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Corpo de Bombeiros registra aumento de 46% das ocorrências de queimadas em Três de Maio

19/09/2019 - Por Jornal Semanal
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Nos últimos 90 dias, o Corpo de Bombeiros de Três de Maio atendeu 56 ocorrências devido a queimadas em vegetação somente em Três de Maio. Um aumento de 46% em relação ao mesmo período de 2018. O tempo seco, as altas temperaturas e o vento forte no período pós geada ajudam na propagação das chamas. Porém, conforme o comandante da corporação, 1º tenente Evandro Carlos Schwerz, a maioria das queimadas poderia ser evitada se houvesse conscientização da população sobre o perigo e suas consequências tanto para o meio ambiente, quanto para a saúde dos humanos e de animais. "Provocar queimadas é crime ambiental, sujeito à punição, conforme a legislação", alerta Schwerz

Corpo de Bombeiros registra aumento de 46% no número de ocorrências atendidas relativas a incêndio em vegetação

'Toda queimada é considerada crime ambiental', alerta o tenente do Comando Ambiental da Brigada Militar de Santa Rosa, Edelberto Ginder

"Alguns agricultores, infelizmente, ainda têm uma falsa noção de que a queimada da palha seca ajuda a limpar o solo e deixá-lo mais produtivo. Mas isso é mito. Ocorre até um pequeno aumento na produtividade em razão das cinzas provenientes das queimadas, mas isso é transitório, depois desse evento o solo está mais suscetível à erosão, pragas e, sem contar no impacto em todo o equilíbrio ambiental, pois atinge a flora e a fauna de forma direta e avassaladora", alerta o tenente do Comando Ambiental da Brigada Militar de Santa Rosa, Edelberto Ginder.  
Em entrevista ao Semanal, o tenente explica que toda queimada é considerada crime ambiental e que o infrator está sujeito às sanções contidas nos artigos 41 e 54 da Lei 9.605/1998. 
Além de ser uma prática criminosa, as queimadas prejudicam, inclusive, o tráfego de veículos nas rodovias - devido à fumaça - e podem causar acidentes. "É com certeza um evento que pode ocasionar acidentes de trânsito, quer seja em razão da baixa visibilidade, ou até mesmo devido à curiosidade dos que trafegam na rodovia em querer apreciar a queimada. O proprietário poderá sim ser responsabilizado se for comprovada sua culpa ou dolo num eventual sinistro", adverte.
Além das queimadas no meio rural, há registro também de situações em áreas urbanas, que oferecem grande perigo aos moradores, devido a proximidade com residências e rede elétrica.
 Com relação ao número de ocorrências atendidas na região, ele ressalta que o Comando Ambiental ainda não dispõe de dados exatos, pois estão sendo compilados. "Nossa orientação é para que as pessoas tenham em mente que são responsáveis pela proteção do meio ambiente, e que atitudes como provocar queimadas afetam toda a coletividade", afirma o tenente Ginder. 

No registro, é visível o dano ambiental ocasionado pelo fogo na vegetação nas proximidades do Estádio Estrelão, do Botafogo. O incêndio que foi combatido pelo Corpo de Bombeiros, ocorreu no último dia 9, e se alastrou de forma rápida e por pouco não atingiu residências próximas. Moradores relatam que outros casos semelhantes já ocorreram naquela área e as suspeitas são de incêndio criminoso

Final do inverno é um dos piores períodos de registro de queimadas 
Conforme o comando do Corpo de Bombeiros Misto de Três de Maio o tempo seco, altas temperaturas e o vento forte no período pós geada ajudam na propagação das chamas. 
Porém, na avaliação do comandante da corporação, 1º tenente Evandro Carlos Schwerz muitos casos de queimadas têm origem em atos que poderiam ser evitados. "É importante esclarecer que gerar fumaça ou incêndio são ações que podem levar o autor a ser enquadrado na Lei de Contravenções, Código Penal e na lei de crimes ambientais. Qualquer dessas situações pode acarretar responsabilização para quem ateou fogo, e no período de inverno, especialmente na fase final, é um dos piores períodos de registro desse tipo de ocorrência", explica o comandante.
Schwerz lamenta que nem mesmo o tempo seco e o ar visivelmente mais poluído, não têm evitado ações inconsequentes por parte dos infratores. "As principais razões são atos de vandalismo, limpeza da área ou com intuito de rebrotamento vegetativo".
Conforme o comandante, a maior a incidência de focos de incêndio são em diversos trechos da BR 472 e ERS 342. "A maioria dos focos de incêndio é registrada nas propriedades rurais que ficam às margens das rodovias. Os incêndios se tornam frequentes e representam um perigo para os motoristas pois a fumaça densa prejudica a visibilidade", alerta.
Para Schwerz, além do perigo para os motoristas e moradores das áreas próximas aos focos, as chamas quando fora do controle deixam um rastro de destruição e muitos vezes causam prejuízos atingindo cercas e postes de energia, áreas com cultivo, caixas de abelhas e árvores. "Portanto, os órgãos de segurança têm a atribuição de orientar, notificar, autuar e até mesmo deter pessoas que forem flagradas cometendo infrações administrativas ou crimes ambientais."

