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O problema do Brasil

04/10/2019 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Griebler*

Já há alguns anos e na história brasileira do século passado que o dito problema do Brasil foi levado à tona e defendido por muitos: os privilégios. Entretanto, estes privilégios se convertem muitas vezes em denegrir a imagem de trabalhadores honestamente investidos em seus cargos: os servidores públicos, os trabalhadores do governo que servem ao público em suas necessidades. Muitas vezes nós (me enquadro nesta classe já há mais de cinco anos) somos levados à mesa de julgamentos pelo nosso excesso de benefícios e privilégios que a função nos dá. Ora, costumo dizer que concursos públicos estão abertos o tempo inteiro. Basta você se preparar para chegar lá. A gente não compra uma vaga para trabalhar numa universidade pública ou na auditoria da receita federal. Privilégio, eu acredito que seja quem já nasceu rico ou muito rico neste País e até hoje não seja taxado nas suas fortunas, enquanto nós trabalhadores temos de pagar 27,5% de imposto de renda todo mês por conta de nossos salários.
Para quem admira Sergio Moro, ele é um servidor público. Para quem admirou Brizola, Getúlio Vargas e João Goulart, eles foram servidores públicos. Para quem admira o trabalho de seu prefeito e de seu vereador, eles também são servidores públicos. Para quem até hoje admira aquela sua professora do ensino fundamental na Zona Rural do município, que fazia as vezes de professora, merendeira e diretora, muito possivelmente ela também é servidora pública. São pessoas do dia a dia, que estão aí para um único e específico fim: servir ao público.
Eu passei a acreditar - e muito - no serviço público depois que passei a viver ele. E recentemente, tive uma experiência com hospital público. Muitas vezes este local tem uma história muito feia mostrada, com pessoas morrendo em corredores, sendo maltratadas, etc. Verdade que fui pelo convênio, mas um convênio público, que me encaminhou para um hospital público, onde o médico, do convênio público, atende. Creio que foi das melhores experiências para um local que tradicionalmente não é muito legal. A atenção e a eficiência do trabalho nos remetem a coisas de primeiro mundo. A coisa pública funciona. A cada pouco vinha ao quarto técnico de enfermagem, enfermeira, a comida, médico e hotelaria. Na saída do hospital, fui levado de cadeira de rodas até o carro pelo rapaz que cuida somente da hotelaria do hospital. Passei a acreditar mais ainda no servidor público, na coisa pública. Há de se desmistificar a ideia do servidor público cumpridor de horários e da jaqueta pendurada na cadeira sem estar no local de trabalho.
O problema do Brasil não está nos servidores públicos, muito menos nos órgãos públicos. Arrisco a dizer que nem nos políticos de Brasília. O problema do Brasil é o sistema que se instituiu do Oiapoque ao Chuí, do jeitinho brasileiro, da cultura geral criada da barganha, do toma lá dá cá. Eu não sei se algum dia isso deixará de existir, mas tenho de acreditar que em algum momento do passado algo aconteceu para passar a ser desse jeito. E tenho de acreditar que no futuro a coisa pode mudar e será sempre e sempre pelo certo, pelo estabelecido, sem negociatas, sem jeitinhos. Dessa forma, não teremos mais problemas do Brasil e sim soluções.

*Doutorando em Educação em Ciências - UNIPAMPA. Docente EBTT, Coordenador de Ensino, Pesquisa e Extensão e Diretor Substituto do Instituto Federal Farroupilha - Campus Avançado Uruguaiana



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