Ano XXiI - EDIÇÃO 1153

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Como assim, ministro?

Foi com indignação que li a manchete, obviamente estampada em letras garrafais, do Correio do Povo de 28 de abril: Governo mudará regra de pensões por morte. Na matéria, o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, diz que está sendo feito um estudo que visa limitar os critérios de concessão de pensões por morte no Brasil. Nas palavras do nobre ministro: “Não há regras, há uma frouxidão total. Se compararmos essa realidade com a de outros países, não temos critérios, carências e nem constatação de que aquela pessoa realmente está merecendo aquela pensão. Tem gente ganhando duas ou três pensões sem controle nenhum. Se não corrigirmos isso, podemos ter problemas maiores no futuro”. Como assim merecer a pensão, senhor ministro? Vamos a um exemplo: morre um pai de família, que deixa esposa e filhos que muitas vezes têm ainda de estudar, e a Previdência simplesmente não quer mais conceder a pensão para eles, sendo que o pai contribuiu com a Previdência enquanto esteve vivo?
A reportagem do jornal coloca que Garibaldi acha o problema seriíssimo no setor público, com altos salários para alguns, não se respeitando o teto salarial. Agora me pergunto: inicialmente, por que vossas excelências, os ministros, senadores, deputados, não pensam em reduzir o seu próprio salário, em vez de ficar aumentando? Comecem por vocês. Acredito que o enxugamento será muito grande e não necessitaria mexer no dinheiro de quem fez por merecer contribuindo enquanto pôde. Cortenham gastos vocês, vossas excelências. Paguem do seu bolso algumas coisas, não entregando nota de tudo para receber de volta o gasto. O happy hour, o jantar com colegas em restaurantes caros, para citar somente alguns exemplos esperando na minha inocência que vocês não fazem isso, pode sair do seu salário e não dos nossos impostos.
Lembrei-me momentaneamente dos professores estaduais da Educação Básica, que tanto vêm brigando pelo aumento em seus salários e conseguem sempre o mínimo do que desejam. Certa feita, o professor Juremir Machado da Silva escreveu que o aumento dos salários deles poderia incrivelmente elevar a venda de livros na Feira do Livro de Porto Alegre. Professor geralmente não é empresário, e muito com certeza gastaria seu extra com coisas de seu interesse, ou seja, informação.
E para concluir, a cereja do bolo, diretamente da boca de Garibaldi Alves: “Queremos acabar com esta farra das pensões de viúvas. Está na hora de agirmos para que a Previdência não sucumba”. Fiquei com pena das viúvas! Muitas delas na melhor idade lendo isso não deve fazer nem um pouco bem para o seu coração, que por tantas emoções fortes já passou durante sua vida. Uma baita desconsideração para com elas. Mais uma! Lamentável!

*Gustavo Griebler*
Mestrando do Programa de Pós-Graduação em
Educação nas Ciências da Unijuí.
Professor de Ensino Superior da Setrem.

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