Ano XXiI - EDIÇÃO 1172

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Pitbull mansinho, homem bandido...

Quem já possuiu um cão de guarda sabe que ele não nasce brabo. Ele nasce com instinto de defesa, é diferente. Normalmente, as fêmeas são mais apegadas a proteger seu dono. Já o macho tem a tendência a defender o território, a casa. Mas isso depende da linhagem, do cruzamento, dos pais e avós daquele cão.
Quando nos deparamos com notícias de que cães da raça Pitbull ou Rottweiler mataram uma pessoa de forma descontrolada, não entendemos realmente o que pode estar por trás de tudo isso.
Não é raro saber que pessoas compram cães destas raças de defesa e guarda em uma feira clandestina, destas que uma Kombi encosta em frente a praça da cidade, cheias de gaiolas com cães tristes e com sede, e levam para casa um Pitbull ou um Rottweiler, ou um Pastor Alemão sem conhecer a história deste animal. Doze meses depois ele já pesa 40 quilos e circula no seu ambiente familiar.
Então, para completar, o dono contrata um adestrador de fundo de quintal que diz que vai deixar o seu animal uma fera e provoca ele por dias, enquanto ele late amarrado no canil e sem água. Chamam isso de treinamento de elite.
O resultado é lógico: você tem uma arma carregada e engatilhada no seu pátio.
Mas também existe o outro lado da moeda. Muitos cães destas raças de defesa e guarda nascem mansos, independente da linhagem. São meigos. Não possuem raiva. Quem sabe durante os cruzamentos desconhecidos alguma raça dócil foi inserida. Normalmente, são cães que se assemelham a cães de companhia e não de guarda.
Já escrevi em uma coluna do ano passado sobre a minha Rottweiler de 13 anos que morreu em abril de 2010. Quando me mudei para o interior do Estado, comprei ela de um criador especializado em Porto Alegre. Ela entrou na minha vida antes dos meus filhos. Pois bem, tenho várias fotos das crianças tomando mamadeira abraçados nela, brincando de cavalinho e dando-lhe comida na boca. Dara era o nome dela. Desfilei com ela em feiras e trouxe medalhas pelo seu belíssimo temperamento. Morreu vítima de um AVC com 13 anos. Ficaram as lembranças.
Mas por que estou escrevendo sobre cães? A coluna sempre foi jurídica (salvo os artigos sobre o Inter). Escrevo por causa de um processo que foi julgado esta semana no Rio Grande do Sul, que resumidamente, do meu modo de escrever, conta a seguinte estória:
Um homem em Pelotas/RS comprou um Pitbull para defender sua casa. No dia 8 de julho de 2008, ao chegar em sua residência, percebeu que ela havia sido arrombada. Indignado porque o Pitbull nada fez e a casa foi roubada, resolveu matar o cachorro ali mesmo. Não vou descrever a forma cruel que ele fez isso, por respeitar você, meu leitor. Quando a polícia chegou no local, encontrou o animal morto. O homem disse que matou o cão porque ele não servia para cuidar a casa.
A promotoria processou o homem por crime contra a fauna. Ele foi condenado pela juíza de Pelotas e nesta semana a condenação foi confirmada pelo Tribunal em Porto Alegre. Serão 5 meses e dez dias de detenção mais multa. (Fonte: processo 71003217072)
Este é o legítimo caso de um Pitbull mansinho e do seu dono bandido.

Das minhas leituras da madrugada:
“Mulheres e gatos fazem o que querem, enquanto homens e cachorros devem se acostumar com esta ideia”. Robert Reinlein



Oficial do Registro de Imóveis e Tabelião de Protestos
Pós-Graduado em Direito Notarial e Registral
Secretário da Associação dos Notários e Registradores do Brasil (RS)

- Marcos Salomão é colunista de 17 jornais da região Noroeste.
A relação completa dos jornais poderá ser conferida em nosso site www.marcossalomao.com.br

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