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Apae 50 anos: preservando as memórias da fundação

23/08/2019 - Por Jornal Semanal
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Fundadores da Apae se encontram para relembrar como tudo iniciou há 50 anos
Instituição promoveu encontro com oito fundadores na manhã de 16 de agosto

Reconhecer a importância de seus fundadores, bem como resgatar e preservar a memória institucional foram os objetivos principais que motivaram a Apae de 
Três de Maio reunir oito de seus fundadores na manhã de sexta-feira, 16 de agosto, nas dependências da escola, para recordar sobre a sua criação e escutar as histórias destas pessoas que construíram o alicerce e muito contribuíram para o crescimento da instituição. Participaram os fundadores Ignes Grando Petter, 
Marilene Grando, Olivo Grando, Veda Kochhann, Leonida da Silveira Kehrwald, Elmer Glienke, Kurt Grenzel e Mário Tesche. 

O início
Sentindo a necessidade de atendimento especial para crianças com deficiência, que autoridades e líderes da comunidade três-maiense se reuniram na Câmara de Vereadores de Três de Maio no dia 29 de outubro de 1969, data que nascia, oficialmente, a Apae. Relembrando o fato, a diretora administrativa da Apae, Nadir Gabe, destacou a importância do momento, "para conhecermos a história e agradecermos, porque o trabalho dos fundadores foi fundamental". 'Aquela semente lançada foi adubada, regada e está aqui hoje, dando frutos", disse.
Além dos fundadores, estiveram presentes também o presidente da Apae, Vilson Foletto; as diretoras Nadir Gabe e Simone Rossi Tieche; a técnica em enfermagem Marilei Dockhorn; e o tesoureiro da instituição, Milton Cassol.
O trabalho voluntário
O presidente atual, Vilson Foletto, agradeceu aos fundadores pela iniciativa que tiveram, há 50 anos, de dar início ao projeto que hoje ele e sua equipe dão andamento. "A Apae foi alicerçada com voluntários que sempre se doaram, e a obra está aqui para vermos, que é a nossa Apae hoje. Sabemos que as dificuldades não vão parar, mas graças à seriedade que todos aqui tiveram, nossa Apae cresce, e cresce porque aqui temos pessoas que trabalham para o bem dos nossos alunos e atuamos com transparência e seriedade. Por isso, hoje somos referência."
"A preocupação de vocês, há 50 anos, com as pessoas com deficiência, foi muito importante. Graças a este gesto, hoje elas têm uma escola," destacou a diretora pedagógica Simone Rossi Tiecher. 

Como tudo começou
O fundador Olivo Grando relembrou a primeira reunião em que se debateu a criação da Apae. "Me recordo que naquela época as pessoas com deficiência eram escondidas; as famílias não apresentavam esses filhos. Então, enquanto grupo chegamos a pensar que 'daríamos um tiro no escuro' porque nos questionávamos se os pais iriam aceitar trazer os filhos pra cá. Felizmente, o tiro não foi no escuro. Os pais começaram a apoiar e trazer os filhos para a Apae. Eu vejo que o início desta escola foi um grande passo para o atendimento destas pessoas. Os pais viram que havia pessoas que se preocupavam com os filhos deles."
Ignes Grando Petter revelou que sua participação na fundação da Apae se deu por necessidade. "Me emociono até hoje ao relembrar. Meu filho nasceu com paralisia cerebral e tinha convulsão. Aqui encontramos o apoio necessário. Fico feliz em ver, hoje, que as crianças aqui tem toda essa estrutura e equipe qualificada para atendê-las."

Vínculo e carinho
Sobre a busca por recursos na época, Leonida da Silveira Kehrwald contou que a Apae promovia o Festival do Refrigerante. "Tenho um carinho muito grande pela Apae. Quando chegou até mim a notícia da criação da Apae, eu atuava como professora no Cardeal Pacelli, em 1969, e fiquei encantada com a iniciativa. Eu tinha uma sobrinha com deficiência que morava em Independência, a Lori, e eu avisei meu irmão, que passou a residir em Três de Maio. E a Lori, hoje falecida, foi uma das primeiras alunas aqui da Apae. Então, meu vínculo com a instituição vem desde aquele tempo. E desde 1993 faço parte da diretoria." 
Veda Kochhann contou que no ano de 1974, quando engravidou, contraiu rubéola no segundo mês de gravidez. "Com confiança, seguramos a gravidez, e como tínhamos um carinho pela Apae e confiança em Deus, sabíamos que se ocorresse algum problema, o Glauber teria um lugar para ser atendido. Mas, quando ele tinha quatro anos, descobrimos que apresentava deficiência auditiva em um ouvido. Sempre acompanhamos os eventos da Apae, e precisamos parabenizar a direção e equipe apaeana que desempenham tão bem este importante trabalho."

A escolha do nome
Kurt Grenzel, que também foi presidente da Apae por 12 anos, recordou de uma palestra do Rotary em que participou, quando um médico tratou dos casos de crianças com deficiência e isso o comoveu. "Ele sugeriu que mesmo que não tivéssemos familiares nesta situação, que contribuíssemos com a Apae, que vinha desenvolvendo um trabalho exemplar. Lembro que o Olivo era companheiro de Rotary e foi um dos que ajudou a dar o pontapé inicial. Eu, na época oleiro, contribui com tijolos. Em 1985, mesmo ano em que assumi a presidência da Certhil, a Apae estava enfrentando dificuldades financeiras. Já em 1998, recebemos o convite para o Gol Show, do SBT - uma espécie de premiação. No fim de semana de Páscoa daquele ano eu fui até São Paulo buscar um reforço financeiro para a Apae. Por isso, eu, como cidadão três-maiense, tenho me dedicado e me sinto com dever cumprido." Nadir acrescentou que a Certhil foi uma grande parceira da Apae, auxiliando em tudo que a escola precisava.
Elmer Glienke contou que, na época da fundação da Apae, estudava em Porto Alegre e lá havia vários casos de crianças com deficiência. "Meu sogro tinha um filho com deficiência, então isso nos sensibilizou. Era preciso uma escola assim aqui também. Quando retornei, me interessei, participei e apoiei, e lembro que escolhemos o nome de Helen Keller para a escola."

Participação da comunidade
Mário Tesche destacou o apoio sempre dispensado para a Apae e afirma que muito o orgulha ter participado da sua fundação e parabenizou a direção pelo seguimento do trabalho. Marilene também agradeceu a dedicação com que toda a equipe apaeana abraça a causa. 
"Nosso trabalho é seguir o que vocês construíram, para crescermos. Não podemos deixar de citar a ajuda da comunidade, que hoje representa em torno de 40% da receita da Apae. Escutando vocês, avaliamos que as dificuldades são as mesmas enfrentadas hoje, só que de forma diferente", finalizou o presidente Foletto.
Foi servido um café da manhã e, após o encontro, os fundadores visitaram as dependências da Apae.

Diretora Nadir Gabe falou sobre a importância do trabalho dos fundadores há 50 anos





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