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À GUISA
DE COMENTÁRIO – LIBERAL OU CONSERVADOR? Eis a questão.
Sempre entendi vida afora que era liberal. Mas, no frigir dos
ovos, não é tanto assim. Há em nossos tempos
bicudos, muitas coisas que a gente contesta, seja nas áreas
política, ética, econômica, educacional ou
religiosa. Destarte, é quase forçoso concluir que
nisso vai forte dose de conservadorismo. Entrementes, é preciso
convir que não dá para concordar com tudo que se
passa, atualmente. Mas é possível conviver com
novos tempos, novas realidades, nova ideias, sem dúvida,
mesmo porque o mundo é permanentemente mutável.O
que não dá é admitir absurdos. Fica difícil
numa situação dessas definir-se como liberal ou
conservador. Mas há, há sim, seres humanos que
conseguem ser contra tudo e contra todos. São os ultraconservadores.
E quem admite tudo, aceita tudo precisa ser batizado de ultraliberal. É difícil
conviver com o mundo das idéias. Acredito que o bom é ficar
entre San Juan e Mendoza, no meio do caminho: nem tanto ao mar,
nem tanto à terra.
NÃO BASTA SER INTELIGENTE, SABER MUITO, TER CULTURA E ESTAR
PREPARADO. É, SOBRETUDO, PRECISO SER METIDO, BOCUDO E ATÉ MAL-EDUCADO
PARA VENCER. HÁ OS QUE FAZEM MUITO COM POUCO E OS QUE FAZEM
POUCO COM MUITO.
CORDEIRAÇO - Ótima sacada desta XII Expofeira do
Agronegócio. Uma inovação e tanto dentro dos
princípios da diversificação, afinal de contas,
o lema adotado pela décima segunda edição
da exposição-feira foi “a força da diversidade”.
Uma iniciativa do Núcleo de Criadores de Ovinos do Médio
Buricá, que precisa ser mantida nas futuras edições
e ampliada, para que se torne uma das marcas do evento e até de
Três de Maio. A única coisa que destoou foram as longas
filas e a demora. Mas isso tem solução.
ESPIRAL DE FUMAÇA – “A inflação
que aí está, subindo como espiral de fumaça,
prenunciando tempos bicudos, é parte do preço que
estamos pagando pelo tratamento daquele que pode ser considerado
como o mais oneroso complexo de inferioridade de nossa história”.
Assim se expressa Percival Puggina em artigo na sua participação
dominical de Zero Hora. Puggina deixa claro que a inflação
na ascendente é conseqüência de uma política
econômica irresponsável do governo anterior.
CULPADO DA INFLAÇÃO - A inflação brasileira,
medida pelo índice do IPCA, acumula nos últimos 12
meses 6,51%, acima da meta do governo. Os vilões escolhidos
são a gasolina e a carne. Mas o ministro da Fazenda afirma
que, a partir de agora, os preços altos vão despencar. É difícil
entender que isso vá acontecer, porque não há perspectivas
de a carne na entressafra baixar de preço e o preço
da gasolina igualmente não vai cair. Devem ser buscadas
outras causas.
VENDER ILUSÕES - Muitos governantes vendem ilusões
e o povo ingenuamente as compra. Parece ser o caso da presidente
da República que insiste na tecla de que quer terminar com
a miséria no Brasil. Evidentemente, como ideia não
deixa de ser um primor, mas como realidade é quase uma pilhéria.
Afinal de contas, são mais de 16,2 milhões de brasileiros,
conforme dados do IBGE, 8,5% da população, com renda
mensal de 71 reais. Não é um verdadeiro milagre alguém
sobreviver com um pouco mais de dois reais por dia? A nossa presidente
quer ser milagrosa também, tirando da miséria esse
contingente de brasileiros. Resta saber como.
RENDA PER CAPITA - É espantosa a renda per capita de Brasília.(Renda
per capita é a renda global de um município, de um
Estado ou de um país, cujo montante é ‘ dividido
pelos seus habitantes). No caso da Capital Federal a renda per
capita está próxima dos 30 mil dólares anuais.
Seriam cerca de 46 mil reais para cada brasiliense. Logicamente,
muitos percebem muito menos e outros muito, muitíssimo mais. É quase
três vezes a média nacional. É sinal de que
por aqueles lados rola dinheiro.
LEIS JUSTAS - O que na sua concepção seriam leis
justas? “Leis justas – na concepção do
filósofo, professor da URGS, Denis Lerrer Rosenfield - são
as que não estão restritas a costumes locais, nem
privilegiam determinados grupos”. Referente aos quilombolas
tem a seguinte concepção:”O que acontece é um
descalabro.Um exemplo trágico é a proliferação
dos tais quilombolas pelo país”. Pensamentos de um
liberal, mas que aceita práticas da social-democracia em
situações de miséria extrema.
DAR OPORTUNIDADE - O professor Rosenfield, que foi de esquerda
e trabalhou para o PT, é a favor do programa Bolsa Família, “desde
que se crie igualdade de oportunidades, para que todos os brasileiros
possam prover seu próprio sustento”. Nisso o professor
tem toda razão, porque o resto é assistencialismo,
o que só cria malandros.
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