Ano XXiI - EDIÇÃO 1154

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO – LIBERAL OU CONSERVADOR? Eis a questão. Sempre entendi vida afora que era liberal. Mas, no frigir dos ovos, não é tanto assim. Há em nossos tempos bicudos, muitas coisas que a gente contesta, seja nas áreas política, ética, econômica, educacional ou religiosa. Destarte, é quase forçoso concluir que nisso vai forte dose de conservadorismo. Entrementes, é preciso convir que não dá para concordar com tudo que se passa, atualmente. Mas é possível conviver com novos tempos, novas realidades, nova ideias, sem dúvida, mesmo porque o mundo é permanentemente mutável.O que não dá é admitir absurdos. Fica difícil numa situação dessas definir-se como liberal ou conservador. Mas há, há sim, seres humanos que conseguem ser contra tudo e contra todos. São os ultraconservadores. E quem admite tudo, aceita tudo precisa ser batizado de ultraliberal. É difícil conviver com o mundo das idéias. Acredito que o bom é ficar entre San Juan e Mendoza, no meio do caminho: nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
NÃO BASTA SER INTELIGENTE, SABER MUITO, TER CULTURA E ESTAR PREPARADO. É, SOBRETUDO, PRECISO SER METIDO, BOCUDO E ATÉ MAL-EDUCADO PARA VENCER. HÁ OS QUE FAZEM MUITO COM POUCO E OS QUE FAZEM POUCO COM MUITO.
CORDEIRAÇO - Ótima sacada desta XII Expofeira do Agronegócio. Uma inovação e tanto dentro dos princípios da diversificação, afinal de contas, o lema adotado pela décima segunda edição da exposição-feira foi “a força da diversidade”. Uma iniciativa do Núcleo de Criadores de Ovinos do Médio Buricá, que precisa ser mantida nas futuras edições e ampliada, para que se torne uma das marcas do evento e até de Três de Maio. A única coisa que destoou foram as longas filas e a demora. Mas isso tem solução.
ESPIRAL DE FUMAÇA – “A inflação que aí está, subindo como espiral de fumaça, prenunciando tempos bicudos, é parte do preço que estamos pagando pelo tratamento daquele que pode ser considerado como o mais oneroso complexo de inferioridade de nossa história”. Assim se expressa Percival Puggina em artigo na sua participação dominical de Zero Hora. Puggina deixa claro que a inflação na ascendente é conseqüência de uma política econômica irresponsável do governo anterior.
CULPADO DA INFLAÇÃO - A inflação brasileira, medida pelo índice do IPCA, acumula nos últimos 12 meses 6,51%, acima da meta do governo. Os vilões escolhidos são a gasolina e a carne. Mas o ministro da Fazenda afirma que, a partir de agora, os preços altos vão despencar. É difícil entender que isso vá acontecer, porque não há perspectivas de a carne na entressafra baixar de preço e o preço da gasolina igualmente não vai cair. Devem ser buscadas outras causas.
VENDER ILUSÕES - Muitos governantes vendem ilusões e o povo ingenuamente as compra. Parece ser o caso da presidente da República que insiste na tecla de que quer terminar com a miséria no Brasil. Evidentemente, como ideia não deixa de ser um primor, mas como realidade é quase uma pilhéria. Afinal de contas, são mais de 16,2 milhões de brasileiros, conforme dados do IBGE, 8,5% da população, com renda mensal de 71 reais. Não é um verdadeiro milagre alguém sobreviver com um pouco mais de dois reais por dia? A nossa presidente quer ser milagrosa também, tirando da miséria esse contingente de brasileiros. Resta saber como.
RENDA PER CAPITA - É espantosa a renda per capita de Brasília.(Renda per capita é a renda global de um município, de um Estado ou de um país, cujo montante é ‘ dividido pelos seus habitantes). No caso da Capital Federal a renda per capita está próxima dos 30 mil dólares anuais. Seriam cerca de 46 mil reais para cada brasiliense. Logicamente, muitos percebem muito menos e outros muito, muitíssimo mais. É quase três vezes a média nacional. É sinal de que por aqueles lados rola dinheiro.
LEIS JUSTAS - O que na sua concepção seriam leis justas? “Leis justas – na concepção do filósofo, professor da URGS, Denis Lerrer Rosenfield - são as que não estão restritas a costumes locais, nem privilegiam determinados grupos”. Referente aos quilombolas tem a seguinte concepção:”O que acontece é um descalabro.Um exemplo trágico é a proliferação dos tais quilombolas pelo país”. Pensamentos de um liberal, mas que aceita práticas da social-democracia em situações de miséria extrema.
DAR OPORTUNIDADE - O professor Rosenfield, que foi de esquerda e trabalhou para o PT, é a favor do programa Bolsa Família, “desde que se crie igualdade de oportunidades, para que todos os brasileiros possam prover seu próprio sustento”. Nisso o professor tem toda razão, porque o resto é assistencialismo, o que só cria malandros.

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