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Adoção: amor além dos laços biológicos

09/08/2019 - Por Jornal Semanal
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26 casais estão na fila de espera na Comarca de Três de Maio
Atualmente, há três adolescentes disponíveis para adoção e seis crianças em situação de 'vinculadas', que é quando elas estão na residência dos casais adotantes para estágio de convivência
A Comarca de Três de Maio tem atualmente 26 casais na fila de adoção, segundo a juíza Eliane Resende, do Juizado da Infância e Juventude.
Além de Três de Maio, também compõem a área de jurisdição da Comarca os municípios de Alegria, Boa Vista do Buricá, Independência, Nova Candelária e São José do Inhacorá.
Os 26 casais se encaixam na situação de "disponível" porque assim são considerados aqueles que não têm vinculação a uma criança ou adolescente disponível para adoção.
Por outro lado, não é possível especificar o município de origem de cada casal, uma vez que o endereço não consta no Cadastro Nacional de Adoção, apenas os meios de contato (e-mail e/ou telefone).
Em situação de "disponível para adoção", ou seja, sem vinculação a um casal de pretendentes (sem estágio de convivência), são hoje três adolescentes, sendo um de 15 anos de idade e dois de 16 anos.
Já em situação de "vinculadas", ou seja, na residência do casal adotante para estágio de convivência, são seis crianças, com idades entre dez meses e oito anos.

A juíza Eliane Resende, do Juizado da Infância e Juventude

Casais há mais tempo na fila de espera foram incluídos no cadastro em 2006
A juíza analisa haver atualmente "um grande avanço na fluidez dos processos de adoção e de habilitação para a adoção em andamento na Comarca".
"Mesmo com a participação de diversos agentes públicos (equipe técnica, Ministério Público, entre outros), as ações tramitam com considerável celeridade, visando a efetivar, com absoluta prioridade, os direitos e garantias de crianças e adolescentes", diz a magistrada.
Os dois casais com mais tempo de espera na fila tiveram a sua inclusão no cadastro no ano de 2006.
"Pode-se citar como uma das causas para tal espera o perfil da criança que desejam adotar (branca ou parda, de até dois anos e dois meses de idade, sem grupo de irmãos e sem doenças detectadas no momento do cadastro)", explica Eliane.
"É de se destacar, no entanto, que ambos os casais manifestaram já desinteresse em adotar quando foram contatados pelo juízo, embora tenham se manifestado pela permanência no cadastro. Embora o casal esteja na fila de adoção, por vezes ocorre de manifestar desinteresse de iniciar o estágio de convivência", observa.

Quais os passos que interessados em adotar devem seguir
A juíza Eliane Resende explica que a inclusão dos pretendentes no Cadastro Nacional de Adoção (ferramenta digital que auxilia os juízes das Varas da Infância e da Juventude na condução dos procedimentos dos processos de adoção em todo o país) é precedida de um processo de habilitação.
Para iniciar este processo de habilitação, os interessados devem comparecer ao Juizado da Infância e Juventude da Comarca e preencher um requerimento de habilitação, no qual informarão seus dados pessoais e o perfil da criança ou adolescente que desejam adotar, além de fornecer cópia de documentos e certidões exigidas.
"A idade mínima para se habilitar à adoção é de 18 anos, independentemente do estado civil, desde que seja respeitada a diferença de 16 anos entre quem deseja adotar e o menor a ser adotado", comenta a magistrada.
Ao receber este requerimento, o juiz dará início efetivo ao processo de habilitação para a adoção, no bojo do qual os pretendentes serão submetidos a avaliação social e psicológica, além de outras medidas que venham a se revelar pertinentes.
A partir dos laudos da equipe técnica e do parecer emitido pelo Ministério Público, o juiz proferirá a sentença, determinando ou não a habilitação dos pretendentes à adoção.
Uma vez habilitados, os interessados serão inscritos no Cadastro Nacional de Adoção (conhecido como "fila de adoção") e aguardarão até aparecer uma criança ou adolescente com o perfil compatível com aquele fixado pelos pretendentes no requerimento inicial, sendo observada a ordem cronológica da habilitação.
O Juizado da Infância e Juventude avisará o habilitado quando surgir o perfil de uma criança ou adolescente com perfil compatível ao indicado por ele. Caso haja interesse na adoção, será iniciado o estágio de convivência (monitorado pelo Poder Judiciário, Ministério Público e equipe técnica), ao fim do qual, havendo parecer favorável, deverá ser feito o pedido de adoção.

