Ano XXII - EDIÇÃO 1183

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As coisas simples da vida

Ouço e vejo seguidamente por aí dizerem que o importante é viver as coisas simples da vida. É o que importa, no final das contas. Mas o que seriam essas coisas simples? Após algumas reflexões, identifiquei algumas. Vamos a elas. Ir ao supermercado e escolher com calma os produtos, cuidando validade, proteínas, gorduras, carboidratos, calorias, etc. Encontrar um amigo que não via há muito tempo na rua ou no corredor da universidade e conversar longamente com ele. Muitas vezes, uma conversa de dez minutos vale mais que uma tarde inteira só de bobagens ditas. Acordar de manhã, olhar a vida passar lá fora durante um longo tempo e somente depois começar seus afazeres. Ler um bom livro de Sidney Sheldon e/ou Gabriel García Márquez, assistir a um filme de Woody Allen e/ou Quentin Tarantino.
Outro exemplo de coisa simples da vida identifiquei em uma aula com meu orientador do mestrado. Ele comentou de um mendigo que passou na frente da casa dele e começou a comer um pão. Demorou-se um longo tempo para consumi-lo e a cada pedaço que colocava na boca exclamava: "Que bom isso". Em dado momento, contou meu professor, deu vontade de ele arrancar o pão do mendigo e desfrutar também daquilo. Mas não teria o mesmo valor. No nosso dia-a-dia, fazemos coisas automáticas sem nos darmos conta da beleza ou sabor fantásticos que estamos experimentando.
Destaco outro fato. Minha mãe comprou um carro novo. Na carta de boas-vindas endereçada a ela pela concessionária dizia para viver, ser feliz e aproveitar o carro. Parei novamente para pensar estas questões e acabei por derrubar em minha mente um famoso dito popular: dinheiro não traz felicidade. Em alguns momentos sim, em razão dos benefícios e do conforto que algum bem traz para você, amenizando um sofrimento que tinha anteriormente e que com dinheiro conseguiu contornar agora. Mas não é o tempo todo.
Outro ponto - neste caso reforçando o dito popular que dinheiro não traz felicidade - referente ao dinheiro diz respeito a uma foto do jornal Correio do Povo, após o jogo Grêmio e Flamengo em Porto Alegre pelo Campeonato Brasileiro deste ano. Na imagem, Ronaldo Moreira está em primeiro plano na foto e ao fundo os torcedores ostentam faixas de "Pilantra", "Mercenário", além de muitos deles estarem mostrando o dedo do meio para o jogador. Ronaldo feriu a honra neste Estado que tanto valoriza isso, tudo por sua ganância e talvez um ódio - por que motivo? - pelo Grêmio ou pelo Estado.
Para finalizar, deixo uma mensagem que estampava a sacola plástica de um supermercado argentino: "Tenés una familia. Tenés un hogar. Tenés amigos. Tenés gente que te quiere. Y además, nos tenés a nosotros". Enfim, eis as coisas simples. Cercamo-nos de gente que nos quer bem e quem queremos bem que daremos o primeiro passo para curtir as coisas simples da vida.

Gustavo Griebler
Mestrando do Programa de
Pós-Graduação em Educação nas Ciências da Unijuí e professor de Ensino Superior da Setrem.

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