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A insaciável máquina do desperdício de dinheiro

21/06/2019 - Por Jornal Semanal
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Já é consenso geral que a máquina pública brasileira é insustentável em relação ao que o país arrecada. Os gastos com salários, aposentadorias, pensões, verbas de gabinete, contratação de assessores, privilégios, mordomias, festas, etc. são um escandaloso e abjeto desperdício de dinheiro do contribuinte que, em contrapartida, não tem segurança, escola, hospitais, creches, estradas decentes, infraestrutura. Não tem direito a uma vida digna e nem esperança de um futuro melhor. Por máquina pública entendemos os três poderes: legislativo, executivo e judiciário e os três níveis de governo: federal, estadual e municipal. Perto de 80% da arrecadação de impostos vai para alimentar essa monstruosidade que, aliás, só cresce. Um escândalo sem tamanho, um peso insuportável que a população carrega e que só será eliminado com uma mudança do sistema político brasileiro.
Vejamos alguns dados novos sobre os municípios brasileiros, onde a vida dos contribuintes acontece. O Brasil possui 5.570 municípios e, destes, cerca de 1.400 têm até 5.000 habitantes; 1.300 têm de 5.001 até 10.000 habitantes, e cerca de 1.400 de 10.001 até 20.000 habitantes. Por lei, esses 4.100 municípios precisam ter, no mínimo 9 vereadores.
Pergunta: o que um vereador pode fazer, politicamente, em uma cidade de 10.000 habitantes? Agora vamos imaginar porque se precisa de 9 vereadores! Isto significa que temos um vereador para, praticamente, cada 1.000 habitantes! Será que essa proporção é a mesma para médicos, dentistas, polícia militar, escolas, e outros serviços essenciais? Será que essa é a proporção de professores qualificados nessas pequenas cidades? Além do óbvio custo para a população, certamente esses vereadores vão criar leis, para justificar seu salário, leis que provavelmente não trarão nenhum benefício para a população. Mas não creio que devemos pedir para extinguir a câmara de vereadores. Acredito que devemos lutar para que esses nobres políticos, sejam realmente servidores públicos, ou seja, que cidades até 20.000 habitantes não remunerem seus vereadores. Que seja um serviço voluntário, pois certamente eles não precisam doar todo o seu tempo para a cidade. Seria uma espécie de conselho de cidadãos e cidadãs que se reuniriam uma vez por semana durante, talvez, 3 horas. Creio que o farmacêutico, o padre, o delegado de polícia, o dono do posto de gasolina, devem conhecer a maioria dos munícipes e suas necessidades. Não precisam deixar suas atividades normais para exercer um serviço público! Além disso, a enorme maioria dessas cidades não gera receita para pagar seu funcionalismo, vivendo de repasses (favores) dos governos estadual e federal.
Aumentando a discussão, podemos questionar por que eles existem como municípios, se não geram renda para se manterem? A máquina de desperdício de dinheiro em causas inúteis gera ignorância, desnutrição e morte, pois deixa a população necessitada desassistida. O atual sistema político brasileiro é, na essência, um inimigo da nação.
Celso Tracco
Escritor, palestrante e consultor 



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