Entre os 26 casais na Comarca de Três de Maio que aguardam para adotar*:
- 5 casais aceitam apenas crianças com até 1 ano de idade
- 15 casais aceitam com até 3 anos
- 5 casais aceitam com até 5 anos
- 1 casal aceita adotar crianças com até 10 anos
* com relação à cor/raça da criança, o sistema não disponibiliza tal dado, embora o casal possa escolher no momento do pedido

Sobre irmãos:
- 5 casais aceitam grupos de 2 irmãos
- Nenhum casal aceita grupo de três irmãos ou mais

Pais do coração: uma história linda e cheia de amor
Família de São José do Inhacorá conta a experiência com a adoção de dois irmãos 
Registro em família: Gilberto, a esposa Tatiane e os filhos 

Moradores de São José do Inhacorá, o secretário de Administração do município, Gilberto Ferrari, 45, e a empresária Tatiane Nonenmacher, 34, sempre sonharam com a adoção. Há 5 anos, vivem o amor incondicional de pais, depois que adotaram os irmãos I.M. e Y.G., de 13 e 14 anos.
Mais do que a dificuldade de engravidar naturalmente, a experiência de familiares do casal com a adoção aumentou a vontade de serem pais do coração, como definem a adoção. "A adoção é um desejo que vem desde a minha infância e foi crescendo comigo. Meu marido e eu queríamos ser pais. Nos preparamos muito para a adoção, amadurecemos a ideia por um bom tempo e, finalmente, demos a entrada nos papéis", conta Tatiane.
Foram três anos de preparação, até optarem pela adoção tardia - quando a criança tem mais de 3 anos -, e definirem que poderiam adotar irmãos. Quando encaminharam a documentação para entrar na fila de adoção, em 2014, conheceram a ONG Instituto Amigos de Lucas, de Porto Alegre, que faz um trabalho de preparação para adoção e pós-adoção. 
Depois de entrar em contato com a ONG, o retorno foi rápido. "Em menos de 30 minutos nosso telefone tocou, nossos meninos já estavam nos esperando", conta a mãe emocionada. Ela explica que durante aquela semana foram feitos os trâmites legais e puderam conhecer os irmãos que, na época, tinham 7 e 9 anos. 
Do primeiro contato à guarda definitiva
Muitas vezes o tempo entre ingressar na fila de adoção e encontrar os filhos é longo, mas no caso de Gilberto e Tatiane a história foi diferente. O fato de aceitar irmãos e crianças maiores facilitou o encontro entre eles.
Os meninos estavam na Região Metropolitana de Porto Alegre. "Naquele primeiro contato, em abril de 2014, já sentimos que eles eram nossos filhos", conta Gilberto. "Na sala da assistente social, no Fórum, nasceu nossa família: um pai, uma mãe, um menino de 7 e um de 9 anos. Foi como em todos os nascimentos: lindo, emocionante e assustador", completa Tatiane.
Dez dias após conhecerem os filhos, Gilberto e Tatiane puderam passar alguns dias com os meninos e conviver um pouco. Depois de um mês, o casal ganhou a guarda provisória e trouxe-os para casa. "Normalmente o tempo é maior, mas em virtude da distância entre São José do Inhacorá e o município em que os meninos estavam, em torno de 500 quilômetros, esse período foi reduzido", explica o pai. 
Após pouco mais de um ano, em 2015, o casal ganhou a guarda definitiva e pôde registrar os meninos. Desde então, os filhos (que a pedido dos pais serão identificados apenas com as iniciais I.M. e Y.G.), ganharam o sobrenome Nonenmacher Ferrari.

Os maiores desafios
Para os pais, educar é sempre um dos maiores desafios. "Saber se estamos no caminho certo, se nossas decisões no dia a dia são as melhores para que nossos filhos sejam felizes, homens de bem, de caráter e preparados para enfrentar os desafios do mundo não é fácil", explica Tatiane.
Gilberto conta também que outro desafio foi a troca de emprego. "Senti a necessidade de estar mais em casa para acompanhar o crescimento dos meninos e troquei o trabalho como representante comercial, onde viajava bastante, para trabalhar perto de casa, como secretário Municipal de Agricultura.

Sobre sentimentos
Os sentimentos de mãe e pai pelos filhos são difíceis de explicar. É fácil entender quando a conversa é entre pais e mães, mas difícil de se fazer entender para quem ainda não passou pela experiência. 
Para Tatiane ser mãe "é viver o maior amor do mundo. É dar tudo o que somos, tudo que temos e muito além". Para Gilberto, "ser pai é ser presente, é estar junto para todas as horas, é se sentir completo".
De acordo com a mãe, quando as pessoas pensam em adoção, normalmente desejam bebês, para que possam viver as 'primeiras vezes'. "Eu não imaginava quantas 'primeiras vezes' vivenciaria com meus filhos. A primeira vez que os vi, que os ouvi me chamando de mãe, os primeiros cuidados, as primeiras palavras escritas e lidas, e tantas conquistas diárias que nos emocionam e nos fazem vibrar com eles. Assim como perceber como o amor nos molda, e como podemos nos ver cada dia mais em nossos filhos", destaca.

Conselho
Para os pais que estão na fila de adoção, Gilberto aconselha. "Os pais que adotam precisam estar preparados para receber um filho", explica destacando que a adoção é um ato de amor. Ele enfatiza, ainda, a necessidade de romper o preconceito de ter que adotar um bebê. "Na adoção tardia você vai conduzir a criança como seu filho, da mesma forma", justifica.