'Tempo seco, altas temperaturas e o vento forte no período pós geada ajudam na propagação do fogo... As chamas, quando fora de controle, deixam um rastro de destruição e muitas vezes causam prejuízos atingindo cercas e postes de energia, áreas com cultivo, caixas de abelhas, árvores', diz comandante do CB Misto, Evandro Carlos Schwerz

Em 90 dias, bombeiros atenderam 56 ocorrências de incêndio em vegetação em Três de Maio
O comandante revela que o Corpo de Bombeiros tem sido constantemente chamado para atender ocorrências relacionadas às queimadas - em 90 dias, já foram 56 casos em Três de Maio - o que causa um transtorno logístico para a corporação visto que esse deslocamento demanda todo o efetivo operacional, num intervalo de tempo considerado elevado. "Sendo assim, a preocupação recai sobre a possibilidade do aumento do tempo de resposta no caso de ocorrerem, concomitantemente, chamados de maior prioridade, como por exemplo, incêndios residenciais ou acidentes com presos em ferragens", avalia.   
Por isso, alega, o Corpo de Bombeiros preconiza e conta com a educação e conscientização da sociedade no entendimento de que a segurança pública, dever do Estado, é direito e responsabilidade de todos. 
"Para acionar os Bombeiros, basta ligar no número 193 ou 3535-3044 (para relatar ocorrência de focos de incêndio); e, para denunciar queimadas ilegais, é só acionar a Polícia Militar pelo número 190."

Danos ambientais e à saúde
Além do perigo de tornar o fogo incontrolável e trazer grandes prejuízos financeiros, as queimadas trazem sérios problemas à saúde ambiental, pois são extremamente prejudiciais à qualidade do ar. "Em áreas urbanas, causam poluição do ar pela geração de fumaça e liberação de gases que afetam a saúde da população, agravando problemas respiratórios, principalmente em crianças e idosos", observa o 1º tenente Evandro Carlos Schwerz.
Neste sentido, o Corpo de Bombeiros orienta a população para que com pequenas atitudes no dia a dia, as queimadas sejam evitadas, principalmente em épocas de estiagem e pós-geada, condições climáticas que deixam mais favoráveis à incidência de queimadas. "Fumantes jamais devem lançar bitucas de cigarro pela janela do automóvel ou em qualquer via pública; a limpeza de terrenos não deve ser realizada queimando o material a ser descartado; e nenhum tipo de limpeza de restos de poda, capina, móveis e lixo doméstico deve adotar a queimada do material recolhido, sendo que existem meios públicos e privados adequados para o recolhimento".

Número de ocorrências de incêndio em vegetação, na área de atuação do Corpo de Bombeiros de Três de Maio. Em 2019, dados são relativos aos últimos 90 dias

Município         2018         2019
Alegria        2       1
Boa Vista do Buricá        1       5
Nova Candelária                0       0
Independência        5       5
São José do Inhacorá        0       2
São Martinho        0       0
Três de Maio        39       56
TOTAL         47         69
FONTE: CORPO DE BOMBEIROS MISTO DE TRÊS DE MAIO

Em três meses e meio, choveu apenas 230 milímetros em Três de Maio
Os últimos meses estão sendo marcados pela pouca chuva na região, além de um sobe e desce de temperaturas. Segundo dados da Comercial Agrícola Manjabosco, junho registrou apenas 29 mm de chuva (e temperaturas acima da média); em julho, foram 110 mm (e dias muito frios). Agosto também ficou com pouca chuva; foram apenas 71 mm de precipitação. Em setembro, até às 8 horas de ontem, dia 18, choveu 24 mm. Somando os meses de junho a setembro (até essa quarta), são apenas 234 milímetros - volume muito abaixo da média histórica do município para o período, que é de 120 a 150 mm de precipitação por mês.
Além disso, agosto e setembro também estão sendo marcados por uma grande variação de temperatura, com ondas de calor e frio, no intervalo de um dia para o outro. Vários exemplos podem ser citados, como o dia 1º de agosto, quando foi registrado 28 graus, e, no dia seguinte, 12,6 graus - uma queda de 15,4ºC. No dia 30, a temperatura (máxima) chegou a 33º, enquanto no dia 31, caiu para 11,7ºC (mínima), ou seja, menos 21,3ºC, conforme dados da Estação Meteorológica da Setrem. 
Nesta semana, na segunda-feira, dia 16, os termômetros chegaram a registrar 35,7ºC e na terça, 17, com a chegada da frente fria e chuva, a temperatura baixou para 15,6ºC. Ou seja, menos 20,1ºC, em cerca de 24 horas. 
Segundo o meteorologista Cléo Kuhn, setembro continua no sobe e desce das temperaturas, mas com um frio menos intenso e, de vez em quando, a temperatura dá um pico maior.




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