu estava já prevendo no início da competição com a definição dos grupos (fáceis) da dupla. Se isso viesse a ocorrer, acredito que o futuro não seria o mesmo. Para o time perdedor. Balançariam no cargo dirigentes, jogadores e comissão técnica.
Para citar um caso semelhante, já aconteceram Corinthians versus Palmeiras em Libertadores. E foram jogos memoráveis. Num dos jogos, na semifinal da Libertadores de 2000, um dos maiores ídolos da história corinthiana, Marcelinho Carioca, após empate no saldo dos dois jogos, errou o pênalti derradeiro, e acabou tirando sua equipe da final da competição.
Se acontecer esse cruzamento e ainda mais na maior competição sul-americana algum dia, o Estado chegará próximo a parar. Parar não para, mas próximo disso estará. E mais, quem passar, em minha modesta opinião, caminhará a passos largos do título, pois a confiança adquirida será difícil de ser derrubada. Aí sim poderá gritar em uníssono com os demais torcedores "Soy loco por tri América!".
Em 2012, somente o colorado do Beira-Rio estará na Libertadores, na verdade na fase classificatória anterior à competição, necessitando passar por esta etapa para entrar definitivamente no torneio, na fase de grupos. Para chegar até aí, não foi um Campeonato Brasileiro fácil em 2011. O principal problema foi a oscilação do time durante a competição. O quinto lugar foi lucro. Chegou à última rodada tendo que enfrentar e vencer o maior rival, que na verdade só queria estragar a festa, mas no final tudo deu certo. Para o Inter. Sobrevivi a mais este jogo, porque recentemente olhar o Inter tem sido recomendável somente para pessoas sem problemas cardíacos.
E ano que vem meu coração terá de passar por novas provas, porque esse sofrimento deve continuar. Tomara que os jogos ou pelo menos a sua maioria sejam às terças, quartas ou sextas à noite, pois nestes dias terei aula e ficarei impossibilitado de olhá-los. Meu coração vermelho agradece!


Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação nas Ciências da Unijuí. Professor de Ensino
Superior da Setrem.

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