Ano XXII - EDIÇÃO 1184

J. Semanal
Capa
J.Morais
Economia
Notas
Do Leitor

Click Social

Registro Jurídico
Classificados
TGIF
Equipe
Serviços
Tempo
Bancos
Tradutor
Gov. Estadual
Receita Federal
Busca por CEP
Dicionário
Diversos
Mensagens Virtuais
Horóscopo Diário
Infantil
Downloads
Empresa
Histórico
Ed. Anteriores
Fale Conosco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DIREITO EM DEBATE

Publicidade



Libertadores 2012:
Eu vou! Será?

Fomos ao Beira-Rio. Os meninos ainda não tinham assistido um Gre-Nal ao vivo e eu havia prometido a eles. Seis horas de viagem valeriam a pena. Prometi a Elis que seria um passeio agradável para domingo à tarde e planejamos chegar cedo ao Beira-Rio. Afinal, com crianças, em um Gre-Nal é preciso estar pelo menos duas horas antes de começar o jogo. Cauteloso que sou, já havia telefonado para o Inter e a informação que eu tinha é que com a minha carteirinha de "sócio antigo" teria duas opções: na arquibancada inferior (social) ou na arquibancada superior (cadeiras), mas neste caso, no sol.
Antes de viajar a Elis me pediu:
-Ficaremos nas cadeiras, né amor? Nada de chão duro".
-"Querida, o Beira-Rio é um palácio. Não existe mais chão duro. Tudo é cadeira. A diferença é que umas são na arquibancada superior e outras na inferior, chamadas de "social". Estaremos lá, na social, sentados confortavelmente em cadeiras assistindo o jogo com as crianças. Confie em mim. Sei o que faço."
Chegamos ao Beira-Rio. Consegui um bom lugar para o carro. Um tumulto. Os meninos na maior emoção. Primeiro Gre-Nal a gente nunca esquece, e, como pai, eu tinha o dever de proporcionar isso da melhor forma possível, afinal, queria que fosse marcante.
Com pouca fila, passamos as roletas e entramos no estádio. Que maravilha. Existe uma energia mágica sempre que você cruza a roleta e entra no Beira-Rio. É como se você se tornasse naquela instante parte de um todo maior. É como se você fosse dono do Beira-Rio.
Daí, o problema começou. Tiraram todas as cadeiras do anel inferior do estádio. Só estavam lá as arquibancadas de concreto, sem nenhuma cadeira ou banquinho. O terrível "chão duro". Fiquei chocado. Nem olhei para Elis. O que eu iria dizer? Me fiz de louco. Procuramos um lugar com boa visibilidade. Ao sentar, o joelho veio perto da boca. Permaneci mudo. Nem almofada tínhamos trazido. Perguntei para os meninos se queriam um refrigerante. Então ela disse delicadamente:
-"Sumiram as cadeiras ?"
-"Pois é..."- falei olhando para os lados...- "deve ser por causa das obras para a Copa".
Então Matheus, de 9 anos, perguntou:
-"Pai, quando é que recomeçam as obras?"
-"Quer um refri Henry?" - mudei logo o foco da conversa. Não sabia o que dizer. Desde a final da Libertadores do ano passado não vinha ao Beira-Rio. Que mudança. Parte do estádio estava demolida. Uma arquibancada estava sendo erguida à nossa esquerda. Uma só. E as obras estavam paradas.
-"Mas você não tinha ligado para o Inter e estava tudo certo? Que ficaríamos em cadeiras"- ela insistiu gentilmente.
-"Vão falar a escalação agora no rádio"- desconversei de novo.
-"Pai, a gente nunca veio aqui, né? Nesse chão duro."- disse o pequeno Henry com 8 anos.
-"Tá bom. Tiraram as cadeiras. Elas existiam. Nós sempre viemos aqui, mas eram cadeiras."
-"Nunca viemos aqui"- disse ela, rangendo os dentes.
Virei para o lado. Tinha um cara de boné, palitinho na boca e com uma tatuagem enorme no braço escrito "Só os fortes sobrevivem". Perguntei gentilmente:
-"Moço, por gentileza. Não existiam umas cadeiras por aqui ?"
-"Faz tempo que se foram..."- respondeu, sem me olhar mexendo o palitinho.
-"Viu como tinha, amor! Como eu ia saber que haviam tirado elas daqui?"
-"Se você ligou para o Inter, deveria saber!"
-Ok, ok, ok. Realmente, não me falaram esta parte".
-"Percebi."- disse ela, agora com ar irônico.
-"Pai, quanto tempo falta para começar o jogo?"
-"Duas horas."
-"Duas horas ?"
-"Sim, viemos cedo para escapar do movimento."
-"E esperar confortavelmente nas cadeiras que sumiram..."- ela rebateu de novo.
Pensei. Pensei. Pensei. Que sinuca. Levantei a cabeça. Um sol escaldante iluminava o outro lado do estádio. A torcida da arquibancada superior estava no sol. Falei:
-"Na verdade eu não queria que você pegasse sol, querida. Sabe como me preocupo com você e com as crianças. Daí entre o sol com cadeiras, ou a sombra, mas no chão, optei por aqui. Mas acho que me enganei. Melhor irmos para o outro lado."
Ela levantou a cabeça, olhou o outro lado do estádio, respirou e disse:
-"Não, capaz. Naquele sol deve estar horrível. Imagina. Prefiro aqui."
Ufa... Assunto encerrado momentaneamente. Finalmente poderia me concentrar no jogo. Levantei e me alonguei. Então ela largou:
-"Está com dor nas costas? Eu não trouxe teu Dorflex. Você não é acostumado a sentar no chão". Não respondi. Nada estragaria aquela sublime tarde no Beira-Rio.
O Inter ganhou o jogo e os resultados paralelos ajudaram. O colorado vai para a Libertadores. Nos abraçamos ao final e eu disse: -"Meninos, ano que vem viremos aos jogos da Libertadores!" E ela encerrou a tarde com a seguinte frase: -"Sim, claro! E não esqueçam crianças, de pedir para o vovô de Natal uma almofadinha para cada um".

Das minhas leituras da madrugada:
"Palavras verdadeiras podem não ser agradáveis. Palavras agradáveis podem não ser verdadeiras”.
Provérbio Chinês

Um ótimo fim de semana a todos...

Oficial do Registro de Imóveis e Tabelião de Protestos
Pós-Graduado em Direito Notarial e Registral
Secretário da Associação dos Notários e Registradores do Brasil (RS)

- Marcos Salomão é colunista de 17 jornais da região Noroeste.
A relação completa dos jornais poderá ser conferida em nosso site www.marcossalomao.com.br

Jornal Semanal | Todos os direitos reservados - 2010®
www.jsemanal.com.br | jsemanal@abinet.com.br

design
vaghetti - Atualizado pela Diagramação Jornal Semanal
:: Capa :: :: Capa :: :: Capa ::