
O
Drama de Rachel . . .
A britânica Rachel Edwards dirigia
seu Citroen Xsara em uma estrada secundária no condado
de Lincolnshire, nordeste da Inglaterra. Grávida de
sete meses, pretendia passar o final de semana na casa de familiares
em um balneário. Um erro no GPS do veículo havia
lhe tirado da rota e ela estava perdida. Ao seu lado, no banco
da frente, estava seu filho Jack, de 16 anos. No banco de trás,
dois amigos do rapaz e sua outra filha, Isabella, de dois anos.
Rachel pediu que Jack fechasse a janela, pois o vento incomodava
o sono da menina. Para arejar o carro, abriu a sua janela.
Os rapazes, no banco de trás, fizeram o mesmo.
Em uma curva, Rachel bateu em um buraco. O carro perdeu o controle
e caiu em uma represa, de cabeça para baixo, a três
metros de profundidade, afundando rapidamente. Rachel e os
dois amigos do filho conseguiram sair do carro, em razão
das janelas abertas. Isabela e Jack ficaram. Rachel subiu até a
superfície, respirou e desceu novamente para salvar
seus filhos. Imaginou que a menina de dois anos, presa na cadeirinha,
teria maiores dificuldades de sair. Tateando no lago escuro
e gelado, ela conseguiu soltar a menina e retornar a superfície.
Foi então que Rachel viveu seu maior drama. Se voltasse
para salvar Jack, não teria onde deixar a menina, que
se afogaria. Ela entrou em desespero.
Uma equipe de paramédicos logo chegou ao local, mas
Jack foi retirado
sem vida do carro.
O acidente ocorreu em 19 de agosto do ano passado e somente esta semana Rachel
falou sobre o caso a um pequeno jornal local. A matéria foi reproduzida
em mais de 300 veículos de comunicação no mundo inteiro.
Ela narrou seu drama de escolher um dos filhos e disse que pensa, todos os dias,
como poderia ter feito para tentar salvar os dois.
A imprensa mundial comparou o acidente ao famoso drama do cinema “A escolha
de Sofia” de 1982, onde uma mãe polonesa é forçada
por um soldado nazista a escolher, em um campo de concentração,
qual dos seus dois filhos, o menino ou a menina, vai ser morto. A cena era tão
dolorosa que a atriz Meryl Streep, que já era mãe, se recusou a
encenar mais de uma vez.
Ao ler a notícia, como pai, fiquei sem palavras. Mais tarde comentei com
alguns amigos e todos encararam a decisão de Rachel como muito difícil.
Levei o caso para os meus alunos do curso superior de Administração
de Empresas, na Setrem, onde dou aula de uma cadeira de Direito. Provoquei o
debate, e nenhum aluno quis se manifestar sobre a decisão de Rachel. É o
típico caso complicado de se manifestar, independente da opinião.
São essas armadilhas da vida, que não sabemos por que ocorrem,
que nos levam a refletir sobre nossa existência e os obstáculos
que temos que superar na jornada terrena...)
Das
minhas leituras da madrugada: “Quando falares, cuida
para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio”.
Provérbio Indiano
Oficial
do Registro de Imóveis e Tabelião de Protestos
Pós-Graduado em Direito Notarial e Registral
Secretário da Associação dos Notários
e Registradores do Brasil (RS)
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Marcos Salomão é colunista de 17 jornais
da região Noroeste.
A relação completa dos jornais poderá ser
conferida em nosso site www.marcossalomao.com.br