
Pitbull mansinho, homem bandido...
Quem
já possuiu um cão de guarda sabe que ele não
nasce brabo. Ele nasce com instinto de defesa, é diferente.
Normalmente, as fêmeas são mais apegadas a proteger
seu dono. Já o macho tem a tendência a defender
o território, a casa. Mas isso depende da linhagem, do
cruzamento, dos pais e avós daquele cão.
Quando nos deparamos com notícias de que cães
da raça Pitbull ou Rottweiler mataram uma pessoa de forma
descontrolada, não entendemos realmente o que pode estar
por trás de tudo isso.
Não é raro saber que pessoas compram cães
destas raças de defesa e guarda em uma feira clandestina,
destas que uma Kombi encosta em frente a praça da cidade,
cheias de gaiolas com cães tristes e com sede, e levam
para casa um Pitbull ou um Rottweiler, ou um Pastor Alemão
sem conhecer a história deste animal. Doze meses depois
ele já pesa 40 quilos e circula no seu ambiente familiar.
Então, para completar, o dono contrata um adestrador
de fundo de quintal que diz que vai deixar o seu animal uma
fera e provoca ele por dias, enquanto ele late amarrado no canil
e sem água. Chamam isso de treinamento de elite.
O resultado é lógico: você tem uma arma
carregada e engatilhada no seu pátio.
Mas também existe o outro lado da moeda. Muitos cães
destas raças de defesa e guarda nascem mansos, independente
da linhagem. São meigos. Não possuem raiva. Quem
sabe durante os cruzamentos desconhecidos alguma raça
dócil foi inserida. Normalmente, são cães
que se assemelham a cães de companhia e não de
guarda.
Já escrevi em uma coluna do ano passado sobre a minha
Rottweiler de 13 anos que morreu em abril de 2010. Quando me
mudei para o interior do Estado, comprei ela de um criador especializado
em Porto Alegre. Ela entrou na minha vida antes dos meus filhos.
Pois bem, tenho várias fotos das crianças tomando
mamadeira abraçados nela, brincando de cavalinho e dando-lhe
comida na boca. Dara era o nome dela. Desfilei com ela em feiras
e trouxe medalhas pelo seu belíssimo temperamento. Morreu
vítima de um AVC com 13 anos. Ficaram as lembranças.
Mas por que estou escrevendo sobre cães? A coluna sempre
foi jurídica (salvo os artigos sobre o Inter). Escrevo
por causa de um processo que foi julgado esta semana no Rio
Grande do Sul, que resumidamente, do meu modo de escrever, conta
a seguinte estória:
Um homem em Pelotas/RS comprou um Pitbull para defender sua
casa. No dia 8 de julho de 2008, ao chegar em sua residência,
percebeu que ela havia sido arrombada. Indignado porque o Pitbull
nada fez e a casa foi roubada, resolveu matar o cachorro ali
mesmo. Não vou descrever a forma cruel que ele fez isso,
por respeitar você, meu leitor. Quando a polícia
chegou no local, encontrou o animal morto. O homem disse que
matou o cão porque ele não servia para cuidar
a casa.
A promotoria processou o homem por crime contra a fauna. Ele
foi condenado pela juíza de Pelotas e nesta semana a
condenação foi confirmada pelo Tribunal em Porto
Alegre. Serão 5 meses e dez dias de detenção
mais multa. (Fonte: processo 71003217072)
Este é o legítimo caso de um Pitbull mansinho
e do seu dono bandido.
Das
minhas leituras da madrugada:
“Mulheres e gatos fazem o que querem, enquanto
homens e cachorros devem se acostumar com esta ideia”.
Robert Reinlein
Oficial do
Registro de Imóveis e Tabelião de Protestos
Pós-Graduado em Direito Notarial e Registral
Secretário da Associação dos Notários
e Registradores do Brasil (RS)
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Marcos Salomão é colunista de 17 jornais da região
Noroeste.
A relação completa dos jornais poderá ser
conferida em nosso site www.marcossalomao.com.br