O filho desejado a mais de três mil quilômetros de distância
Há dois anos, casal de Santo Cristo é pai do menino Tauã Tewes Hillebrand, 9 anos, natural de Ariquemes, Rondônia 

Uma família completa: Volnei, Jussara e o filho Tauã Tewes Hillebrand, de 9 anos

A emoção do primeiro olhar, do primeiro abraço e das primeiras palavras ainda estão muito presentes na vida da família de Volnei Francisco Hillebrand, 41 anos, morador de Santo Cristo. Ele e a esposa, Jussara Maria Tewes, 39, são pais adotivos do menino Tauã Tewes Hillebrand, 9 anos. 
Há dois anos e quatro meses, o sonho de ter uma família completa se tornou possível para o casal, que viajou distante mais de três mil quilômetros até a cidade de Ariquemes, no estado de Rondônia, para buscar o filho.
A espera na fila de adoção durou cinco anos, após o casal obter a confirmação de que não poderia gerar filhos biológicos. Inicialmente, eles se inscreveram para adotar crianças de até 2 anos. Ficaram dois anos na fila. Em consenso familiar, aumentaram a idade da criança até 5 anos. Mais dois anos se passaram e perceberam que estavam longe de realizar o sonho de ser pais. Então, tomaram uma nova decisão, de adotar criança de até 7 anos. 
Quando solicitaram alteração da idade, iria fechar cinco anos de espera. Então, foram abençoados com uma ligação telefônica do Juizado da Infância e Juventude de Ariquemes, dizendo que teria um menino apto para adoção em um orfanato local. Volnei conta que quase não atendeu a ligação, pensando que poderia ser um trote. "Atendi por instinto. A pessoa do outro lado, a senhora Socorro Bezerra falou o motivo do contato. E o mais interessante, era dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, foi como um presente para minha esposa Jussara", recorda Volnei.

De malas prontas para Rondônia
"Não esperávamos que nosso filho viesse de tão longe, pois são mais de 3.100 quilômetros de distância. Mas como era o nosso sonho e com ajuda e incentivo de familiares, amigos e colegas de trabalho, resolvemos encarar o que fosse preciso ser feito para  tentar a sua adoção". 
Com a decisão positiva em adotar, a senhora Socorro mandou a primeira foto do garoto, na época com 6 anos. "E para conhecê-lo um pouco melhor, começamos a falar com ele por telefone. O detalhe é que como ele era do Norte, quase não entendíamos o que ele falava, mas a alegria era tanta, que não nos importávamos com tal situação." 
Depois disto, Volnei e Jussara fizeram as malas e partiram para Rondônia. "Pensamos em mil coisas; como ele iria nos receber? Como seria a adaptação dele aqui no sul, clima, alimentação, cultura? Tínhamos muitas dúvidas", confessam os pais.

A emoção do primeiro encontro 
A chegada ao orfanato foi em 1º de abril de 2017. A dona Socorro os acompanhou na primeira visita. "Fomos para uma sala, eu e minha esposa, sozinhos, esperando ele vir. Quando ele apareceu, saiu somente um 'bom dia'. As demais palavras ficaram engasgadas, não sabíamos o que dizer ou falar, tanta era a emoção...demorou alguns minutos, até que começamos um leve bate-papo com ele". 
Jussara conta que no início, ele os chamava de tio e tia. "Mas, já no segundo dia, ele arriscou nos chamar de pai e mãe, e aí tudo se encaminhou de forma tranquila para adoção. O aniversário de 7 anos dele comemoramos em Rondônia ainda enquanto passávamos pelo processo de adoção", lembra a mãe. 
Após os trâmites legais, a família retornou para Santo Cristo. "Embarcamos na rodoviária de Ariquemes sexta-feira à noite, e chegamos na rodoviária de Santa Rosa segunda-feira ao meio-dia; dois dias e meio de viagem". 

'Jamais desistam de esperar', diz o pai
O casal destaca que a estrutura familiar sólida é importante e que busca transmitir para Tauã valores como o amor, educação, respeito, humildade. "Estamos com ele há dois anos e quatro meses, e podemos dizer com convicção que de fato somos uma família completa; ele nos respeitando como pais, e nós dando a ele a educação que um filho precisa ter, além de termos uma convivência muito afetiva e amorosa". 
Os pais revelam que o filho é "dengoso e amoroso", e ao mesmo tempo curioso, querendo conhecer coisas novas. "Admiramos muito a vontade dele em sempre querer ajudar o próximo", falam orgulhosos do filho. 
Volnei aconselha casais que sonham em ter um filho do coração. "Para os pais que estão na fila da adoção, jamais desistam de esperar; o momento vai chegar. As dificuldades vão existir, mas todas serão superadas com momentos especiais que jamais serão esquecidos e ficarão guardados nas lembranças e no coração", conclui o pai.



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