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Guerra
fiscal:
entre o ideal e a realidade
A
recente viagem do governador Tarso Genro à Coreia do Sul
reabriu a discussão sobre a guerra fiscal. O debate, porém,
não pode adquirir contornos tão enfadonhos quanto
outrora. Há quem, de pronto, rejeite qualquer espécie
de incentivo para atrair investimentos. E esquece os muitos empregos
gerados pelo Rio Grande do Sul nos últimos anos através
desse mecanismo. Há, de outro lado, quem trate as concessões
fiscais de maneira cômoda, como se fosse um mal inevitável
para toda a eternidade. E, cinicamente, estimulam o desgaste federativo.
Não comungamos de qualquer das duas posições
extremadas.
Muito antes de ser mote para discussões políticas
e ideológicas, a guerra fiscal deve ser compreendida como
um dado da realidade brasileira. Ela existe, infelizmente. E o nosso
desordenado e contraditório sistema tributário nacional
é seu próprio causador. O emaranhado legal existente
não só permite como também impulsiona a competição
de Estados e Municípios, uns contra os outros, na busca de
investimentos. Se a situação está posta desse
modo, é legítimo que prefeitos e governadores entrem
na disputa. Mais: é até mesmo uma obrigação
decorrente da delegação que receberam das urnas –
defender o interesse de seus representados.
A outra questão, porém, é que tal guerra poderia
ser evitada. E aí os críticos estão absolutamente
corretos. É impensável que Municípios e Estados
limítrofes precisem confrontar percentuais de desoneração,
num interminável jogo de barganha para conquistar este ou
aquele empreendimento. Lógico e correto é que as decisões
corporativas sejam baseadas em critérios competitivos objetivos,
tais como logística, mão de obra, parcerias, fornecedores,
potencialidades e afins. É nisso, a propósito, que
os gestores municipais estão se baseando para formatar projetos
atraentes às empresas coreanas, até porque a margem
local de ação tributária é pequena.
No caso concreto, portanto, são absolutamente coerentes as
tratativas que o governador e os prefeitos estão fazendo
para atrair os investidores da Coreia do Sul – assim como
também o foram em outros tempos. Se a guerra está
posta, há que guerrear-se. Porém, a classe política
e os formadores de opinião devem unir esforços para
que, dentro de um acordo razoável e possível, essa
disputa fiscal termine de uma vez por todas. A FAMURS estimula e
incentiva a discussão em favor de uma reforma tributária
global. Mais que resolver essa temática, precisamos redesenhar
as funções de cada ente federado, bem como suas respectivas
fontes de financiamento. Reconhecemos a realidade e trabalhamos
dentro de suas limitações. Mas continuamos buscando
o ideal.
Vilmar
Perin Zanchin
Presidente da FAMURS e prefeito de Marau
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