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pressa da sociedade
A
sociedade tem pressa. Muita pressa. Parece estar sempre atrasada.
Está sempre correndo, mal cumprimentando ou conversando por
quem passa, porque tem pressa. A placa grita 40km/h, mas a sociedade
insiste em debochar dela andando a números superiores. Às
vezes, muito superiores. Parece-me que quanto mais fazemos as coisas
com pressa mais rápido passa o tempo, quando na verdade deveria
ser o contrário. Agora, quando se para de fazer as coisas
com pressa, com maior observação ao seu redor, a vida
caminha mais devagar. Pode parecer um paradoxo em tempos de vida
acelerada pelas Tecnologias da Informação e da Comunicação,
pelo fast food, mas a câmera lenta nos mostra mais detalhes,
fantásticos certas vezes, que a pressa não permite.
Sim, o tempo passa e não volta mais. Sei disso. No entanto,
a precipitação pode nos levar para caminhos indesejáveis.
A oportunidade que se apresenta para nós necessita ser amadurecida
algumas vezes, podendo levar anos para o amadurecimento de um conceito.
Assim sendo, o cavalo encilhado poderá passar de novo.
Por esses dias, talvez eu tenha presenciado uma das situações
mais emblemáticas do desapego da velocidade moderna. Avistei
duas pessoas - acredito que duas senhoras - conversando na rua.
Até aí tudo bem. Detalhe: chovia e fazia frio. Ainda
bem que os guarda-chuvas de ambas eram grandes. Refleti depois que
muito provavelmente essas duas senhoras saibam exatamente manter
os valores que parecem ter virado exceção hoje. Elenco
amizade verdadeira, preocupação para com o próximo,
e assim por diante.
À guisa de conclusão, acredito que reduzir a marcha
pode e deve ser bom, mantendo as rotações em alta,
ou seja, diminuindo a pressa e vivendo, vivendo mesmo, aproveitando
tudo ou quase tudo que essa vida - única e tão sofrida
e vítima de reclamação de muitos - tem a nos
oferecer. Com isso, a felicidade que tanto almejamos se aproxima
e não se distancia mais.
Gustavo
Griebler
Mestrando do Programa de Pós-Graduação
em Educação nas Ciências da Unijuí e
professor de Ensino Superior da Setrem.
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