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É possível
crescer sem inflação
O
Brasil tem plenas condições de continuar crescendo à media
anual de 4% ao ano, como ocorreu entre 2003 e 2010. Esforços
não devem ser poupados para garantir a manutenção
dessa significativa conquista, que pode ser conciliada com o
controle da inflação, cujo risco de recrudescimento
preocupa a sociedade. A FIESP e o CIESP unem-se a essa inquietação
e defendem soluções mais efetivas, condenando a
elevação da taxa básica de juros, que está longe
de ser o melhor caminho para combater o aumento de preços.
Para entender melhor a questão, é necessário
considerar, inicialmente, a majoração, nos últimos
12 meses, de 37,8% das commodities em geral e 43,2% das alimentares,
apontada pelo ministro de Fazenda, Guido Mantega. Reforçando
o diagnóstico, o Banco Central destacou, em relatório
sobre o tema, que o fenômeno foi responsável por um
terço da inflação de 2010.
Contudo, mesmo diante desse choque externo, nossos índices
inflacionários apresentam quadro de deterioração
menos acentuada quando comparados aos de vários países.
O IPCA atingiu 6,3% em 12 meses, até março de 2011,
contra 5,2% no mesmo período de 2010. A inflação
chinesa registrou alta de 5,4% em março de 2011, contra
2,4% no mesmo mês em 2010. Os casos da Argentina, Índia
e Rússia também indicam um surto inflacionário
global, ao apresentar índices, em março último,
de 9,7%, 8,8% e 9,4%, respectivamente.
Vale lembrar que novos instrumentos, como as medidas macroprudenciais,
juntaram-se ao arsenal da política antiinflacionária
e já estão contribuindo para a desaceleração
da atividade econômica. Assim, a elevação da
taxa de juros, mais do que ineficaz, poderá aprofundar a
queda do nível de atividade e gerar efeitos colaterais nocivos:
intensificação do processo de apreciação
cambial e o aumento das despesas do governo com juros, que já atingiram
a cifra de R$ 195 bilhões em 2010 e deverão saltar
para R$ 210 bilhões em 2011.
Sobre a valorização excessiva do real, seus inconvenientes
já são notoriamente reconhecidos. Refiro-me ao aprofundamento
do déficit da balança comercial de manufaturados, à perda
da participação do valor adicionado da indústria
de transformação no PIB e ao aumento da participação
de importados no consumo doméstico.
A balança comercial de manufaturados deverá registrar
déficit de aproximadamente US$ 100 bilhões em 2011,
ante US$ 71,1 bilhões, em 2010. A participação
do valor adicionado da indústria de transformação
no PIB passou de 27,2%, em 1985, para 15,8%, em 2010. O coeficiente
de importações saltou de 14,6%, em 2005, para 21,8%,
em 2010. Esse quadro não prejudica apenas a indústria,
mas toda a sociedade, pois o setor é o mais dinâmico
da economia, representando 60% dos investimentos. Portanto, é decisivo
para a geração de empregos formais para os cerca
de quatro milhões de jovens brasileiros que ingressam todo
ano no mercado de trabalho.
Garantindo mais competitividade para a atividade industrial, com
a redução dos juros e impostos, balizando melhor
o câmbio e diminuindo os gastos públicos, o governo
pode criar condições para o crescimento num ambiente
de inflação controlada. É isso que os brasileiros
desejam!
*Paulo Skaf
Empresário, presidente da Federação
e do Centro das Indústrias do Estado
de
São Paulo
(FIESP/CIESP).
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