| Escola
e tecnologia: muitas dúvidas e uma certeza
O
discurso sobre o uso da tecnologia na educação é
recheado de lugares comuns: fala-se a todo o tempo da rapidez das
mudanças, da importância de se formar o usuário
crítico, do desafio da formação continuada,
das revoluções que se aproximam, das possibilidades
abertas pela web 2.0 (e 3.0), das tecnologias móveis, entre
outros.
Há um oceano de incertezas com as quais rapidamente os educadores
se habituaram a conviver - principalmente porque, na maior parte
das vezes, nossa escola ainda está em um estágio bastante
aquém desses dilemas. É como se alguém que
ainda está no mundo das bicicletas passasse a alimentar preocupações
com os avanços tecnológicos dos automóveis.
Contudo, é justamente aqui que se encontra o coração
do problema que nós, educadores, vivemos no que tange à
tecnologia.
É verdade que a tecnologia ainda pouco mudou a escola. Mas
isso não acontece por questões técnicas, por
hardwares, softwares ou mesmo pela aclamada resistência do
professor. O ponto de viragem do uso da tecnologia vale tanto para
um PC quanto para a aurora anunciada dos livros digitais: chama-se
projeto pedagógico.
Sim, o projeto pedagógico continua. As experiências
mais bem-sucedidas da assimilação dos recursos tecnológicos
são, comprovadamente, aquelas em que a escola se organizou
de uma forma diferente para atender às demandas do mundo
contemporâneo. Nessas escolas são menos importantes
as discussões sobre o que fazer com este ou aquele recurso
(sejam lousas eletrônicas, celulares, tablets etc). Entram
em jogo outros fatores muito mais desestabilizadores para a escola
de hoje: elas tratam do tempo escolar, da organização
da aprendizagem, do currículo, do papel do professor.
Nessas escolas, a tecnologia não detonou as mudanças.
Ela foi naturalmente incorporada em um projeto de ensino que não
se conforma mais com as estruturas seculares que herdamos. E foram
assimiladas como aquilo que são: ferramentas. Assim como
um dia o foram o livro, a lousa e o giz, por exemplo. A boa notícia
é que não são necessárias revoluções.
Trata-se mais de uma tomada de consciência, da qual o projeto
político-pedagógico é a plena expressão.
Por isso, temos pela frente um desafio mais sério do que
introduzir à força as últimas novidades do
mercado. Precisamos, de uma vez por todas, rever coletivamente o
projeto pedagógico a fim de alinhar a escola com um tempo
que não aceita mais as mesmas respostas - porque vive de
novas perguntas.
Antônio Sérgio Martins de Castro
Gerente
de Mídias Digitais do Ético Sistema de Ensino (www.sejaetico.com.br)e
do Agora Sistema de Ensino (www.souagora.com.br),
da Editora Saraiva
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