
Terror
na creche municipal de Panambi/RS...
Sustos,
tortura psicológica, castigos, palmadas, humilhações,
constrangimentos, puxões de cabelos e refeições
interrompidas. Esta era a rotina da creche da Escola Municipal
de Educação Infantil Pequeno Lar, de Panambi/RS
até que o Promotor de Justiça foi informado.
O Ministério Público, então, propôs
Ação Civil Pública informando ao Juiz
que de março a julho de 2005, durante o dia, as atendentes
maltratavam 11 crianças com idade entre 2 a 4 anos.
Durante o período probatório do processo foi
constatado que “com a intenção de aquietar
as crianças no horário de repouso após
o almoço e convencê-las a obedecer e dormir, as
funcionárias resolveram assustá-las. Para isso,
revezaram-se no uso de fantasias e máscaras, como palhaço
e de bruxa, fazendo gestos e encenações atemorizantes
para as crianças, bem como afirmando que tais personagens
viriam pegá-las se não obedecessem”.
Também foi apurado que duas atendentes costumavam baixar
as calças de um menino, deixando-o seminu para debochar
de uma mancha de nascença que ele tinha em uma de suas
nádegas. As outras crianças também eram
estimuladas a debochar do menino. Assustado, o garotinho sentindo-se
ridicularizado chorava muito, se aquietava e dormia. Os outros
meninos também passavam por atitudes como esta.
Em outro caso, para controlar o comportamento de uma das meninas
e padronizar a disciplina, trancavam-na em uma sala de aula
sozinha. Fechavam todas as cortinas escurecendo o ambiente
e diziam que logo o bicho papão vinha pegá-la.
Outra maldade constatada foram as observações
que elas faziam em relação aos órgãos
genitais das crianças, comparando tamanho, formato,
particularidades e dizendo sobre as futuras relações
sexuais que elas teriam.
Durante as refeições, a comida lhes era retirada
antes da hora determinada. Não era permitido lanche
no intervalo.
Uma das meninas recebia palmadas nas nádegas quando
urinava nas roupas. Outra foi agredida e ficou com uma lesão
na testa. Uma terceira foi surrada nas nádegas e a mãe
percebeu em casa na hora do banho.
Nesta semana a 8ª Câmara Civel do Tribunal de Justiça
condenou a diretora e três atendentes da creche por improbidade
administrativa. Elas perderam a função pública,
tiveram os direitos políticos suspensos por cinco anos,
estão proibidas de contratar com o Poder Público
ou receber benefícios ou incentivos fiscais pelo prazo
de três anos. Além disso, terão que pagar
multa, de 15 vezes o valor de sua remuneração
para as atendentes e de 20 vezes o valor de sua remuneração
para a diretora.
Agora, sejamos francos: agredir crianças com idade entre
2 a 4 anos, valendo-se da sua condição de superioridade,
além de covardia é, no mínimo, doença.
Parabéns ao Ministério Público e ao Judiciário
por enfrentar questões deste tipo, que corroem a nossa
sociedade. Não pode haver impunidade para estes abusos.
Das
minhas leituras da madrugada: “A violência é o último
refúgio do incompetente.” Salvor Hardin
Oficial
do Registro de Imóveis e Tabelião de Protestos
Pós-Graduado em Direito Notarial e Registral
Secretário da Associação dos Notários
e Registradores do Brasil (RS)
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Marcos Salomão é colunista de 17 jornais
da região Noroeste.
A relação completa dos jornais poderá ser
conferida em nosso site www.marcossalomao.com.br