Ano XXiI - EDIÇÃO 1169

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DIREITO EM DEBATE

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Damião, Damibike,
Damigol ...


Procuro não escrever sobre futebol. Todos que acompanham esta coluna, há quatro anos, sabem disso.
Somente em momentos especiais, realmente, eu escrevi algo. E olhe que quando o colorado perdeu para o Mazembe eu também escrevi. Isso tudo para provar a minha total imparcialidade.
Mas não posso me furtar de escrever sobre ontem na conquista do bicampeonato da Recopa, a poucos dias do Grenal de domingo e da bela fase do artilheiro colorado.
Se você, meu querido leitor, não estiver disposto a acompanhar as próximas linhas, fique a vontade. Semana que vem retornaremos com os nossos tradicionais casos jurídicos.
Colorados, sejamos sinceros: que momento vive este menino Damião. Nunca jogou categorias de base. Em 2007, com 17 anos de idade, ele era jogador de várzea, no interior de São Paulo, e ganhava R$ 30,00 (sim, trinta reais) por jogo.
Agora, em 2011, ele é o artilheiro do clube com 32 gols em 40 jogos, e já recebe bem mais do que os antigos R$ 30,00. Clubes Europeus oferecem milhões de euros por ele, mas o Inter ainda resiste.
Humilde em suas entrevistas, Damião cresce em campo diante de jogadores consagrados em suas carreiras. Parte para cima dos zagueiros, se posiciona bem dentro da área e persegue um objetivo definido: o gol.
Questionado sobre sua ascensão meteórica, ele disse: “tem que aproveitar as chances. As vezes é só uma”
Vejam que lição de vida. Quantas vezes nós deixamos passar oportunidades em nossas vidas, acreditando que outras virão.
O menino atacante colorado, com alma de vencedor, se agarra a todas as oportunidades que lhe surgem.
Na final da Libertadores do ano passado, quando entrou no segundo tempo, não se intimidou. Ao receber a bola partiu em direção ao gol e marcou. Quanta ousadia em uma final de campeonato, para um garoto desconhecido.
Na quarta-feira, disputando mais uma final, no caso o título da Recopa, ele fez dois gols no primeiro tempo. Semana passada, quando Ronaldinho Gaúcho era a estrela da tarde no Beira Rio, Damião fez um gol de bicicleta roubando a cena.
Convocado para a Seleção Brasileira, Damião enxerga outra chance de crescer. Certamente dará o melhor de si no jogo em que Ronaldinho Gaúcho volta a vestir a “amarelinha” ao seu lado.
Domingo, no Beira Rio, tem Grenal. Um amigo meu, torcedor do Grêmio, já me disse das dificuldades que enxerga em parar o ataque colorado. Eu já enxergo de outra forma, Grenal é Grenal. É imprevisível.
O que ninguém discute é que este menino tem futuro. Se o Inter conseguirá segurá-lo muito tempo? Provavelmente não. Para nós colorados ele já é como um filho, e os filhos são criados para o mundo, não para ficarem o resto de suas vidas em casa.
O Inter lhe deu a chance de crescer e ele retribui com gols. Quando Leandro Damião entra em campo, os zagueiros sabem do risco. Na linguagem popular, depois que ele faz dois gols em uma final de campeonato internacional: “preteou o olho da gateada”.


Das minhas leituras da madrugada:
“O Triunfo é filho da Audácia”-
Disraeli


Oficial do Registro de Imóveis e Tabelião de Protestos
Pós-Graduado em Direito Notarial e Registral
Secretário da Associação dos Notários e Registradores do Brasil (RS)

- Marcos Salomão é colunista de 17 jornais da região Noroeste.
A relação completa dos jornais poderá ser conferida em nosso site www.marcossalomao.com.br

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