Ano XXiI - EDIÇÃO 1153

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DIREITO EM DEBATE

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O Drama de Rachel . . .


A britânica Rachel Edwards dirigia seu Citroen Xsara em uma estrada secundária no condado de Lincolnshire, nordeste da Inglaterra. Grávida de sete meses, pretendia passar o final de semana na casa de familiares em um balneário. Um erro no GPS do veículo havia lhe tirado da rota e ela estava perdida. Ao seu lado, no banco da frente, estava seu filho Jack, de 16 anos. No banco de trás, dois amigos do rapaz e sua outra filha, Isabella, de dois anos. Rachel pediu que Jack fechasse a janela, pois o vento incomodava o sono da menina. Para arejar o carro, abriu a sua janela. Os rapazes, no banco de trás, fizeram o mesmo.
Em uma curva, Rachel bateu em um buraco. O carro perdeu o controle e caiu em uma represa, de cabeça para baixo, a três metros de profundidade, afundando rapidamente. Rachel e os dois amigos do filho conseguiram sair do carro, em razão das janelas abertas. Isabela e Jack ficaram. Rachel subiu até a superfície, respirou e desceu novamente para salvar seus filhos. Imaginou que a menina de dois anos, presa na cadeirinha, teria maiores dificuldades de sair. Tateando no lago escuro e gelado, ela conseguiu soltar a menina e retornar a superfície.
Foi então que Rachel viveu seu maior drama. Se voltasse para salvar Jack, não teria onde deixar a menina, que se afogaria. Ela entrou em desespero.
Uma equipe de paramédicos logo chegou ao local, mas Jack foi retirado sem vida do carro.
O acidente ocorreu em 19 de agosto do ano passado e somente esta semana Rachel falou sobre o caso a um pequeno jornal local. A matéria foi reproduzida em mais de 300 veículos de comunicação no mundo inteiro. Ela narrou seu drama de escolher um dos filhos e disse que pensa, todos os dias, como poderia ter feito para tentar salvar os dois.
A imprensa mundial comparou o acidente ao famoso drama do cinema “A escolha de Sofia” de 1982, onde uma mãe polonesa é forçada por um soldado nazista a escolher, em um campo de concentração, qual dos seus dois filhos, o menino ou a menina, vai ser morto. A cena era tão dolorosa que a atriz Meryl Streep, que já era mãe, se recusou a encenar mais de uma vez.
Ao ler a notícia, como pai, fiquei sem palavras. Mais tarde comentei com alguns amigos e todos encararam a decisão de Rachel como muito difícil. Levei o caso para os meus alunos do curso superior de Administração de Empresas, na Setrem, onde dou aula de uma cadeira de Direito. Provoquei o debate, e nenhum aluno quis se manifestar sobre a decisão de Rachel. É o típico caso complicado de se manifestar, independente da opinião. São essas armadilhas da vida, que não sabemos por que ocorrem, que nos levam a refletir sobre nossa existência e os obstáculos que temos que superar na jornada terrena...)

Das minhas leituras da madrugada: “Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio”.
Provérbio Indiano


Oficial do Registro de Imóveis e Tabelião de Protestos
Pós-Graduado em Direito Notarial e Registral
Secretário da Associação dos Notários e Registradores do Brasil (RS)

- Marcos Salomão é colunista de 17 jornais da região Noroeste.
A relação completa dos jornais poderá ser conferida em nosso site www.marcossalomao.com.br

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