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Como
assim, ministro?
Foi
com indignação que li a manchete, obviamente estampada
em letras garrafais, do Correio do Povo de 28 de abril: Governo mudará regra
de pensões por morte. Na matéria, o ministro da Previdência
Social, Garibaldi Alves, diz que está sendo feito um estudo
que visa limitar os critérios de concessão de pensões
por morte no Brasil. Nas palavras do nobre ministro: “Não
há regras, há uma frouxidão total. Se compararmos
essa realidade com a de outros países, não temos critérios,
carências e nem constatação de que aquela pessoa
realmente está merecendo aquela pensão. Tem gente ganhando
duas ou três pensões sem controle nenhum. Se não
corrigirmos isso, podemos ter problemas maiores no futuro”.
Como assim merecer a pensão, senhor ministro? Vamos a um exemplo:
morre um pai de família, que deixa esposa e filhos que muitas
vezes têm ainda de estudar, e a Previdência simplesmente
não quer mais conceder a pensão para eles, sendo que
o pai contribuiu com a Previdência enquanto esteve vivo?
A reportagem do jornal coloca que Garibaldi acha o problema seriíssimo
no setor público, com altos salários para alguns, não
se respeitando o teto salarial. Agora me pergunto: inicialmente,
por que vossas excelências, os ministros, senadores, deputados,
não pensam em reduzir o seu próprio salário,
em vez de ficar aumentando? Comecem por vocês. Acredito que
o enxugamento será muito grande e não necessitaria
mexer no dinheiro de quem fez por merecer contribuindo enquanto pôde.
Cortenham gastos vocês, vossas excelências. Paguem do
seu bolso algumas coisas, não entregando nota de tudo para
receber de volta o gasto. O happy hour, o jantar com colegas em restaurantes
caros, para citar somente alguns exemplos esperando na minha inocência
que vocês não fazem isso, pode sair do seu salário
e não dos nossos impostos.
Lembrei-me momentaneamente dos professores estaduais da Educação
Básica, que tanto vêm brigando pelo aumento em seus
salários e conseguem sempre o mínimo do que desejam.
Certa feita, o professor Juremir Machado da Silva escreveu que o
aumento dos salários deles poderia incrivelmente elevar a
venda de livros na Feira do Livro de Porto Alegre. Professor geralmente
não é empresário, e muito com certeza gastaria
seu extra com coisas de seu interesse, ou seja, informação.
E para concluir, a cereja do bolo, diretamente da boca de Garibaldi
Alves: “Queremos acabar com esta farra das pensões de
viúvas. Está na hora de agirmos para que a Previdência
não sucumba”. Fiquei com pena das viúvas! Muitas
delas na melhor idade lendo isso não deve fazer nem um pouco
bem para o seu coração, que por tantas emoções
fortes já passou durante sua vida. Uma baita desconsideração
para com elas. Mais uma! Lamentável! *Gustavo Griebler*
Mestrando do Programa de Pós-Graduação
em
Educação nas Ciências da Unijuí.
Professor de Ensino Superior da Setrem.
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