
Damião, Damibike,
Damigol
...
Procuro não escrever sobre futebol. Todos que acompanham
esta coluna, há quatro anos, sabem disso.
Somente em momentos especiais, realmente, eu escrevi algo. E
olhe que quando o colorado perdeu para o Mazembe eu também
escrevi. Isso tudo para provar a minha total imparcialidade.
Mas não posso me furtar de escrever sobre ontem na conquista
do bicampeonato da Recopa, a poucos dias do Grenal de domingo
e da bela fase do artilheiro colorado.
Se você, meu querido leitor, não estiver disposto
a acompanhar as próximas linhas, fique a vontade. Semana
que vem retornaremos com os nossos tradicionais casos jurídicos.
Colorados, sejamos sinceros: que momento vive este menino Damião.
Nunca jogou categorias de base. Em 2007, com 17 anos de idade,
ele era jogador de várzea, no interior de São
Paulo, e ganhava R$ 30,00 (sim, trinta reais) por jogo.
Agora, em 2011, ele é o artilheiro do clube com 32 gols
em 40 jogos, e já recebe bem mais do que os antigos R$
30,00. Clubes Europeus oferecem milhões de euros por
ele, mas o Inter ainda resiste.
Humilde em suas entrevistas, Damião cresce em campo diante
de jogadores consagrados em suas carreiras. Parte para cima
dos zagueiros, se posiciona bem dentro da área e persegue
um objetivo definido: o gol.
Questionado sobre sua ascensão meteórica, ele
disse: “tem que aproveitar as chances. As vezes é
só uma”
Vejam que lição de vida. Quantas vezes nós
deixamos passar oportunidades em nossas vidas, acreditando que
outras virão.
O menino atacante colorado, com alma de vencedor, se agarra
a todas as oportunidades que lhe surgem.
Na final da Libertadores do ano passado, quando entrou no segundo
tempo, não se intimidou. Ao receber a bola partiu em
direção ao gol e marcou. Quanta ousadia em uma
final de campeonato, para um garoto desconhecido.
Na quarta-feira, disputando mais uma final, no caso o título
da Recopa, ele fez dois gols no primeiro tempo. Semana passada,
quando Ronaldinho Gaúcho era a estrela da tarde no Beira
Rio, Damião fez um gol de bicicleta roubando a cena.
Convocado para a Seleção Brasileira, Damião
enxerga outra chance de crescer. Certamente dará o melhor
de si no jogo em que Ronaldinho Gaúcho volta a vestir
a “amarelinha” ao seu lado.
Domingo, no Beira Rio, tem Grenal. Um amigo meu, torcedor do
Grêmio, já me disse das dificuldades que enxerga
em parar o ataque colorado. Eu já enxergo de outra forma,
Grenal é Grenal. É imprevisível.
O que ninguém discute é que este menino tem futuro.
Se o Inter conseguirá segurá-lo muito tempo? Provavelmente
não. Para nós colorados ele já é
como um filho, e os filhos são criados para o mundo,
não para ficarem o resto de suas vidas em casa.
O Inter lhe deu a chance de crescer e ele retribui com gols.
Quando Leandro Damião entra em campo, os zagueiros sabem
do risco. Na linguagem popular, depois que ele faz dois gols
em uma final de campeonato internacional: “preteou o olho
da gateada”.
Das
minhas leituras da madrugada:
“O Triunfo é filho da Audácia”- Disraeli
Oficial do
Registro de Imóveis e Tabelião de Protestos
Pós-Graduado em Direito Notarial e Registral
Secretário da Associação dos Notários
e Registradores do Brasil (RS)
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Marcos Salomão é colunista de 17 jornais
da região Noroeste.
A relação completa dos jornais poderá ser
conferida em nosso site www.marcossalomao.com.br