Ano XXiI - EDIÇÃO 1156

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO - PRESO POR ASSÉDIO - Que tal houvesse lisura em todas as situações. Nos negócios, nas transações, em tudo. Mas lamentavelmente não é bem assim no dia a dia. Há muita enrolação, enganação demais. Vende-se gato por lebre. Botam-se os pés pelas mãos. Os jornais estão cheios todos os dias. Os canais de televisão são invadidos toda hora com notícias desairosas. São políticos de alto coturno metendo a mão no dinheiro público. São ex-ministros enriquecendo ilicitamente, multiplicando o seu patrimônio por vinte num período de quatro anos. Milagres da capacidade administrativa e do empreendedorismo. Tudo isso encoberto pelo manto da inocência. São ex-envolvidos no escândalo perdoados, como humildes penitentes. São religiosos que prevaricam, declinando de suas funções presbiteriais. Tudo trama contra a lisura que tanto todos aspiramos. As virtudes dos justos estão no ostracismo neste tempo em que o preconceito é proibido. Não diga nada a respeito de quem faz escândalo, porque pode lhe pesar uma pena. Não dê passo em falso, porque você poderá ser a próxima vítima. Mire-se no exemplo de Strauss-Kahn, diretor do FMI, acusado de assédio sexual e preso, por isso.
OBRAS DE IRRIGAÇÃO - O secretário estadual de Obras Públicas, Irrigação e Desenvolvimento Urbano, Luiz Carlos Busato, amigo de Três de Maio, quer investir a longo prazo, R$ 5,5 bilhões em 30 barragens, sendo 90% na Metade Sul. Para Busato, o investimento de R$ 5,5 bilhões em barragens pode quadruplicar a produção de grãos do Rio Grande do Sul. As lentes do secretário não são de fundo de garrafa, usa lentes de grande alcance.
FAÇAM AS CONTAS - Se estiver correta a previsão de 28 milhões de toneladas de grãos, na presente safra, no Rio Grande do Sul, com a quadruplicação da produção de grãos, podemos chegar aos 100 milhões de toneladas. Como veem, o secretário tem projetos, quer investir para aumentar a produtividade e robustecer a nossa economia primária. Agora, basta saber se existe dinheiro para colocar na parada.
O FIM DO BONÉ - Fala-se num movimento pelo fim das emendas, das famosas emendas parlamentares. Entende-se que o fim desta prática e se extinta e substituída por uma distribuição dos recursos arrecadados pela União, fortaleceria a democracia brasileira. Seria o fim da era do boné. Do jeito que está, os prefeitos precisam subir constantemente para Brasília para passar o boné. Seria relativamente fácil terminar com isso, era só o governo aumentar o percentual destinado aos municípios e liquidar com essa anomalia, que só favorece a alguns municípios de maior poder de barganha.
CHEGA DE PIRES NA MÃO - Os prefeitos não querem mais ser dependentes do poder central para implorar por demandas isoladas. Agora, os prefeitos querem uma política nacional de distribuição do bolo tributário. Depois de 14 Marchas a Brasília, os prefeitos cansaram de carregar o pires na mão e pechinchar ajuda à União. Será difícil isso acontecer, porque os prefeitos deixariam de dever favores.
REFORMA TRIBUTÁRIA - Sabe-se que a presidente quer fazer a reforma tributária. Mas, quando será, quando será? Não pode ser tão tarde que seja tarde. Sabe-se perfeitamente que ninguém quer perder um tostão de arrecadação, nem a União, nem governadores ou prefeitos. Mas não há interesse nenhum por parte dos contribuintes em reforma tributária, se houver aumento de tarifas. Agora, uma coisa que precisa acabar é a guerra fiscal entre os estados.
AGRICULTURA EM POLVOROSA - Na semana passada, a agricultura esteve em polvorosa. Movimentos, reivindicando providências do governo, por todos os lados. Lá na ponte de Uruguaiana, os arrozeiros bufaram de raiva contra a política do arroz. Exigiram melhores preços e a suspensão das importações do Mercosul. Os triticultores, também, querem um política clara do governo federal quanto à produção do cereal: exigem uma manifestação imediata quanto à autossuficiência e à redução da importação de trigo. Em Brasília, acontecia o XVI Grito da Terra, com um balaio de pleitos. Mais de 5.000 homens da terra exigindo providências. Em Porto Alegre, mais de 3.000 pessoas ligadas à Via Campesina e ao Movimento dos Pequenos Agricultores fazendo protesto. É muita coisa ao mesmo tempo. É a hora de o governo entrar em campo e resolver problemas. Pelo menos, alguns, para que a vida no campo possa continuar. Nesta hora, é ruim ser governo, porque é impossível resolver tudo e nem haveria dinheiro para atender a todas as reivindicações.
GENTE IMPORTANTE TEM BLINDAGEM, NÃO PROTEÇÃO. Haja vista, o caso de certos políticos.
RECORDE DE ARRECADAÇÃO - A arrecadação de tributos federais bateu um novo recorde para os meses de abril: R$ 85 bilhões. Esse recorde veio em cima do aumento do IOF para segurar a alta do crédito e do consumo. O crédito teve uma freada, para segurar a inflação. Em segurando a inflação, caiu a demanda e com a queda da demanda houve reflexos na produção, sofrendo as consequências os trabalhadores. O governo usa isso para encobrir os problemas que vive a nossa economia, neste início de 2011, para dizer que é resultado da boa performance econômica.
ESTAMOS ENTRE OS PRIMEIROS - Nós os brasileiros estamos entre os que mais pagamos impostos no mundo. Só perdemos para a Suécia, onde os contribuintes têm que trabalhar 185 dias por ano para pagar os tributos e, na França, onde os cidadãos trabalham 149 dias por ano pagar colocar em dia os tributos. No Brasil, temos que trabalhar 141 dias para acertar as contas com o fisco.
SABIA? - O Senado elegeu 12 mulheres. Uma delas é gaúcha.

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