Ano XXiI - EDIÇÃO 1158

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Água: Um direito humano

Nesta Semana do Meio Ambiente, cujo o tema é “Desenvolvimento com Sustentabilidade”, o debate sobre o uso racional dos recursos naturais toma conta da pauta. Como militante da área do saneamento ambiental, não posso deixar de questionar o tipo de gestão que queremos para a água, um dos bens comuns mais preciosos da humanidade.
A água doce é imprescindível para todos os seres, porém, a forma com que essa necessidade é atendida depende de cada cultura. Nas sociedades tradicionais, é um bem natural, dádiva divina, parte integrante de um território onde se vive. Nas sociedades modernas, é controlada pela tecnologia, representada por captações, estações de tratamento e um emaranhado de redes de distribuição. Além disso, atualmente, a água é desterritorializada, canalizada de outros lugares, muitas vezes distantes, com os quais a população usuária tem pouco ou nenhum contato.
Esse “divórcio”, do homem das suas fontes de água, tem trazido graves consequências. A mesma água que garante a vida potencializa conflitos e disputas. Hoje, corremos o risco de ter a água apropriada de forma privada, tornando-se mercadoria.
Segundo a ambientalista canadense Maud Barlow, autora do livro “Ouro Azul”, a experiência uruguaia de reafirmação do caráter público da água é um exemplo positivo de solução para esta importante discussão. Em outubro de 2004, através de um plebiscito oficial, a população votou pela inclusão na Constituição do país de um artigo que declara a água um bem público não privatizável.
“Muitas empresas privadas européias buscam assumir os serviços de abastecimento público de países da América Latina. Seguindo o Uruguai, seria um bom tema para que os brasileiros se pronunciem em plebiscito, antes que a privatização da água seja uma realidade irreversível”, afirma o professor Emir Sader, fazendo coro com Barlow.
O maior desafio do Rio Grande, em relação à questão de saneamento básico, é garantir sua universalização. Junto com a população, trabalharemos por uma política pública permanente de saneamento, por um serviço eficiente e, acima de tudo, para que o nosso monopólio natural não vire commodity, em que só os que podem pagar têm acesso. Na gestão pública do setor de saneamento, medimos a eficiência por um único número: aquele que aponta a quantidade de pessoas beneficiadas.
Nesta semana de celebração, quero fazer este convite: ajude-nos a preservar este patrimônio que é de todos os gaúchos.

*Arnaldo Dutra
Diretor-presidente da CORSAN
(Companhia Riograndense
de Saneamento)

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